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quinta-feira, 27 de abril de 2023

Escaladores de cachoeiras: duas novas espécies de peixes são descobertas em MG

Encontradas em Veríssimo, no Triângulo Mineiro, espécies são uma das únicas que conseguem viver em córregos e riachos acima de quedas livres de água, pois são capazes de subi-las com uso dos dentes fora da boca e movimentos zig-zag.

Os peixes possuem menos de 6 cm de comprimento, conforme a pesquisa. — Foto: g1.

Pesquisadores divulgaram a descoberta de novas espécies de peixes, das quais duas são exclusivamente do Rio Uberaba, no município de Veríssimo, no Triângulo Mineiro. Elas são do gênero Trichomycterus, conhecido popularmente como bagres neotropicais. São peixes de pequeno porte, entre 4 cm e 5 cm, com dentes fora da boca, que permitem escalarem rios e riachos.

Ao g1, os pesquisadores Valter Azevedo-Santos e Axel Katz, doutores em Zoologia, conversaram sobre o processo de identificação dos peixes e as características das espécies.

A descoberta foi feita por meio de uma pesquisa, que ocorre há alguns anos, realizada em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Faculdade Eduvale de Avaré e Universidade Federal do Tocantins (UFT).

A pesquisa descreve seis novas espécies em Minas Gerais. Duas delas ocorrem exclusivamente em um riacho em Veríssimo. Ambas as espécies de bagres foram batizadas de Trichomycterus uberabensis e Trichomycterus coelhorum, na qual foram reconhecidas novas características, que as classificam como novas espécies.


A descoberta

Essas espécies foram identificadas por apresentarem algumas características únicas dos demais, em relação a suas feições externas (morfológicas) e ósseas.

“Muitas dessas espécies são extremamente parecidas com outras já descritas caso se olhe rapidamente. No entanto, com um olhar mais detalhado vê-se a diferença. Desde o início havia a suspeita de que poderiam ser provavelmente novas, com o local e com a aparência desses bagres já se pode levantar a suspeita de serem novas, que veio a ser provada após estudos feitos no laboratório”, explicou Axel Katz.

Ainda conforme os estudos, essas espécies, presentes em localidades de drenagem, são particularmente suscetíveis à extinção em um cenário de grandes intervenções humanas, merecendo, portanto, atenção especial.


As espécies

Os peixes, conhecidos popularmente como bagres, são novas espécies da família Trichomycteridae, atualmente, até então, 180 espécies eram reconhecidas nessa família. Geralmente são encontrados em águas com bastante correnteza, temperatura baixa e bem oxigenada. Também possuem um comportamento específico, segundo o pesquisador.

"Com o uso dos dentes do lado de fora da boca, eles conseguem escalar cachoeiras com um movimento de zig-zag e com isso muitas vezes são os únicos peixes encontrados em rios acima de cachoeiras" disse Katz.

As espécies do gênero Trichomycterus, descritas na pesquisa, não ultrapassam 6 cm de comprimento. Assim, muitos detalhes, como os dentes (odontódeos) e algumas características físicas, não são facilmente visíveis nas fotos publicadas. São tipicamente encontradas entre as folhas de plantas nas margens, próximos a raízes ou dentro da folhagem no fundo dos rios.

Trichomycterus coelhorum, descoberta no Triângulo Mineiro. — Foto: Reprodução/ MDPI.

Trichomycterus coelhorum: dentre algumas de suas características específicas, é distinguido das outras espécies do gênero por ter menos raios dorsais na nadadeira de sua cauda e por ter seis raios na nadadeira peitoral, ter menos vértebras e menos dentes. Possui coloração amarelo pálido, com faixa escura marrom a preta e pontos pretos.

O nome "coelhorum" foi dado como uma homenagem à família "Coelho", da zoóloga Dra. Paula Nunes Coelho, de Frutal, também no Triângulo Mineiro, que prestou apoio aos pesquisadores.

Trichomycterus uberabensis, descoberta no Triângulo Mineiro. — Foto: Reprodução/ MDPI.


Trichomycterus uberabensis: dentre algumas de suas características específicas, não possui nadadeira pélvica, tem menos vértebras, mais dentes em sua arcada. O padrão de coloração do animal é único, composto por pequenas manchas escuras, marrons e negras.

O nome “uberabenses” foi dado em homenagem e alusão a bacia do Rio Uberaba.

"São espécies conhecidas pelo padrão colorido e número de raios nas nadadeiras e vértebras", disse Valter.


O registro de novas descobertas

A descoberta científica de uma nova espécie normalmente segue um processo formal e um conjunto de procedimentos estabelecidos pela comunidade científica.

