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terça-feira, 17 de outubro de 2023

Curso EAD: Bem-estar na Aquicultura de Camarão

 


Você trabalha na indústria da carcinicultura? Ou é estudante da área de aquicultura? Então esse treinamento online gratuito é para você!

Os cursos on-line de bem-estar do camarão irão orientá-lo sobre como implementar práticas de bem-estar em sua rotina diária, desde o incubatório até o abate.

Você terá acesso a cursos sobre indicadores de bem-estar do camarão, nutrição, saúde, meio ambiente, comportamento e abate humano. Após concluir cada curso, você tem a opção de fazer um teste final e obter um certificado gratuito de conclusão.


Introdução


Neste curso, apresentaremos os indicadores de bem-estar relacionados à saúde, nutrição, meio ambiente e comportamento. Também mostraremos como pontuar cada indicador de bem-estar usando um sistema de escores de três níveis: escore 1 – bom; escore 2 – moderado, escore 3 – ruim.


Conteúdo do Curso

  • O que são indicadores de bem-estar?
  • Indicadores nutricionais
  • Indicadores ambientais
  • Indicadores de saúde
  • Indicadores comportamentais
Acesse o curso: AQUI.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Criação de Camarões de Água doce - Curso Online do Instituto de Pesca de SP

 


INFORMAÇÕES DO CURSO

Data: 10 de março. Horário: 9h às 17h.

Público-alvoprodutores, técnicos, estudantes e demais interessados.

Inscrição: clique aqui.

Vagas: 25.

Investimento: R$150,00 - Inscrição.

*Estudantes, estagiários do IP e pessoas com mais de 60 anos, pagam o valor promocional de R$100,00.

 

Resumo: O curso apresentará a carcinicultura de água doce de uma forma básica, a fim de proporcionar ao aluno a percepção de poder ou não se tornar um produtor de camarões. 


Coordenação: 

  • Dr. Helcio L. A. Marques (Pesquisador Científico - IP)
  • Dr. Marcello Villar Boock (Pesquisador Científico - IP)
  • Dra. Marcia Santos Nunes Galvão (Pesquisadora Científica - IP)

Informações: Caso tenha alguma dúvida ou dificuldade em relação à inscrição, entre em contato com a Fundag pelo e-mail: eduardo.freitas@fundag.br ou pelo telefone: (19) 3739-8035. Dúvidas em relação ao curso, entre em contato com o Prof. Dr. Helcio, coordenador do curso, pelo telefone (19) 99604-2601.

Programação

09h – 09h20 – Apresentação da Instituição e do curso

09h20 – 09h30 – Apresentação dos alunos

09h30 – 10h – Introdução: Histórico do cultivo de camarões de água doce / Valor econômico / Produção no Brasil

10h – 10h30 – Aspectos biológicos / Hábitos alimentares / Ciclo de vida / Reprodução

10h30 – 10h35 – Intervalo

10h35 – 11h – Larvicultura

11h – 11h15 – Fatores limitantes do cultivo: Clima / Água / Solo / Logística

11h15 – 11h45 – Características dos viveiros: Tamanho / Abastecimento / Drenagem / Taludes

11h45 – 12h – Preparo dos viveiros: Limpeza do lodo / Calagem / Adubação

12h – 14h – Intervalo

14h00 – 14h30 – Povoamento: Sistemas monofásico e bifásico / Predadores

14h30 – 15h – Manejo alimentar / Manejo hídrico / Biometrias

15h – 15h30 – Despesca seletiva e total / Abate / Conservação / Comercialização / Doenças

15h30 – 15h35 – Intervalo

15h35 – 16h – Certificação do produto / Comercialização / Marketing

16h – 16h30 - Licenciamento do cultivo / Viabilidade econômica

16h30 – 17h – Cultivo integrado de camarões e outras espécies

17h – Sessão de esclarecimento de dúvidas e encerramento


OUTRAS INFORMAÇÕES IMPORTANTES


1) Recursos didáticos utilizados: videoaulas, apresentações em PowerPoint e apostila em PDF.


2) Aplicação de avaliação de reação: o aluno receberá uma avaliação de reação, após o curso, a fim de contribuir para a melhoria contínua desta ação de aprendizagem.


3) Conheça os benefícios que você receberá:


a) plantão de dúvidas diretamente com os professores, em uma sessão previamente agendada, com até 1 (uma) hora de duração, até 30 dias após o encerramento do curso;


b) recebimento das apresentações do curso em PDF;


c) desconto de 50% no preço de uma visita técnica à propriedade, para avaliação de viabilidade técnica de implantação.


4) Os certificados serão enviados em até 15 dias úteis.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Secretaria de Agricultura pesquisa criação de camarão e auxilia aquicultores a se estabelecerem na atividade

 

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Pesca (IP-APTA), realiza na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Pirassununga diversas pesquisas técnico-científicas voltadas a diferentes espécies de organismos aquáticos. Dentre estas, estão aquelas ligadas à carcinicultura (criação comercial de camarões), com destaque para as espécies de água doce, popularmente chamadas de “pitus”. Além dos projetos de pesquisa, os pesquisadores e técnicos da UPD ministram cursos com foco no atendimento ao público em busca de informações sobre o tema, geralmente com o intuito de entrar profissionalmente na atividade.

