quarta-feira, 1 de abril de 2026

Estudo identifica Salmonella em criações de peixes nativos no Centro-Oeste

 

Exemplar de tambaqui utilizado na pesquisa. Foto acima: Yuri Porto.

Estudo realizado em viveiros de peixes nativos no Centro-Oeste brasileiro revelou a presença da bactéria Salmonella spp. em ambientes de produção aquícola da região. Os monitoramentos microbiológicos detectaram o patógeno em 88% das propriedades avaliadas e em 31,5% das amostras coletadas em Mato Grosso, principal polo produtor dessas espécies no País. Os dados alertam para a necessidade de reforçar a vigilância e a biossegurança nos ambientes de criação.

As ações foram coordenadas pela pesquisadora Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e contaram com a participação dos professores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) Eduardo Figueiredo e Luciana Savay-da-Silva.

Fogaça explica que quando os pontos críticos de contaminação são detectados precocemente, é possível adotar medidas preventivas que reduzem os riscos e aumentam a segurança do alimento e a sustentabilidade da produção. 

A pesquisa integra uma série de estudos conduzidos por cientistas da Embrapa, universidades e instituições parceiras para compreender os riscos microbiológicos associados à produção de peixes cultivados e orientar medidas de prevenção que garantam um pescado seguro e a competitividade do setor aquícola.


Estudo avaliou pisciculturas em diferentes biomas

O trabalho foi conduzido em viveiros localizados nos biomas Pantanal e Cerrado e abrangeu 184 amostras provenientes de peixes, água dos viveiros, sedimentos, ração e fezes de animais silvestres e domésticos presentes nas áreas de cultivo.

As análises microbiológicas seguiram protocolos internacionais e foram confirmadas por testes moleculares, permitindo identificar a ocorrência da bactéria, os sorotipos circulantes e os perfis de sensibilidade a antimicrobianos. Os resultados indicaram a presença de dez sorotipos diferentes, com predominância dos intitulados Saintpaul e Newport, além de níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, embora sem detecção de cepas multirresistentes.

Além disso, a análise estatística indicou que as vísceras dos peixes apresentaram as maiores taxas de detecção, e que a ocorrência do patógeno foi mais elevada no período seco, sugerindo influência de fatores ambientais e de manejo na dinâmica da contaminação. Esses resultados permitiram identificar pontos críticos ao longo da fase de produção e fornecer subsídios para o desenvolvimento de protocolos de biossegurança voltados à piscicultura brasileira.

Outro estudo avaliou 55 cepas de Salmonella, isoladas da tambatinga (híbrido de tambaqui) cultivada, e analisou a sua suscetibilidade a antibióticos de uso clínico. Nenhuma das cepas apresentou sorotipos clássicos associados a surtos humanos graves (como Typhi, Enteritidis ou  Typhimurium), e todas foram sensíveis aos antibióticos testados, indicando baixo risco de resistência nas condições avaliadas.

A pesquisadora ressalta que o estudo foi restrito à área de produção e não a toda a cadeia produtiva. “Isso não significa que o produto final necessariamente estará contaminado, pois os controles sanitários, o processamento industrial e o cozimento adequado podem reduzir ou eliminar o risco”, complementa.

Na prática, a contaminação microbiológica do pescado pode ocorrer ainda na fase de produção, nos viveiros, podendo ser significativamente reduzida na indústria. A segurança final do alimento depende também do armazenamento adequado e do preparo correto pelo consumidor, etapas fundamentais para prevenir a contaminação alimentar.

Os fatores que contribuem para a contaminação podem ser inúmeros. Mas a professora da UFMT pontua que o fato dos viveiros serem de fácil acesso para pássaros, animais silvestres (jacarés, capivaras, entre outros), animais de criação (aves, suínos, caprinos, bovinos) e também animais domésticos (cachorro, gatos) propicia o contágio do solo e da água dos tanques de criação, tornando a contaminação dos peixes praticamente inevitável.

Outro ponto a ser levado em consideração é o atual fluxo de processamento desses peixes nos frigoríficos, onde a primeira etapa é a lavagem com água hiperclorada, seguida pela retirada das vísceras e guelras. “Estudos em laboratório e também em escala piloto já demonstraram que seria mais eficiente invertermos essas etapas, sendo interessante primeiro a retirada das vísceras e guelras, ainda em uma área suja, e depois a lavagem hiperclorada”, esclarece Savay-da-Silva.