  • Coleta e documentação: O primeiro passo é coletar espécimes da nova espécie, juntamente com informações detalhadas sobre sua morfologia, anatomia, distribuição geográfica, habitat, entre outros dados relevantes.
  • Análise comparativa: Os espécimes coletados são, então, comparados com outras espécies relacionadas e descritas cientificamente, para determinar sua distinção e identificar suas características únicas.
  • Descrição formal: Com base na análise comparativa, os pesquisadores escrevem uma descrição formal da nova espécie, seguindo as convenções científicas estabelecidas.
  • Revisão por especialistas: A descrição formal da nova espécie é então submetida a revisão por outros especialistas na área, em um processo conhecido como revisão por pares.
  • Publicação: Após a revisão por pares e a aprovação pelos revisores, a descrição formal da nova espécie é publicada em uma revista científica especializada. A publicação científica é essencial para estabelecer o registro formal e oficial da nova espécie na literatura científica.
  • Depósito de espécimes: Os espécimes coletados que serviram de base para a descrição da nova espécie são geralmente depositados em museus ou coleções científicas, para que possam ser acessados e estudados por outros pesquisadores no futuro.

O registro de uma nova espécie é um processo rigoroso que exige evidências científicas sólidas e em conformidade com os princípios da taxonomia biológica, que é a disciplina científica que trata da classificação dos seres vivos.

A descoberta foi feita por Wilson J. E. M. Costa, Valter M. Azevedo Santos, José Leonardo O. Mattos e Axel M. Katz, formalizada por meio de um artigo na revista científica "MDPI".


Fonte: Escaladores de cachoeiras: duas novas espécies de peixes são descobertas em MG | Triângulo Mineiro | G1 (ampproject.org).

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Nova espécie de peixe-caracol é descoberta a 7 mil metros de profundidade

Animal azul da Fossa do Atacama foi batizado de "Paraliparis selti" e pode ajudar cientistas a compreender como a vida resiste a baixas temperaturas e grandes pressões.

Imagens estáticas in situ de P. selti sp. novembro tirada pela câmera com isca (Foto: Springer Link ).

Para conhecer que tipo de animais habitam o fundo do oceano, uma equipe internacional de cientistas implantou sondas em queda livre na Fossa do Atacama, localizada entre o Peru e o Chile. Com essa metodologia, eles conseguiram captar imagens de uma nova espécie de peixe abissal que vive a uma profundidade de cerca de 7 mil metros.

De acordo com uma nota da Universidade Newcastle, na Inglaterra, a escolha do local foi definida pelo fato de que a imensa trincheira percorre a costa oeste da América do Sul e tem profundidade parecida com a altura da Cordilheira dos Andes. Ao todo, a fossa conta com 8 quilômetros de profundidade, enquanto a Cordilheira apresenta quase 7 quilômetros de altitude. O artigo que conta todos os detalhes da descoberta foi publicado no periódico Marine Biodiversity em 1º de outubro.

Para conseguir registrar peixes, as sondas tinham petiscos acoplados para atrair os animais, aproximando-os da câmera para realizar o registro. “A câmera foi feita de algumas polegadas de aço inoxidável e vidro de safira", explica o Thom Linley, autor principal do estudo, da Universidade Newcastle.

Com o equipamento, a equipe de Linley conseguiu identificar três espécies de peixe-caracol na zona hadal, que parte dos 6 mil metros de profundidade até o leito oceânico. Entre essas espécies, uma era completamente nova para a ciência.

Um pequeno peixe azul avistado entre 6 mil e 7,6 mil metros de profundidade apresentava características diferentes dos demais peixes-caracóis da região. O animal tinha olhos grandes e cor marcante. Para determinar que se tratava de uma nova espécie, a equipe utilizou tomografia microcomputadorizada (micro-CT) e código de barras de DNA para ver onde as novas espécies se encaixam na família dos peixes-caracol, o uso dessas técnicas permitiu aos cientistas determinar onde o animal se encaixava na família de peixe-caracóis.

Batizado de Paraliparis selti, o nome da nova espécie deriva da extinta língua Kunza, que era usada por povos indígenas do Deserto do Atacama. Selti significa azul.

Imagens estáticas in situ de P. selti sp. novembro tirada pela câmera com isca (Foto: Springer Link ) — Foto: Galileu.

Para surpresa da equipe, a nova espécie parece ser um colonizador separado da Fossa do Atacama. A nova espécie é um membro pertencente ao gênero Paraliparis. As espécies deste gênero são particularmente abundantes no Oceano Antártico e são raramente encontradas a profundidades superiores a 2.000 m. Significativamente, esta é a primeira vez que este gênero foi encontrado vivendo na zona hadal.