“Somos frequentemente procurados por produtores rurais interessados em criação de camarões em águas interiores, ou seja, em áreas distantes do litoral. Entretanto, notamos que boa parte dessas pessoas não sabe que a grande maioria das criações no interior do país são realizadas com uma espécie de água doce”, conta Marcello Boock, pesquisador do IP na UPD Pirassununga. A espécie, Macrobrachium rosenbergii, conhecida como camarão-da-Malásia, ou gigante-da-Malásia, é muito difundida mundialmente e corresponde à principal espécie de camarão de água doce (CAD) criada comercialmente no Brasil, segundo o pesquisador.  “Por outro lado”, lembra Boock, “há também aqueles que acreditam que todos os camarões criados em águas interiores são exclusivamente espécies de água doce, o que não é verdade, pois atualmente já existe tecnologia para produção de camarões marinhos, em água de baixa salinidade, no interior”.

No IP, a equipe formada, além de Boock, pelos pesquisadores Helcio Marques e Márcia Galvão, em parceria com o pesquisador Sérgio Schalch, do Polo Regional Vale do Paraíba da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), tem atuado em diversas linhas de pesquisa com a carcinicultura de água doce. Entre as mais inovadoras, Boock cita a rizicarcinicultura, que é a criação de camarões de água doce em campos de arroz irrigado por inundação; o cultivo integrado com peixes (policultivos); e a criação em sistemas “pellet free” (sem ração) e em sistema orgânico. “Também desenvolvemos trabalhos com sistemas alternativos de produção de larvas de camarão (larvicultura) e produção de espécies nativas de camarões como isca-viva para pesca esportiva”, acrescenta o especialista.


Boa opção para o pequeno produtor

De acordo com o pesquisador do IP, no Brasil o cultivo do camarão-da-Malásia é uma boa alternativa para o produtor que deseja ingressar na atividade da carcinicultura fora da região litorânea. “Os camarões de água doce geralmente são criados por pequenos e médios produtores, na maioria das vezes não constituindo a sua principal atividade econômica”, comenta Boock. Esses pequenos criadores, segundo ele, normalmente utilizam mão de obra familiar e a atividade complementa a renda da propriedade rural. A produtividade média alcançada, utilizando-se sistema extensivo ou semi-intensivo, é de 1000 a 1500 quilos/hectare a cada ciclo de produção (que dura 6 meses). “Os investimentos e capital de giro nesses sistemas de produção são bem mais baixos quando comparados aos dos sistemas de produção de camarões marinhos”, pontua o especialista. “Além disso, devido à criação em baixa densidade, os camarões de água doce praticamente não apresentam problemas de doenças e os efluentes produzidos na atividade são menos impactantes, podendo ainda serem criados com baixa taxa de renovação de água”, complementa.

O pesquisador do IP comenta que, apesar de ser possível, do ponto de vista técnico, criar camarão marinho em águas interiores, mesmo longe do litoral, o alto custo de investimento inicial e capital de giro lançam dúvidas sobre a viabilidade econômica desse tipo de empreendimento em pequenas propriedades - o que pode significar mais despesas do que lucros para o produtor. “Muitas pessoas estão entrando nesta atividade sem ‘fazer contas’, influenciadas por ‘youtubers’ que só estão preocupados em vender seus cursos ou produtos”, alerta.


Diferenças entre camarões de água doce e marinhos

Boock diz que existem muitas dúvidas a respeito das diferenças entre os camarões marinhos e de água doce comumente cultivadas em águas brasileiras. Conforme elucida, duas espécies perfazem a quase totalidade da produção nacional: o camarão-da-Malásia e o camarão-branco-do-Pacífico (Litopenaeus vannamei). O primeiro é originário do sudeste asiático e passa a maior parte da vida em rios que desaguam no mar. Em cativeiro, é criado em água com salinidade zero. Já o camarão-branco-do-Pacífico, principal espécie de camarão marinho criado no Brasil, é encontrado no oceano que o nomeia e passa todo seu ciclo de vida em regiões com médias a altas salinidades, muito embora possa ser criado em água com baixa salinidade.

Uma diferença importante, segundo o pesquisador, é que os camarões de água doce geralmente são criados em baixas densidades de estocagem (100 mil pós-larvas/ha), principalmente devido ao seu comportamento territorialista e agressivo. Por outro lado, os camarões marinhos, pouco agressivos, podem ser criados em sistemas intensivos a super-intensivos, com densidades de estocagem acima de 200 mil juvenis/ha - característica que, apesar de permitir maior produtividade, pode levar ao aumento de doenças e maior emissão de efluentes.

Por fim, o pesquisador do IP esclarece uma das principais perguntas que recebe: em relação à carne de ambas as espécies, existem diferenças? “Embora a composição da carne de ambos seja muito semelhante em termos nutricionais, a ‘casca’ - o termo correto é exoesqueleto - dos camarões de água doce é mais espessa e, por isso, as formas de preparo de ambos diferem bastante”, explica Boock. 