Continuidade das pesquisas e abordagem Saúde Única

Os pesquisadores destacam que a presença de diferentes sorotipos com relevância epidemiológica reforça a necessidade de programas integrados de vigilância baseados no conceito de Saúde Única, que considera a interdependência entre saúde animal, humana e ambiental.

Os próximos passos incluem ampliar o monitoramento para outras regiões produtoras, investigar fatores de risco específicos associados aos sistemas produtivos e desenvolver protocolos de boas práticas que possam ser adotados diretamente pelos viveiros. “Nosso objetivo é transformar os resultados científicos em orientações práticas para o setor produtivo, contribuindo para alimentos mais seguros e para a competitividade da aquicultura brasileira”, enfatiza Fogaça.

Fonte: EMBRAPA. Estudo identifica Salmonella em criações de peixes nativos no Centro-Oeste. Embrapa, 24 mar. 2026. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/114626856/estudo-identifica-salmonella-em-criacoes-de-peixes-nativos-no-centro-oeste. Acesso em: 1 abr. 2026

domingo, 23 de novembro de 2025

Com criação semi-selvagem e controle rígido de toxinas, o baiacu japonês 2025 estreia pra dominar a aquicultura

 


baiacu japonês, que durante décadas foi sinônimo de perigo e envenenamento, entra em 2025 como protagonista de uma nova fase da aquicultura. Nas costas do Japão, fazendas marítimas altamente controladas vêm transformando um peixe temido em carne premium, com foco total em segurança alimentar, rastreabilidade e certificação técnica.

Esse sistema combina tecnologia, biologia marinha e protocolos rígidos de manejo para controlar toxinas, garantir bem-estar animal e entregar um produto caro, raro e extremamente valorizado. Do ovo às bandejas refrigeradas, cada etapa da criação do baiacu japonês é pensada para reduzir riscos e aumentar o valor econômico de cada quilo produzido.

Do medo à fazenda: como o baiacu japonês virou aposta da aquicultura



Quando se fala em baiacu japonês, a primeira reação quase sempre é a mesma: veneno, risco, intoxicação. Mesmo assim, milhões de toneladas de puffer fish são consumidas todos os anos, especialmente na Ásia, onde o peixe é tratado como iguaria de alto prestígio.

O salto da pesca extrativa para a criação planejada em fazenda muda o jogo.

Em vez de depender apenas do baiacu japonês selvagem, o Japão consolidou um modelo em que o peixe nasce em ambiente controlado, cresce em mar aberto e volta para unidades de processamento especializadas.

Essa lógica semi-selvagem permite unir o melhor dos dois mundos: controle sanitário de laboratório e sabor de peixe criado no oceano.

Primeira fase: baiacu japonês nasce em tanques controlados com água do mar filtrada

Tudo começa nos primeiros dias de vida. Cerca de 3 a 7 dias após a eclosão, as larvas de baiacu japonês são transferidas para tanques de recria.

Os produtores usam água do mar natural, filtrada e esterilizada, rica em oxigênio e mantida em parâmetros estáveis.

Essa fase é crítica. O baiacu japonês ainda é extremamente frágil, sensível a variações de temperatura, oxigênio e qualidade da água.

Por isso, técnicos monitoram continuamente o sistema, ajustando fluxo, renovação e alimentação para que as pós-larvas se desenvolvam com o mínimo de estresse possível.

É aqui que se definem a taxa de sobrevivência e o futuro desempenho de todo o lote.

Durante cerca de quatro meses, os peixes ficam nesses tanques de recria, ganhando peso e desenvolvendo um sistema imunológico mais robusto.

Só depois dessa “infância protegida” é que o baiacu japonês está pronto para encarar o mar aberto.


Segunda fase: gaiolas oceânicas e criação semi-selvagem em mar aberto

Passado o período em tanques, o baiacu japonês segue para o mar. A próxima etapa acontece em grandes gaiolas oceânicas, estruturas reforçadas projetadas para aguentar ondas fortes, correntes e tempestades.
Essas gaiolas são fixadas em áreas estratégicas da costa japonesa, onde a renovação de água é constante e a qualidade do mar é adequada.

Ali o baiacu japonês passa a viver num regime semi-selvagem: em contato direto com o ambiente marinho, mas sem risco de fuga nem exposição a predadores.