Paraliparis selti oferece uma oportunidade fantástica para explorarmos o que permite que os peixes vivam tão profundamente", comemora Linley, que acredita que o peixe evoluiu de espécies adaptadas ao frio do Oceano Antártico. A descoberta, portanto, pode dar novas pistas sobre a relação entre a adaptação às baixas temperaturas e grandes pressões, ajudando a compreender como a vida sobrevive a zonas abissais.

Fonte adaptada de: https://revistagalileu.globo.com.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Novo híbrido "acidental" é criado em laboratório



Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa e Inovação Agrícola da Hungria criaram acidentalmente um novo tipo de peixe bizarro: um híbrido de peixe-espátula (paddlefish) e esturjão russo (sturgeon) que foi chamado de sturddlefish. A descoberta foi compartilhada pelos cientistas no início de julho no periódico Genes.

Os cientistas explicam no artigo que não estavam tentando criar um novo tipo de peixe, mas sim realizar ginogênese com as células reprodutivas dos animais. No processo, ovos de determinada espécie são desenvolvidos e o material genético masculino não intervém ativamente. Para a surpresa da equipe, contudo, os ovos produziram filhotes híbridos das duas espécies que sobreviveram até a fase adulta.

"Eu tive que olhar duas vezes quando vi", disse Solomon David, ecólogo aquático da Universidade Estadual de Louisiana, nos Estados Unidos, que não participou da pesquisa, em entrevista ao The New York Times. "Eu simplesmente não acreditei. Eu pensei, hibridização entre esturjão e peixe-espátula? Não tem como."

De cima para baixo: (A) esturjão russo; (B) e (C) sturddlefish; e (D) peixe-espátula (Foto: Genes).

Atualmente, os cientistas têm cerca de 100 indivíduos ainda vivos que podem ser divididos em três categorias: aqueles mais parecidos com o peixe-espátula, aqueles mais parecidos com o esturjão russo e aqueles que herdaram características de ambas as espécies igualmente.

A criação de híbridos pela ciência não é incentivada, pois, apesar de existirem exemplos bem sucedidos do fenômeno, como a mula (combinação de burro e cavalo), os riscos de algo dar errado e causar sofrimento ao espécime também são grandes. "Nunca quisemos brincar com a hibridação. Foi absolutamente involuntário", ressaltou Attila Mozsár, coautor do estudo e pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa em Pesca e Aquicultura na Hungria, em entrevista ao The New York Times. Os cientistas não pretendem criar novos filhotes do animal.

 

Fonte: www.revistagalileu.globo.com

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O peixinho que droga predadores com 'mordida de heroína'

Cientistas britânicos e australianos resolveram um mistério do mundo marinho: os efeitos da mordida indolor de um peixe ornamental venenoso.

Os fang blennies medem poucos centímetros e são coloridos.
Foto: Richard Smith/OceanRealmImages.com / BBCBrasil.com
Eles constataram que o fang blenny, natural de corais do Oceano Índico, se defende de predadores ministrando opioides - um composto similar à morfina e à heroína, que causa uma queda súbita na pressão sanguínea e, aparentemente, distrai o predador por tempo suficiente para que ele fuja.

A pesquisa, que reuniu especialistas da Liverpool School of Tropical Medicine, no Reino Unido, e da Universidade de Queensland, na Austrália, foi publicada na revista especializada Cuttent Biology e é um exemplo dos segredos escondidos em nossos oceanos.

Bryan Fry da Universidade de Queensland, explica que peixes com algum tipo de mordida venenosa normalmente produzem dores imediatas.

"Uma das maiores dores que sofri na minha vida foi quando fui picado por uma arraia. Foi algo infernal", contou ele.

Por isso, o fang benny aguçou a curiosidade dos cientistas: eles queriam entender por que sua mordida era indolor.

"Mordidas ou picadas dolorosas são um mecanismo de defesa útil - os predadores aprendem a evitá-las", explica Nicholas Casewell, cientista da Liverpool School of Tropical Medicine.

Presas anestésicas

Exemplar de Fang Blenny. Foto: Erik Schlögl © Erik Schlögl.

Casewell conta que os estudos sobre o fang blenny feitos nos anos 70 observaram o comportamento de peixes maiores.

"Eles colocavam os blennies na boca, mas rapidamente começavam a tremer e a abriam novamente. O fang blenny simplesmente nadava para fora."