O especialista diz que para se preparar e consumir os camarões de água doce é necessário, na maioria das vezes, se retirar a “casca”, enquanto o marinho pode ser preparado e consumido com ela. “Em termos de sabor, ambos são bastante semelhantes, com muitas pessoas se referindo à carne do camarão de água doce como sendo mais ‘suave e delicada’ enquanto a do marinho, como tendo um sabor mais ‘forte e pronunciado’”, detalha o pesquisador. “Embora esses conceitos de sabor sejam muito subjetivos, é certo que as estratégias de comercialização devem levar em conta todos esses fatores, para que o consumidor não se decepcione ao consumir uma espécie achando que está consumindo outra”, finaliza.

Foto: Marcello Boock - Despesca de policultivo de camarões de água doce e tilápias, realizada na fazenda VALED, no Vale do Paraíba.


Fonte: 
www.pesca.sp.gov.br.

sábado, 8 de agosto de 2020

Instituto de Pesca de SP pesquisa criação de camarão de água doce e auxilia aquicultores

 

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Pesca (IP-APTA), realiza na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Pirassununga diversas pesquisas técnico-científicas voltadas a diferentes espécies de organismos aquáticos. Dentre estas, estão aquelas ligadas à carcinicultura (criação comercial de camarões), com destaque para as espécies de água doce, popularmente chamadas de “pitus”. Além dos projetos de pesquisa, os pesquisadores e técnicos da UPD ministram cursos com foco no atendimento ao público em busca de informações sobre o tema, geralmente com o intuito de entrar profissionalmente na atividade.

“Somos frequentemente procurados por produtores rurais interessados em criação de camarões em águas interiores, ou seja, em áreas distantes do litoral. Entretanto, notamos que boa parte dessas pessoas não sabe que a grande maioria das criações no interior do país são realizadas com uma espécie de água doce”, conta Marcello Boock, pesquisador do IP na UPD Pirassununga. A espécie, Macrobrachium rosenbergii, conhecida como camarão-da-Malásia, ou gigante-da-Malásia, é muito difundida mundialmente e corresponde à principal espécie de camarão de água doce (CAD) criada comercialmente no Brasil, segundo o pesquisador.  “Por outro lado”, lembra Boock, “há também aqueles que acreditam que todos os camarões criados em águas interiores são exclusivamente espécies de água doce, o que não é verdade, pois atualmente já existe tecnologia para produção de camarões marinhos, em água de baixa salinidade, no interior”.

No IP, a equipe formada, além de Boock, pelos pesquisadores Helcio Marques e Márcia Galvão, em parceria com o pesquisador Sérgio Schalch, do Polo Regional Vale do Paraíba da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), tem atuado em diversas linhas de pesquisa com a carcinicultura de água doce. Entre as mais inovadoras, Boock cita a rizicarcinicultura, que é a criação de camarões de água doce em campos de arroz irrigado por inundação; o cultivo integrado com peixes (policultivos); e a criação em sistemas “pellet free” (sem ração) e em sistema orgânico. “Também desenvolvemos trabalhos com sistemas alternativos de produção de larvas de camarão (larvicultura) e produção de espécies nativas de camarões como isca-viva para pesca esportiva”, acrescenta o especialista.

Boa opção para o pequeno produtor

De acordo com o pesquisador do IP, no Brasil o cultivo do camarão-da-Malásia é uma boa alternativa para o produtor que deseja ingressar na atividade da carcinicultura fora da região litorânea. “Os camarões de água doce geralmente são criados por pequenos e médios produtores, na maioria das vezes não constituindo a sua principal atividade econômica”, comenta Boock. Esses pequenos criadores, segundo ele, normalmente utilizam mão de obra familiar e a atividade complementa a renda da propriedade rural. A produtividade média alcançada, utilizando-se sistema extensivo ou semi-intensivo, é de 1000 a 1500 quilos/hectare a cada ciclo de produção (que dura 6 meses). “Os investimentos e capital de giro nesses sistemas de produção são bem mais baixos quando comparados aos dos sistemas de produção de camarões marinhos”, pontua o especialista. “Além disso, devido à criação em baixa densidade, os camarões de água doce praticamente não apresentam problemas de doenças e os efluentes produzidos na atividade são menos impactantes, podendo ainda serem criados com baixa taxa de renovação de água”, complementa.

O pesquisador do IP comenta que, apesar de ser possível, do ponto de vista técnico, criar camarão marinho em águas interiores, mesmo longe do litoral, o alto custo de investimento inicial e capital de giro lançam dúvidas sobre a viabilidade econômica desse tipo de empreendimento em pequenas propriedades – o que pode significar mais despesas do que lucros para o produtor. “Muitas pessoas estão entrando nesta atividade sem ‘fazer contas’, influenciadas por ‘youtubers’ que só estão preocupados em vender seus cursos ou produtos”, alerta.