As gaiolas são planejadas para:

  • Impedir que o baiacu japonês escape ou invada outras áreas
  • Proteger os peixes de ataques de grandes predadores
  • Garantir circulação constante de água limpa e oxigenada

Ao mesmo tempo, a alimentação continua sendo controlada pela fazenda, evitando contaminações e garantindo um crescimento uniforme.

Na prática, o peixe vive no mar, mas em um sistema de produção pensado como indústria de alta precisão.


Colheita controlada: peso ideal e janela de segurança das toxinas

Em geral, os produtores fazem o abate entre outubro e março, quando os peixes já atingiram entre 800 gramas e 1,2 quilo em média.

Essa faixa de peso equilibra rendimento de carne, textura e padronização de lote.

Além disso, existe um ponto-chave: o nível de toxina precisa estar dentro de padrões de segurança.

Ao trabalhar com linhagens selecionadas, alimentação controlada e janelas específicas de abate, as fazendas conseguem manter a toxina em limites compatíveis com a legislação e com as normas de segurança alimentar.

Antes de chegar à mesa, o baiacu japonês passa por inspeções, registros e controles internos. Só o lote que cumpre os requisitos de peso, aparência, sanidade e segurança segue para o processamento.

Processamento do baiacu japonês: certificação obrigatória e cirurgia milimétrica

A etapa mais sensível de toda a cadeia acontece depois da pesca: o processamento. Não é qualquer profissional que pode manipular o baiacu japonês.

No Japão, o corte do peixe exige treinamento formal e certificação específica, justamente devido aos órgãos altamente tóxicos.

Em unidades próprias para isso, trabalhadores treinados fazem incisões precisas ao longo do corpo do peixe e removem, com extremo cuidado, as partes que concentram toxinas, como:

  • Fígado
  • Ovários
  • Intestinos
  • Determinadas áreas da pele

Esses tecidos não têm reaproveitamento alimentar. São descartados seguindo protocolos rigorosos de segurança e descarte de resíduos perigosos.

O que permanece é a porção considerada segura e mais valiosa: o músculo dorsal do baiacu japonês, famoso pela textura firme, porém macia e pela alta concentração de nutrientes.

Essa parte é aparada, padronizada e preparada para seguir para refrigeração, congelamento ou uso imediato em restaurantes especializados.

Carne premium, preço alto e imagem totalmente reconstruída

O resultado de todo esse processo é um produto bem diferente da visão tradicional de “peixe perigoso”. O baiacu japonês de fazenda chega ao mercado como carne premium, associada a:

  • Controle total da cadeia produtiva
  • Processamento certificado por profissionais especializados
  • Origem rastreável em fazendas marítimas específicas
  • Textura e sabor valorizados na alta gastronomia japonesa

Em vez de depender da pesca aleatória, o sistema de aquicultura permite planejar produção, ajustar oferta à demanda e manter um padrão constante de qualidade.

O que antes era um risco individual na mão de um pescador e de um chef agora é uma cadeia industrial organizada que trata cada peixe como um ativo de alto valor.

Para o consumidor, isso significa acesso a baiacu japonês com muito mais segurança e previsibilidade, sem prescindir da tradição e da experiência gastronômica que tornaram o peixe famoso.

O modelo que começa a ganhar força em 2025 não fala só sobre um peixe. Ele revela um caminho para a própria aquicultura mundial: criação semi-selvagem, tecnologia aplicada, certificação obrigatória e foco extremo em segurança alimentar.

O baiacu japonês, que já foi visto como um vilão inevitável, vira laboratório vivo de como é possível pegar uma espécie altamente tóxica, entender sua biologia, controlar seus riscos e transformá-la em uma proteína de luxo, produzida em escala, com padrão e rastreabilidade.

Essas fazendas marítimas japonesas mostram que o futuro dos alimentos pode passar por sistemas mais complexos, mas também muito mais seguros.

Entre tanques de água do mar filtrada, gaiolas oceânicas reforçadas e mesas de corte cirúrgico, o que se constrói é um novo pacto entre risco, ciência e gastronomia.

E você, teria coragem de provar um prato feito com baiacu japonês criado em fazenda marítima, sabendo de todo esse controle de toxinas e certificação, ou ainda teria medo desse antigo “vilão” do mar?