Ao analisar a composição do veneno dos peixinhos, os cientistas descobriram o opiáceo, composto conhecido como potente analgésico e usado tanto como remédio quanto droga recreativa, como no caso da heroína.

Mas esse tipo de composto causa também queda na pressão sanguínea, levando a tonturas e estado de fraqueza.

"Isso parece causar nos predadores uma perda de coordenação, permitindo que o blenny fuja", completa Casewell.

Tesouros

Pesquisadores fizeram tomografias para encontrar as glândulas produtoras de veneno
Foto: LSTM / BBCBrasil.com.

A nova descoberta é uma amostra da importância de preservação dos recifes de coral, ameaçados pelo aumento na temperatura dos oceanos, diz Casewell.

"Corremos o risco de extinguir uma espécie que pode conter algo útil para os humanos. Podemos estar destruindo um recurso antes mesmo de encontrá-lo."

Bryan Fry faz coro com o colega, apontando para as aplicações práticas que o fang blenny pode ter para a ciência.

"Seu veneno pode ser a fonte da mais nova droga analgésica do mercado, mas podemos perder a chance de desenvolvê-la se extinguirmos o habitat desta e de outras criaturas vivendo em corais."

Fonte: www.bbc.com.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Moringa, a planta que purifica a água e poderia acabar com a fome mundial

Olá amigos e amigas empreendedores do ramo aquícola e demais companheiros, sei que o blog Empreendendo Aquicultura como o próprio nome denomina é voltado para o setor aquícola, no entanto, acho válido também a disseminação de idéias sustentáveis e também de métodos alternativos de complementação nutricional, como é o caso da notícia a seguir. 

Portanto, leia a reportagem e fique por dentro da importância alimentar e ecológica da moringa.

Conheça as propriedades da moringa, a resistente planta que traz esperança para o mundo

Exempla de moringa oleífera. Fonte: IDEIA - Instituto de Defesa, Estudo e Integração Ambiental.

Preocupados com as alterações climáticas, cientistas têm procurado alternativas alimentares que sejam resistentes a adversidades e ao mesmo tempo mega nutritivas. Esse é o caso da jaca e da moringa. Em nosso país, a moringa é mais comum no norte, mas mesmo assim poucos brasileiros conhecem a planta. O vegetal é originário da Ásia e da África e cresce em áreas semiáridas tropicais e subtropicais. A planta traz uma série de benefícios, tanto para saúde e nutrição, quanto para economia e meio ambiente. Se cada família que habita os trópicos tivesse uma árvore de moringa plantada no quintal de casa, haveria menos fome e desnutrição no mundo.

No universo dos chamados “superalimentos”, a Moringa tem ganhado destaque. Existem 13 variedades da planta, que é da família Moringaceae – as mais comuns são a moringa oleífera e a moringa stenopetala. A árvore da moringa cresce muito rápido e pode chegar a até 12 metros de altura. Seus galhos são carregados de pequenas folhinhas verdes que são incrivelmente nutritivas. A planta se adapta bem em regiões de difícil proliferação de vegetais, em locais muito quentes e muito secos. Além disso, o alimento supre necessidades básicas, fornece energia e mantém os corpos nutridos. Na África e nas Filipinas, muitas famílias plantam uma árvore de moringa em seus quintais para garantir uso para consumo próprio. Todas as partes da planta são utilizáveis. Folhas, vagens verdes, flores e sementes têm rico valor alimentar, e todas as partes da planta, incluindo raízes, têm uso medicinal.

Nutrientes

O que mais surpreende os pesquisadores é a riqueza da moringa oleiferera ou acácia-branca em relação à quantidade de nutrientes. Ela não só possui uma grande variedade de antioxidantes, proteínas, vitaminas e sais minerais, mas também os possui em alta concentração. A planta possui sete vezes mais vitamina C que a laranja, quatro vezes mais vitamina A que a cenoura, duas vezes mais proteína do que o iogurte, quatro vezes mais cálcio que o leite de vaca, três vezes mais ferro que o espinafre e três vezes mais potássio que a banana. Além disso, o vegetal possui todos os aminoácidos essenciais que nosso corpo não produz. Por esse motivo, a moringa é considerada a “árvore milagrosa”.

Na Etiópia, a espécie mais comum de moringa é a stenotepala, que é largamente plantada nas encostas das montanhas em Konso, e ao redor das casas e cabanas de palha dos habitantes. A planta garante um mínimo de elementos nutritivos para a população do local, especialmente para as crianças.