Diferenças entre camarões de água doce e marinhos

Boock diz que existem muitas dúvidas a respeito das diferenças entre os camarões marinhos e de água doce comumente cultivadas em águas brasileiras. Conforme elucida, duas espécies perfazem a quase totalidade da produção nacional: o camarão-da-Malásia e o camarão-branco-do-Pacífico (Litopenaeus vannamei). O primeiro é originário do sudeste asiático e passa a maior parte da vida em rios que desaguam no mar. Em cativeiro, é criado em água com salinidade zero. Já o camarão-branco-do-Pacífico, principal espécie de camarão marinho criado no Brasil, é encontrado no oceano que o nomeia e passa todo seu ciclo de vida em regiões com médias a altas salinidades, muito embora possa ser criado em água com baixa salinidade.

Uma diferença importante, segundo o pesquisador, é que os camarões de água doce geralmente são criados em baixas densidades de estocagem (100 mil pós-larvas/ha), principalmente devido ao seu comportamento territorialista e agressivo. Por outro lado, os camarões marinhos, pouco agressivos, podem ser criados em sistemas intensivos a super-intensivos, com densidades de estocagem acima de 200 mil juvenis/ha – característica que, apesar de permitir maior produtividade, pode levar ao aumento de doenças e maior emissão de efluentes.

Por fim, o pesquisador do IP esclarece uma das principais perguntas que recebe: em relação à carne de ambas as espécies, existem diferenças? “Embora a composição da carne de ambos seja muito semelhante em termos nutricionais, a ‘casca’ – o termo correto é exoesqueleto – dos camarões de água doce é mais espessa e, por isso, as formas de preparo de ambos diferem bastante”, explica Boock. O especialista diz que para se preparar e consumir os camarões de água doce é necessário, na maioria das vezes, se retirar a “casca”, enquanto o marinho pode ser preparado e consumido com ela. “Em termos de sabor, ambos são bastante semelhantes, com muitas pessoas se referindo à carne do camarão de água doce como sendo mais ‘suave e delicada’ enquanto a do marinho, como tendo um sabor mais ‘forte e pronunciado’”, detalha o pesquisador. “Embora esses conceitos de sabor sejam muito subjetivos, é certo que as estratégias de comercialização devem levar em conta todos esses fatores, para que o consumidor não se decepcione ao consumir uma espécie achando que está consumindo outra”, finaliza.

Por: Paloma Minke

Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Fonte: www.panoramadaaquicultura.com.br.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Doenças impedem crescimento da produção de camarões no Brasil

Pesquisadora da Embrapa abordou formas de manejo indicadas na prevenção de doenças infecciosas

Carcinicultura. Fonte: Fernanda Farias/Canal Rural.
Doenças altamente letais e contagiosas têm prejudicado fortemente a expansão da produção de camarões (carcinicultura) no Brasil. Mas com o manejo adequado é possível manter a lucratividade do negócio. Para abordar essas técnicas, a pesquisadora da Embrapa Meio Norte Alitiene Moura Lemos Pereira apresentou o tema “Convivendo com as Enfermidades da Carcinicultura no Brasil”, na última quarta-feira (19), durante o AquaCiência 2018, em Natal (RN). O congresso, que reúne alguns dos maiores especialistas em aquicultura do país, permanece no Centro de Convenções até o próximo dia 21 de setembro.

São cinco tipos de vírus presentes no país, sobretudo no Nordeste, nos principais polos produtores. Um dos mais letais é o WSSV, que provoca a mancha branca no camarão. Detectado pela primeira vez na Ásia em 1993, dois anos depois já atingia os Estados Unidos e logo chegou à América do Sul. A doença aniquilou a produção do crustáceo no Ceará em 2017. Em seis meses, 30 mil toneladas de camarão foram perdidas; o equivalente a 60% da produção do período. Além do Ceará, ela tem afetado criações de camarão no Rio Grande do Norte, em Sergipe, no Piauí, na Paraíba, em Pernambuco e na Bahia. Nem Santa Catarina escapou do terrível vírus, que atinge a fase inicial de desenvolvimento dos camarões, causando sua calcificação. Como consequência, os crustáceos morrem e contaminam todo viveiro, o que gera sérios prejuízos ao produtor.

Segundo Alitiene, as doenças têm sido consideradas como um forte fator de restrição ao crescimento, expansão e intensificação da aquicultura no Brasil. “O conhecimento dos problemas sanitários e seus riscos associados fornece subsídios para minimizar seus efeitos e continuar com a atividade de forma sustentável e lucrativa”, destaca ela, lembrando que em ambientes endêmicos com patógenos altamente contagiosos e mortais é necessário mais investimentos financeiros, conhecimento técnico, uso de aditivos e a execução de boas práticas.

Por meio da aplicação de normas e procedimentos adequados, é possível atuar na prevenção de doenças infecciosas do crustáceo. “É quando o produtor deve fazer um ambiente isolado, onde a doença não entra”, diz ela. Solo coberto com lona, cobertura dos tanques e água esterilizada são alguns dos recursos utilizados. “Assim você consegue evitar a entrada de doenças mesmo se a propriedade estiver em local contaminado”, ressalta ela.