Fonte adaptada: CLICK Petróleo e Gás. Com criação semi-selvagem e controle rígido de toxinas, o baiacu japonês 2025 estreia pra dominar a aquicultura com carne premium, processamento especializado. ClickPetróleoeGas.com.br, 2025. Disponível em: https://clickpetroleoegas.com.br/com-criacao-semi-selvagem-e-controle-rigido-de-toxinas-o-baiacu-japones-2025-estreia-pra-dominar-a-aquicultura-com-carne-premium-processamento-especializado-mhbb01/. Acesso em: 23 nov. 2025.

sábado, 27 de setembro de 2025

Portaria do Ministério da Pesca e Aquicultura padroniza nomes de peixes para rotulagem

 


O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) publicou a Portaria nº 532/2025, que traz uma novidade importante para o setor pesqueiro e aquícola: a padronização dos nomes científicos e comuns das espécies de peixes de interesse comercial a serem utilizados na rotulagem de produtos destinados ao comércio nacional.

A medida tem como principal objetivo garantir clareza e transparência na identificação dos produtos de origem pesqueira, evitando confusões na comercialização e fortalecendo a confiança dos consumidores. A lista oficial de espécies e seus respectivos nomes, foi organizada pelo Departamento da Indústria do Pescado/MPA, sendo agora a referência oficial a ser seguida por pescadores, produtores, comerciantes e indústrias de processamento.

Segundo a Portaria, os rótulos de peixes e derivados devem conter obrigatoriamente o nome comum da espécie, garantindo que o consumidor saiba exatamente o produto que está adquirindo. Essa padronização também favorece o controle de origem, a rastreabilidade e a qualidade dos pescados comercializados.

Com a publicação desta norma, ficam revogadas:

  • a Instrução Normativa nº 53, de 1º de setembro de 2020, do Ministério da Agricultura e Pecuária;
  • a Portaria nº 570, de 23 de março de 2023, também do MAPA.

Esse é um passo importante para o setor, pois harmoniza a nomenclatura oficial, moderniza a legislação e traz mais segurança para toda a cadeia produtiva do pescado.

👉 Para acessar a lista completa de espécies e conferir a Portaria MPA nº 532/2025 na íntegra, clique no link oficial:

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Nova tecnologia acelera mapeamento automático de viveiros escavados no Brasil

Sistema de viveiros escavados é o mais utilizado na produção de peixes no Brasil. Na foto acima, um exemplo de viveiro escavado no estado do Tocantins

Foto: Clenio Araújo.

A Embrapa e parceiros, por meio da Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (UMIPI) Oeste Paranaense, estão utilizando nova metodologia para mapear automaticamente viveiros escavados, sistema de produção que prevalece no Brasil. A técnica foi aplicada no Paraná, principal estado produtor e exportador de peixes do País. A solução concilia o uso de imagens de satélite de alta resolução, índices espectrais, classificação orientada a pixels com Random Forest (um algoritmo classificador de aprendizado de máquina) e filtros de atributos geométricos. Assim, foi possível obter dados inéditos em larga escala sobre a aquicultura brasileira. Os detalhes do estudo foram recentemente publicados na revista internacional Aplicações de Sensoriamento Remoto: Sociedade e Meio Ambiente e podem ser acessados aqui.

“No estudo realizado, conseguimos automatizar o processo de mapeamento com um índice de 90% de acerto,” conta a geógrafa Marta Ummus, da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), que participou da pesquisa. “Isso não significa dizer que não é necessária uma validação humana (a máquina não vai substituir as pessoas), mas que reduzimos 90% de nossos esforços para o mapeamento. Trata-se de um trabalho pioneiro no Brasil”, completa. Segundo ela, até agora as metodologias usadas baseiam-se em interpretação visual de imagens de satélite ou em métodos semiautomáticos, que geram grandes massas de dados para validação dos algoritmos, mas costumam ser mais trabalhosos e demandar mais especialistas nesse processo.

O artigo relata que a metodologia foi implementada na plataforma Google Earth Engine (GEE) e utilizou imagens de satélite do programa Iniciativa Internacional da Noruega para o Clima e Florestas (NICFI). O processo envolveu classificação orientada a pixels de imagens de satélite e a utilização do algoritmo Random Forest (RF) para classificação, com base em 1,2 mil amostras de treinamento. “Propusemos uma metodologia inédita no País para mapear, de forma automática, áreas de piscicultura em viveiros escavados. Diferentemente de outros países, principalmente asiáticos, o Brasil não contava com uma metodologia que extraísse os viveiros escavados para áreas continentais interiores”, acrescenta Bruno Silva, pesquisador do Biopark Educação na Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (Umipi) do Oeste do Paranaense.