Suas folhas têm um sabor levemente picante, semelhante ao agrião. Elas podem ser consumidas de diversos modos, como cruas em saladas, ou cozidas em sopas. Um prato muito apreciado na Indonésia e no Timor Leste é feito com suas flores fritas em óleo de coco e depois imersas em leite de coco. A iguaria se chama makansufa e é comida com arroz ou milho. Suas flores também dão um belo aspecto quando utilizadas em saladas e são amplamente utilizadas na preparação de chá. Suas vagens verdes têm sabor parecido ao grão de bico e podem ser consumidas cozidas. Quando a planta é jovem e tem em média 30 cm, suas raízes possuem uma reserva nutricional e podem ser ingeridas. De sabor picante, elas podem ser consumidas em saladas ou refogados. Contudo, após esse período, a raiz seca e não pode mais ser ingerida. O óleo extraído de suas sementes é passível de ser utilizado em diversas receitas.

A absorção dos nutrientes depende muito da forma com que o vegetal é preparado. Ao ferver por longos períodos e jogar o caldo do cozimento fora, muitas vitaminas fundamentais para a nutrição são desperdiçadas. Uma forma eficiente de consumir a planta é secando suas folhas e a transformando em um pó semelhante ao matcha, pois desse modo seus nutrientes são conservados.

No sudoeste Senegal, no período de 1997 a 1998, pesquisadores ensinaram a receita a clínicas locais, médicos e enfermeiras, para salvar crianças, mulheres grávidas ou amamentando da morte por desnutrição. As mães foram orientadas a ingerir esse pó nas refeições para produzir mais leite durante o período de amamentação.

Seu uso como suplemento dietético está em expansão, e o pó de moringa tem sido comercializado para complementar uma possível falta de vitaminas e proteínas. Além do formato em pó, que pode ser adicionado a diversas receitas, existe também a versão em cápsulas.

Benefícios da Moringa Oleifera. Fonte: Jardim dos Oliveiras - Temperos & Especiarias.

Propriedades medicinais

A moringa é uma das plantas utilizadas pela tradicional medicina ayurveda. Segundo a ayurveda, a planta auxilia no tratamento e prevenção de 300 doenças. Dentre as propriedades alardeadas, algumas foram recentemente verificadas pela comunidade científica. Estudos mostram que a planta é um potencial larvicida e repelente do mosquito Anopheles stephensi que é vetor da malária e do Aedes aegypit, que transmite a dengue. Além disso, pesquisas mostram que um composto da planta é inibidor da leishmaniose.

Outro estudo demonstrou que infusões de água quente de flores, folhas, raízes, sementes e talos ou casca de moringa têm atividades antiespasmódica, anti-inflamatória e diurética. A planta ainda é apontada como antipirética, antiepiléptica, anti-inflamatória, antiúlcera, anti-hipertensiva, antitumoral, redutora do colesterol, antioxidante, antidiabética, antibacteriana e antifúngica.

Na medicina tradicional, o suco de flor moringa é utilizado para melhorar a lactação humana e o chá de suas folhas é indicado para resfriados e infecções. As flores frescas são recomendadas para combate a anemia, úlceras gástricas e diarreia. Já para picadas de insetos, feridas ou problemas de fungos na pele, os habitantes locais utilizam uma pasta feita com suas folhas.

Diferentes usos

Como visto acima, todas as partes dessa generosa plantinha são aproveitadas. Seja para a alimentação ou em remédios alternativos. Contudo a planta tem outras potencialidades que vêm sendo estudadas. O óleo de sua semente possui importância industrial e é aproveitado para lubrificar maquinarias delicadas, é também empregado em cosméticos como perfumes e utilizado para biocombustível. A planta também é usada como forrageira, para alimentar carneiros, cabritos, coelhos, galinhas caipiras, vacas leiteiras. E como a planta floresce o ano todo, suas flores são uma opção na alimentação de abelhas.

Outro fator que ressalta a importância da planta é seu potencial de realizar um tratamento químico da água ao decantar bactérias e resíduos. Após macerar as sementes de moringa e adicionar à água, ela atrai argila, sedimentos e bactérias, que se acumulam no fundo do recipiente e deixam a água clara e potável. Ela melhora em 99% a qualidade da água com seu efeito purificador.

Três sementes purificam cerca de um litro de água. O ideal é utilizar sementes colhidas recentemente para o tratamento de água. O tempo ideal de decantação da água é de 90 minutos. Quanto maior o tempo e repouso, maior a quantidade de partículas irão se acumular no fundo do recipiente. Após esse processo a água precisa ser filtrada, coar com um pano já faz esse trabalho. Coar é muito importante pois o material orgânico decantado inicia um processo de decomposição após o tratamento.