Alitiene faz parte do grupo de pesquisadores do BRS Aqua, o maior projeto de pesquisa em aquicultura já desenvolvido no país. Nos próximos dois anos, ela pretende identificar quais são os fatores de risco para o desenvolvimento da mancha branca no camarão. 

O BRS Aqua envolve 22 centros de pesquisa, 50 parceiros públicos e 11 empresas privadas – números que ainda devem aumentar ao longo de sua duração. Os investimentos chegam a R$ 57 milhões para quatro anos de trabalho. A maior parte – R$ 45 milhões – será aportada pelo BNDES Funtec – linha de crédito não reembolsável destinada a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação.

 Fonte: www.embrapa.br.

domingo, 25 de março de 2018

Alternativas mais baratas de rações para camarão

Pesquisadores do Labomar produziram ração de origem vegetal, reduzindo custos para fabricantes do alimento e produtores

Laboratório trabalha com diferentes tipos de criação de camarão para desenvolvimento de rações (Foto: Jr. Panela/UFC).
Produtores e pesquisadores do ramo da carcinicultura sabem que uma ração adequada para a criação de camarões pode fazer toda a diferença. O problema é que essa alimentação é uma das maiores despesas operacionais, podendo corresponder à faixa de 50% a 70% dos custos. Por isso, o Centro de Estudos Ambientais Costeiros (CEAC), do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará, tem trabalhado para criar alternativas de rações mais baratas com a mesma eficiência das convencionais.

Uma das recentes pesquisas do centro resultou em uma ração para camarões feita quase totalmente de ingredientes de origem vegetal encontrados no Brasil. O produto é menos custoso, tanto para o fabricante do alimento quanto para o criador que o compra, justamente por abrir mão da maior parte dos componentes de origem animal marinha, responsáveis por encarecê-lo.

A produção de rações hoje é feita, em grande parte, com uso da farinha de peixe e de outros ingredientes oriundos da atividade pesqueira. Há, portanto, um paradoxo nessa lógica, já que se trata da captura de um peixe que, ao invés de ser utilizado para consumo humano, é empregado para produzir material destinado a alimentar outro animal, o que resulta no aumento de custos.

Segundo o Prof. Alberto Nunes, coordenador do Laboratório de Nutrição de Organismos Aquáticos (Lanoa), outro problema é que a produção da farinha de peixe tem sido incapaz de acompanhar o crescimento da aquicultura (cultivo de organismos aquáticos em ambientes controlados), responsável pela aquisição de cerca de 80% de toda a farinha produzida em nível global.

“Precisamos buscar soluções para esse problema, porque há uma dependência muito grande da carcinicultura (em relação àquele produto), que se dá pelo fato de o ingrediente advindo do peixe ter todos os nutrientes de que o camarão precisa”, explica Alberto Nunes.

A ração vegetariana surgiu da tese de doutorado de Hassan Sabry Neto, defendida em fevereiro de 2015 no Programa de Pós-Graduação em Ciências Marinhas Tropicais, no Labomar. O trabalho teve como título Valor nutricional de flocos microbianos e rações vegetais para o desempenho zootécnico do camarão-branco, Litopenaeus vannamei.


Com eficiência semelhante à dos alimentos comumente utilizados pela indústria, a ração sem componentes de origem animal tem a vantagem de ser mais barata e contar com ingredientes que são subprodutos da soja – algo vantajoso para o Brasil, um dos maiores produtores de soja do mundo.

A diferença está na coloração da ração (mais branca) e na ausência de alguns nutrientes encontrados apenas em materiais de origem animal. Esse problema da deficiência nutricional, porém, também foi resolvido pelos pesquisadores, a partir da inclusão de aditivos que suprem essa falta e tornam o alimento mais palatável para o animal, sem representar acréscimo de custos por já serem utilizados na criação dos camarões.

LABORATÓRIO


O Lanoa, inserido no âmbito do CEAC, trabalha com a perspectiva de compreender as necessidades nutricionais do camarão para que ele tenha um melhor desenvolvimento. Para tanto, conta com 304 tanques, dispostos em 6 diferentes sistemas de cultivo, variando de 60 a 23 mil litros.

Esses sistemas de cultivo são divididos pelas necessidades de cada pesquisa, com critérios baseados no tipo de ração a ser produzida. “Se quisermos uma resposta no desempenho de crescimento dos camarões mais próxima da que se alcança em uma fazenda comercial, fazemos a pesquisa em área aberta. Se quisermos algo mais controlado, usamos o galpão interno, por exemplo”, explica o Prof. Alberto.

Os animais são adquiridos pelo laboratório ainda em estado de pós-larva e criados durante 50 dias, quando chegam ao tamanho “juvenil”. A partir daí, com o camarão pesando aproximadamente 1 grama, as pesquisas são iniciadas: eles são transferidos para os tanques e alimentados durante 10 semanas, para depois serem pesados e avaliados. É dessa forma que os pesquisadores conseguem diferenciar a atuação das rações, ingredientes e aditivos.