40% dos viveiros paranaenses estão na região de Curitiba e no Oeste do estado

A pesquisa localizou 42.369 tanques de aquicultura (em 13.514 empreendimentos aquícolas), que somam 11.515 hectares de lâmina d’água. Aproximadamente 40% dessas estruturas ficam em duas (Oeste e Metropolitana de Curitiba) das dez mesorregiões analisadas e ocupam 40% da superfície de água utilizada pelos aquicultores paranaenses.

Na mesorregião Oeste, onde se concentram os principais municípios produtores do Paraná (com destaque para Nova Aurora, Palotina, Toledo e Assis Chateaubriand), estão 24% dos viveiros. Além disso, há por ali uma infraestrutura de produção já estabelecida, com cooperativas agroindustriais compondo a cadeia produtiva de valor. Certamente, esses dados estão relacionados e explicam parte do sucesso da atividade.

Na outra ponta, estão as mesorregiões Centro-Oriental (com 6% da área e da quantidade de tanques), Noroeste (que responde por 5%) e Centro-Oeste (com 4%). Juntas, quase equivalem aos 16% da mesorregião Metropolitana de Curitiba. Destacam-se, ainda, as mesorregiões Sudeste e Sudoeste, que somam 17% de tanques destinados. Essa divisão considerada no estudo é a definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Outro dado obtido por meio do mapeamento feito pela Embrapa e por parceiros mostra que, dos 5.621 empreendimentos aquícolas paranaenses, mais da metade estão na mesorregião Oeste, que conta com 2.884 (ou mais de 51% do total). Já a mesorregião Sudoeste tem 14% do total desses empreendimentos. Ou seja, quase dois terços (cerca de 65%) da atividade aquícola no Paraná em viveiros escavados concentram-se nessas duas mesorregiões. Nas demais, a atividade ainda não se encontra no mesmo estágio de desenvolvimento.

Parcerias a fim de expandir para outros estados

Com os bons resultados obtidos no principal estado piscicultor do Brasil, a ideia é expandir a metodologia para mapeamento automático de viveiros escavados para outras regiões. Ummus cita que isso já vem ocorrendo em Rondônia, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Tocantins. “Certamente, vamos expandir esses mapeamentos para outros estados. Para isso, é fundamental estabelecermos parcerias com instituições públicas estaduais, uma vez que o conhecimento local é essencial para o refinamento do algoritmo desenvolvido e para a difusão dessa tecnologia”, projeta.

Ainda segundo a geógrafa da Embrapa, “o mapeamento automático proporciona uma maior celeridade na disponibilização das informações. A aquicultura é um fenômeno espacial e dinâmico. Por isso, é fundamental provermos dados atualizados e em tempo oportuno para subsidiar e aumentar a assertividade dos processos decisórios tanto para instituições públicas quanto para a iniciativa privada”. A geração e a disponibilização de dados para governos e outras instituições públicas e para empresas do setor privado estão entre os maiores benefícios do trabalho, que pode ser consultado aqui do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAqui).

Silva enxerga um cenário bastante favorável e dá exemplos da aplicação dessa solução. “Essas informações possibilitam ao produtor entender o contexto no qual ele se insere numa determinada região, como está o seu entorno em termos de concentração e densidade da atividade aquícola. Em relação aos gestores, é um estudo de base crucial, que norteará esforços para gerir melhor recursos hídricos e demais recursos ambientais; reconhecer onde a piscicultura está pressionando o contexto ambiental; avaliar áreas com menor espaço destinado à piscicultura, direcionar de forma mais assertiva futuros investimentos em infraestrutura ou recursos humanos”, detalha.

Esse trabalho foi feito em parceria entre a Embrapa, o Biopark e o Biopark Educação, com apoio da Fundação Araucária e da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Recentemente, o projeto foi renovado e, com isso, novas perspectivas de expansão se abriram. Mais informações podem ser obtidas diretamente com a geógrafa Marta Ummus pelo e-mail: marta.ummus@embrapa.br.

Fonte: Assessoria Embrapa Pesca e Aquicultura