Diversos estudos analisam um composto ativo à base da semente da planta, que poderia ser implantado como uma alternativa viável de agente coagulante em estações de tratamento da água convencionais. Atualmente são utilizados produtos químicos como sais de alumínio para realizar a coagulação e a floculação da água, resultando em um lodo com compostos químicos que não podem ser descartados de qualquer maneira. Contudo, com o uso da moringa, forma-se um lodo totalmente biodegradável que não oferece riscos ao meio ambiente. Pesquisas mostram que sementes de moringa oleífera não alteram significativamente o pH e a alcalinidade da água e não causam problemas de corrosão. Tanto sementes da stenopatala, como da oleífera possuem as mesmas propriedades purificadoras da água.

De acordo com o Instituto Trata Brasil, seis milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada. Por isso, a expansão da moringa no território brasileiro é essencial.

Atualmente a planta é conhecida no estado do Maranhão e vem sido difundida no sertão nordestino.

O vegetal cresce onde mais se precisa dela. A região entre os trópicos é assombrada pelas mortes por desnutrição e ingestão de águas contaminadas. A resistência da moringa traz a esperança de uma água limpa e uma rica fonte alimentar para esses locais que sofrem tanto com o clima e com o solo. Com todos seus atributos, é difícil não reconhecer a moringa como uma das plantas mais generosas do planeta.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Conheça o peixe que resiste a venenos e 'atentados'


Em uma caverna escura em Tabasco, no sul do México, vive uma comunidade de peixes molinésias. Nada muito fora do comum, se não fosse o fato de que a caverna é envenenada com o gás tóxico sulfito de hidrogênio.

Os peixes desenvolveram uma serie de adaptações notáveis para lidar com esse meio escuro e tóxico. Ainda por cima, precisam escapar de tentativas de envenenamento causadas por humanos.

As molinésias de Tabasco parecem estar se tornando uma espécie distinta. Isso pode parecer estranho, já que nada os separa fisicamente dos peixes que vivem em lagos fora da caverna. O principal motivo para ficarem onde estão é que na entrada da caverna vive um predador perigoso.

Ar tóxico

A caverna se chama Cueva del Azufre - literalmente, Caverna do Enxofre. É alimentada por uma série de riachos e nascentes, que formam diversos lagos em seu interior. Em cada um deles há centenas ou milhares de peixinhos. Uma angra flui da caverna e ajuda a formar o leitoso riacho El Azufre, que percorre meros 1,5km antes de mergulhar em uma cachoeira no Rio Oxolotan.

Depósitos naturais de petróleo e atividade vulcânica na área fazem com que a água seja rica em sulfureto de hidrogênio, um gás venenoso que também contamina o ar da caverna. Na verdade, o ar é tão tóxico em partes da caverna que pesquisadores precisam usar máscaras e roupas especiais. Sem elas, haveria uma imediata sensação de ardência nos olhos e na garganta. Em apenas dois minutos, perderiam o senso de olfato e teriam dificuldades para respirar, perdendo a consciência. Estariam mortos em 48 horas.


Não é apenas o ar que está envenenado. Na água, os peixes estão expostos a concentrações de sulfureto 50 vezes maiores que as consideradas tóxicas para espécies aquáticas. Há menos oxigênio que o normal.

A maioria das formas de vida estaria morta em minutos, mas as molinésias se mantêm intactas. Como?

Adaptações

À primeira vista, não há nada especial nos peixes. Eles são encontrados em abundância na América Central, onde vivem em riachos e córregos. Por isso, os biólogos ficaram chocados quando encontraram as molinésias vivendo na caverna. Para começar, eram os únicos espécimes neste tipo de habitat. A maior surpresa foi ver um peixe sobrevivendo em um ambiente tão inóspito.

Michi Tobler, cientista da da Universidade do Estado de Kansas (EUA), passou décadas estudando as molinésias. Ele acredita que os peixes tiveram que adaptar hábitos e genes para aprender a sobreviver. "Eles evitam a inalação de muito sulfureto de hidrogênio ao respirar diretamente na superfície da água. Esse comportamento compensatório aumenta sua habilidade que adquirir oxigênio e provavelmente minimiza o consumo do sulfureto".


As pesquisas de Tobler mostraram que a respiração na superfície da água é crítica para a sobrevivência dos peixes. Sem ela, eles morrem. Mas assim como limitam a entrada de toxinas em seu organismo, os peixes também conseguem filtrar o sulfureto uma vez que ele está em seus sistemas.

O gás é mortal porque ele desativa a produção de energia nas células ao interferir com proteínas. Para evitar esse apagão os peixes forçam seu metabolismo a entrar em modo anaeróbico - um método de produção de energia que não envolve oxigênio, mas é menos eficiente.