Hoje, o Lanoa é considerado uma referência nas Américas. “O Nordeste é uma região importante para criação de camarões, pois produzimos cerca de 60 mil toneladas por ano. Ainda que seja um número baixo quando comparado aos grandes produtores da Ásia, para o Brasil isso é importante, porque não precisamos importar camarão para atender à demanda interna”, ressalta Alberto.

Além da pesquisa com a ração de origem vegetal, o laboratório também tem estudos recentes sobre atrativos palatabilizantes (para melhorar o gosto da comida para o animal), uso de adubos vegetais para aumentar naturalmente a produção de alimentos na água, alimentação nas fases iniciais do camarão para induzir melhor desenvolvimento e produção em condições extremas de densidade populacional do animal.

Fonte: Prof. Alberto Nunes, coordenador do Lanoa – fone: 3229 8718 / e-mail: alberto.nunes@ufc.br.

Site de onde foi retirada a notícia: www.agencia.ufc.br.

terça-feira, 6 de março de 2018

Camarões in natura devem ter certificado sanitário

STJ negou mandado de segurança apresentado por criadores do Piauí, que pediam dispensa na venda para outros Estados



A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu recurso interposto pela União e, por unanimidade, negou mandado de segurança apresentado pela Associação dos Criadores de Camarão do Piauí com objetivo de dispensar a exigência de certificado sanitário no transporte de camarão in natura para beneficiamento em outros estados do país.

Por meio do mandado de segurança, a associação alegou que foi surpreendida ao ser comunicada sobre a necessidade de que qualquer produto ou matéria-prima de origem animal só poderia ser transportada para outras regiões com o certificado emitido pelo Ministério da Agricultura.

Para a associação de criadores, a medida cercearia o livre mercado e incidiria inadequadamente nessa etapa da cadeia produtiva, já que a fiscalização federal só deveria acontecer na fase de beneficiamento, quando o produto é preparado para ser destinado ao consumo humano.

O pedido dos criadores foi acolhido em primeira instância e pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O tribunal entendeu que, desde que transportados e utilizados exclusivamente como matéria-prima, os produtos desse tipo serão objeto de inspeção no estabelecimento beneficiador, sendo desnecessária a exigência de certificação também nos locais de origem.

O relator do recurso especial da União, ministro Sérgio Kukina, destacou que as especificações da Lei 1.283/50 levam à caracterização do camarão in natura como produto animal comestível, estando sujeito à fiscalização sanitária por se enquadrar na categoria de pescado.

De acordo com a mesma legislação, apontou o ministro, a inspeção deve ser feita nos entrepostos de recebimento e distribuição do pescado, os quais são equiparados às fazendas em que os crustáceos são criados.

“Além disso, ao estabelecer que a fiscalização também poderá ser feita na propriedade rural (artigo 3º, f), o diploma legal em tela indica, expressamente, a possibilidade de a atuação do poder de polícia da administração recair no ambiente de origem do produto a ser inspecionado”, afirmou o relator.

No voto que foi acompanhado de forma unânime pelo colegiado, o ministro Kukina também destacou que a associação, ao buscar a dispensa do certificado sanitário, deu primazia aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência em detrimento do direito fundamental da população consumidora à saúde, posicionamento que não poderia ser abonado pelo Judiciário.

“Nesse contexto, enfim, não se vislumbra direito líquido e certo da associação impetrante, capaz de afastar a atuação fiscalizatória estatal, eis que voltada a garantir a higidez sanitária de produto alimentício destinado ao consumo humano, nos termos da Lei 1.283/50”, concluiu o ministro ao negar o pedido da associação.


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Portal reúne informações sobre cadeia produtiva do pescado

Patê de tilápia é elaborado  com os resíduos gerados na linha de filetagem de pescados. Foto: Alda Leticia da Silva Santos Resende.

Rio de Janeiro (RJ) - A Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), em parceria com a Fundação Instituto de Pesca do Rio de Janeiro (Fiperj) e mais 13 instituições de ensino e pesquisa brasileiros, acaba de lançar o portal Pescado em Rede, que reúne informações sobre as cadeias produtivas de rã, tilápia e camarão. A iniciativa segue a experiência da rede de ranicultura, criada há sete anos e que conta com quase 500 membros ativos. O antigo website foi ampliado para incorporar informações sobre as cadeias de tilapicultura e carcinicultura.
Na plataforma virtual é possível acessar gratuitamente publicações, notícias, cursos, capacitações, serviços e equipamentos e buscar contatos de técnicos e extensionistas de todo o Brasil. O portal é alimentado com novos conteúdos à medida que as demandas dos membros da rede surjam nos fóruns de debates. Ao se integrar à rede, solicitando inscrição pelo e-mail pescadoemrede@gmail.com, o usuário também recebe dicas sobre sistema produtivo e mercado pesqueiro, selecionadas entre as principais dúvidas e experiências dos produtores.
“Graças à rede de ranicultura, a interação entre interessados nessa cadeia produtiva, em nível nacional e internacional, passou a ser tão intensa e estimulante que foi tomada a decisão de levar a dinâmica da experiência à tilapicultura e à carcinicultura”, conta André Cribb, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) e líder do projeto. De acordo com ele, o compartilhamento de conhecimentos, tecnologias e práticas ligadas à cadeia produtiva da tilápia e do camarão pode contribuir para a obtenção, com qualidade e segurança, de novos produtos com maior valor agregado.
“A cadeia produtiva de pescado geralmente comercializa matérias-primas com pouca agregação de valor, como filé de peixe fresco e congelado. Um produto semipronto, como bolinho de peixe, por exemplo, agrega muito mais valor”, explica André Muniz, da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), um dos coordenadores da Rede de Ranicultura – agora Pescado em Rede. Para ele, a reunião dos atores envolvidos na cadeia ranícola com os de tilápia e camarão fortalece o setor, já que informações técnicas, políticas públicas, necessidade de atualização de legislação, eventos e cursos interessam também àqueles que trabalham com outras espécies do setor aquífero.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2013, a produção aquífera no Brasil chegou aos R$ 3 bilhões. A criação de peixes representava 66% do total, seguida pelo cultivo de camarão, com 25%. Entre as espécies cultivadas no Brasil, a tilápia caiu no gosto popular e representava 41% da piscicultura nacional, graças à sua fácil adaptação a vários ambientes.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão de pelo menos 12 quilos por ano por habitante, mas dados divulgados em 2013 pelo antigo Ministério da Pesca e Aquicultura indicavam que o consumo nacional era de apenas 10,6 quilos de pescado per capita, ou seja, abaixo do recomendado pela OMS.
“No Brasil, existe um grande potencial para a aquicultura, tanto para o mercado interno quanto para o externo. Tivemos um crescimento com a tilápia, pela facilidade e adaptabilidade de produção de cativeiro em água doce ou salgada. Mas temos ainda os peixes nativos do Centro-Oeste e da região amazônica, como pirarucu, tambaqui e cachapinta, que ainda são pouco consumidos no Brasil e possuem um grande potencial de aumento de produção”, informa Angela Furtado, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos.
Para suprir essa demanda, pesquisadores, técnicos e produtores, reunidos no “Pescado em rede”, buscarão, então, estimular a melhoria das condições de produção, ampliar o fornecimento ao mercado, facilitar seu manuseio, transporte e comercialização, bem como reduzir o tempo gasto no seu preparo para o consumo. “Ao conectar em rede os produtores, pesquisadores e técnicos, a assistência técnica qualificada acontece de forma direta, sem necessidade de deslocamento. Isso traz inúmeros benefícios para toda a cadeia produtiva, principalmente para o consumidor final”, afirma André Cribb.

Manual e capacitação em boas práticas de manipulação de pescado

A equipe do projeto pretende lançar, até o final de 2017, o Manual Técnico de Manipulação e Conservação de Pescado, que evidencia a cooperação técnico-científica entre a Embrapa Agroindústria de Alimentos, a Fiperj e o Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam). A publicação será voltada para os elos do processamento, conservação e comercialização de pescado. Os conhecimentos técnicos, normas e regras legais abordados são aplicados para pescado em geral com foco em três espécies: rã, camarão e tilápia.
Também já está programada uma capacitação em boas práticas em manipulação e conservação de pescado na sede da Fiperj, em Niterói (RJ), no primeiro semestre de 2018. “Pretendemos capacitar pescadores, técnicos e quem comercializa o pescado, aqueles que devem garantir a segurança do alimento, mantendo as condições ideais do produto, desde a captura a bordo do barco até a venda para o consumidor final. A aula prática acontecerá no Mercado de Peixes São Pedro de Niterói, um dos maiores do Brasil. Também estão programadas visitas técnicas a indústrias de processamento de pescado da região”, conta Sílvia Mello, pesquisadora da Fiperj. 

Tecnologias para pescado

Patê de tilapia. Foto: Angela Furtado.