Problemas

Quando Tobler e seus assistentes analisaram o DNA dos peixes na caverna descobriram que, em comparação com os "primos" de água mais fresca, as molinésias aumentaram a quantidade de genes envolvidos no "combate" ao gás tóxico. Ou seja: eles desenvolveram uma forma de neutralizar as toxinas.

Mas os problemas das molinésias não se resumem a gases tóxicos. O ambiente é tão extremo que pouquíssimos outros animais aguentam o "tranco" de viver na caverna. Isso significa que há menos alimento disponível para os peixes, que precisaram reduzir seu gasto energético.

Seus corpos perderam a pigmentação, algo que não era realmente necessário no ambiente escuro da caverna. Ao mesmo tempo, desenvolveram olhos menores e menos sensíveis que os "primos" vivendo do lado de fora e um detector de pressão nos lados de seu corpo para identificar distúrbios na água. Eles têm ainda uma maior densidade de papilas gustativas.

Para aumentar a capacidade de absorção de oxigênio, as molinésias da caverna têm cabeça e guelras maiores. Mas seus cérebros são menores, possivelmente como forma de conservação de energia.


Mas a vida na caverna também mudou o comportamento dos peixes. As molinésias da caverna têm uma dieta diferente de seus antepassados. Alimentam-se da película de bactérias e de insetos em vez de algas. Como consequência, suas mandíbulas e intestinos mudaram.

As molinésias também são menos agressivas que os espécimes de água fresca. Isso pode ser explicado pelo fato de que agressividade tem alto custo energético e não é recomendável quando os recursos são limitados.

Os peixes da caverna também mudaram os hábitos reprodutivos. Fêmeas de molinésias preferem machos maiores, mas enquanto os espécimes da superfície podem enxergar os machos, na caverna as coisas são mais difíceis.

Por isso, os peixes usam os sensores laterais para avaliar o tamanho dos possíveis parceiros - quanto maior a perturbação na água, maior o macho. As fêmeas da caverna também produzem menos filhotes, embora maiores que os equivalentes dos espécimes ao ar livre - peixes maiores resistem melhor ao veneno.


Se não bastassem todos os problemas impostos pela natureza, as molinésias da caverna precisam ainda lidar com a população de humanos tentando envenená-las todos os anos, como parte de um ritual religioso.

Em uma cerimônia criada para pedir chuva aos deuses, a tribo Zoque, do sul do México, vai até as cavernas e joga na água folhas contendo uma pasta feita de inhame mexicano. Os peixes afloram e os Zoque os levam para casa para o jantar.

A raiz contém um veneno para os peixes, chamado rotenone, que é um poderoso anestésico. Mas nem todos os peixes são afetados, e alguns desenvolveram resistência à droga. E a equipe de Tober descobriu que os peixes sobreviventes conseguiram passar a habilidade para as gerações seguintes. E a proporção de peixes resistentes aumentou.

As molinésias da caverna especializaram-se de tal forma em sobreviver no ambiente inóspito que criaram uma distinção genética das espécies em água fresca, mesmo vivendo a apenas metros delas. E as variações ocorrem até mesmo entre os peixes vivendo na caverna, por conta da diferença de luminosidade e no nível de sulfureto.


Mas isso é um mistério porque as piscinas das cavernas são conectadas umas às outras e sua água flui para o lado de fora. Não há barreiras físicas separando um peixe do outro, nada impedindo que se misturem. A reposta para o mistério pode estar na presença de um terrível predador: os besouros aquáticos, que atacam as molinésias tanto do lado de fora quanto nas cavernas.

Pesquisadores descobriram que os peixes dos dois lados ficam mais vulneráveis aos besouros se saem de seus respectivos habitats. Isso separa as populações. É apenas mais uma razão para admirar um pequeno peixe vivendo com enormes problemas...

Fonte: www.bbc.com.

sábado, 24 de setembro de 2016

Como o salmão em cativeiro adquiri a cor característica da sua carne?

A BBC Brasil foi atrás de responde essa pergunta!


Dizer que o salmão é de cor salmão é uma obviedade – ou não é?

O salmão que viver em seu habitat natural se alimenta de crustáceos que vão pigmentando naturalmente a sua carne até chegar à cor entre o alaranjado e o rosa tão particular. Porém, isso não ocorre com os salmões em cativeiro, pois muitos criadores, para reduzir seus custos, não alimentam seus peixes com crustáceos, no qual apresentam a de carne cinza. 

Para que o salmão em cativeiro adquira sua coloração característica da carne, os piscicultores alimentam o salmão com produtos sintéticos que "tingem" sua carne de forma artificial.

É importante ressaltar que o uso deste corante é inofensivo para a saúde humana, segundo autoridades sanitárias dos EUA e da União Europeia, sendo essa uma saída economicamente viável e interessante.

Assista ao vídeo informativo disponibilizado na BBC Brasil AQUI.

Fonte adaptada: www.bbc.com/portuguese.

Cientistas desvendam o misterioso zumbido dos 'peixes cantores'

Quando donos de navios escutaram um zumbido submarino grave e monótono na Califórnia dos anos 1980, a princípio pensaram se tratar de bombas de esgoto, experimentos militares e até extraterrestres.


O curioso som noturno era, na verdade, o chamado de acasalamento de peixes do gênero Porichthys - um peixe-sapo que se esconde sob a areia durante o dia e flutua logo acima dela à noite.

Mas a explicação de por que o canto só era ouvido pela noite permanecia um segredo biológico que só agora os cientistas conseguiram desvendar.

Para achar as respostas, os pesquisadores das universidades americanas de Cornell e Yale fizeram experimentos com os peixes em laboratório - as conclusões foram detalhadas na publicação científica Current Biology.

Segundo eles, o zumbido ritmado e constante dos Porichthys é controlado por um hormônio que também regula o sono e o relógio biológico em diversos seres vivos, inclusive nos humanos - a melatonina.

Para ilustrar essa relação, os pesquisadores primeiro mantiveram os peixes sob luz constante - essa ação praticamente quase suprimiu o zunido dos animais.

Mas quando os cientistas administraram um substituto da melatonina aos peixes, eles voltaram a "cantar", porém em horas aleatórias e de forma desritmada.

"A melatonina age como um sinal verde para o canto noturno dos Porichthys", disse o coordenador da pesquisa, Andrew Bass, do Departamento de Neurobiologia e Comportamento da Universidade de Cornell.

'Peixes cantores'


Bass conta que, embora o canto dos Porichthys já fosse conhecido antes, o interesse nessa espécie aumentou a partir de um estudo de 1924 de Charles Greene, que se referiu a eles como "peixes cantores".

"Descobrimos que as fêmeas também podem emitir sons, mas apenas os machos territoriais é que constroem ninhos, e produzem o zunido para atrair as fêmeas para esses ninhos", disse o pesquisador.

Limitar o seu canto à noite provavelmente traz benefícios para os peixes - a serenata noturna pode pegar as fêmeas em seu momento mais receptivo, ou quando há menos chance de ser ouvida por um de seus predadores.

O estudo também sugere que melatonina pode ter um papel fundamental em todo o gênero vertebrado.

Identificar um peixe com comportamento tão intrinsecamente ligado ao relógio biológico indica que esse circuito cerebral evolui desde os nossos ancestrais aquáticos mais primitivos.

"Nosso estudo mostra que os peixes cantores podem ser um modelo útil para estudar hormônios e comportamentos de comunicação vocal relacionados à reprodução em diversas espécies de vertebrados", disse Ni Feng, de Yale.

Fonte: www.bbc.com.


terça-feira, 12 de abril de 2016

Criaturas marinhas inimagináveis


Os avanços da tecnologia estão permitindo duas novidades: mais pesquisas no fundo dos mares, e maior qualidade de imagens. É consenso que o homem explorou muito pouco o fundo dos oceanos. Trata-se de uma pesquisa cara, que exige equipamentos sofisticados, pouco comuns até hoje, e o espaço submarino é vastíssimo. Tudo isso prejudicou a pesquisa marinha.

Novidades da tecnologia proporcionam conhecer novas criaturas marinhas

Hoje, a quantidade de robôs submarinos aptos a descerem a grandes profundidades, e capazes de fazerem  diversas experiências, aos poucos está mudando nosso conhecimento das milhares de criaturas marinhas submarinas ainda não conhecidas, descritas, ou estudadas.

A cada pesquisa que fazemos sobre o tema, mais surpresos ficamos com os resultados. Tudo é novidade: das cores aos formatos, passando pela textura, tamanhos, etc. Fica difícil dizer que tipo de espécie esta sendo focalizada porque, pra começar, para a vasta maioria delas, é a primeira vez que foram registradas.


Como não somos  cientistas, não arriscamos informar o que não sabemos. Por enquanto nos restringimos a admirar estes belos exemplares das profundezas. Não passa semana sem que uma nova espécie seja descoberta, ou um novo tipo descrito.


Assista vídeo espetacular das criaturas marinhas desconhecidas.