Um dos maiores problemas da cadeia do pescado é a alta perecibilidade de seus produtos. Em razão do alto teor de umidade, o pescado torna-se fonte excelente para desenvolvimento de microrganismos. Sem nenhum tratamento adequado em técnicas de manuseio, conservação e processamento, ele se deteriora e se torna inutilizável e, em pouco tempo, perde seu valor nutricional. O processo de deterioração do pescado é ativado por uma ampla série de modificações complexas provocadas por suas próprias enzimas, bactérias e fenômenos químicos. A deterioração da carne se intensifica com a aparição de cheiros e sabores rançosos, causados especialmente por reações químicas entre o oxigênio do ar e a gordura do pescado.
Ao longo dos últimos 20 anos, a equipe da Planta de Processamento da Embrapa Agroindústria de Alimentos vem desenvolvendo diversos estudos de tratamento térmico, qualidade microbiológico, segurança e vida de prateleira para pescados. Para o projeto “Fortalecimento tecnológico do elo agroindustrial da cadeia do pescado na Região Sudeste do Brasil por meio da socialização de conhecimentos, tecnologias e práticas”, liderada pelo pesquisador André Cribb, foram selecionadas tecnologias prontas para serem transferidas para o setor produtivo.
O patê de tilápia é elaborado  com os resíduos gerados na linha de filetagem de pescados,  de modo a  aproveitar a carne aderida ao espinhaço e ao mesmo tempo contribuir para a diversificação dos produtos oferecidos pelas indústrias de pescado. Foi resultado da tese de doutorado de Alda Resende, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), sob orientação da pesquisadora Angela Furtado. De forma ampla, a pesquisa mostrou  o desenvolvimento de produtos viáveis às indústrias especializadas em pescado e, principalmente, como oferecer alternativas para o aproveitamento do resíduo da filetagem da tilápia. “O filé de tilápia possui mercado em expansão em restaurantes e possui distribuição razoável em redes de supermercado. No entanto, não existem muitas opções de produtos processados, como, por exemplo, produtos de tilápia enlatados, com maior valor agregado. É nisso que apostamos”, conta Alda.
O patê de tilápia desenvolvido na planta-piloto de processamento agroindustrial se manteve estável do ponto de vista microbiológico, físico-químico, de perfil proteico e de ácidos graxos ao longo de 180 dias de estudo de vida útil, o que leva à conclusão de que os parâmetros do processamento térmico utilizado foram adequados. O teste no Laboratório de Análise Sensorial e Instrumental da Embrapa com 119 consumidores, sob a coordenação da pesquisadora Daniela Freitas, indicou que, após 180 dias de armazenamento, a frequência de aceitação do patê foi de 95% para a “impressão global”; de 91% para o atributo “sabor”; de 89% para a “espalhabilidade” e de 80% para a “aparência”.
“Comprovamos a viabilidade técnica do patê de tilápia enlatado, com a manutenção da qualidade microbiológica e nutricional por 180 dias após o processamento. Os produtos também obtiveram boa aceitação sensorial, comprovando o potencial de mercado de aproveitamento de um resíduo industrial como alternativa para as indústrias de pescado”, afirma Angela Furtado.
Outra tecnologia desenvolvida pela equipe de pesquisa da Embrapa Agroindústria de Alimentos é a conserva de camarão sete-barbas em salmora. A produção de pescado e frutos do mar em conserva contribui decisivamente para o processo de conservação, distribuição e armazenamento dos alimentos, prolongando sua vida útil. Durante o processamento do camarão, foram verificadas a perda gradativa da coloração vermelha da carne e a degradação da textura ao longo tempo de aquecimento. Com o ajuste dos parâmetros do processamento, foram obtidas a manutenção dos atributos sensoriais e a segurança do alimento para consumo humano. Teste sensorial conduzido com 50 consumidores para avaliar a aceitação do produto, nos atributos aparência, textura e sabor, indicou que em uma escala hedônica de 1 a 7, os atributos obtiveram médias próximas a 5, o que representa  boa aceitação.
Mais informações no site da EMBRAPA.

Fonte: www.embrapa.br.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

II Seminário da Rede de Pesquisa do Camarão-da-Amazônia

II SEMINÁRIO DA REDE DE PESQUISA DO CAMARÃO-DA-AMAZÔNIA: APÓS 15 ANOS: TECNOLOGIAS GERADAS E PERSPECTIVAS FUTURAS 


O Seminário tem com objetivo divulgar os avanços das pesquisas desenvolvidas, apresentar o pacote tecnológico gerado, traçar as próximas metas para avançar na tecnologia e elaborar estratégias de implantação de cultivos nas diversas regiões do Brasil. Além disso, a sede do evento no Pará foi escolhida devido a sua vocação como área prioritária para nuclear a aquicultura familiar com o cultivo do M. amazonicum. Para isso, pretende-se reunir atores envolvidos na pesquisa do camarão-da-amazônia das diversas regiões do Brasil e abrir o evento para as comunidades tradicionais interessadas, setor produtivo, profissionais e alunos que atuam em aquicultura e pesca, assim como Secretarias de Pesca e Aquicultura interessadas em conhecer e fomentar a Aquicultura Sustentável com o uso do camarão-da-amazônia. Será realizada em Bragança, cidade histórica e charmosa da Amazônia.

Mais informações acesse o site oficial: www.aquadados.weebly.com.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

FURG promove curso sobre sistema de produção de camarão, pioneiro no Brasil


A produção de camarão, de forma convencional, é amplamente conhecida em todo o Brasil. O Laboratório de Carcinocultura, do Instituto de Oceanografia (IO) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), desenvolveu, todavia, um novo modelo de produção, o sistema de Bioflocos. Com o sistema, é possível aumentar em até 60 vezes a produtividade e de forma mais sustentável. A transmissão desse conhecimento para produtores de camarão e representantes da cadeia produtiva nortea o 9º Curso de Produção de Camarão em Sistemas de Bioflocos, que iniciou na terça-feira (12/04) e se estende até hoje (14/04), na Estação Marinha de Aquacultura (EMA/FURG) no Cassino.

O curso reúne em média 40 participantes oriundos de diversos estados brasileiros e também de países da América Latina e dos Estados Unidos, todos com o objetivo de conhecer o funcionamento do sistema e poder aplicá-los em suas regiões. A atividade busca apresentar os fatores que envolvem a produção com Bioflocos, para que possa ser entendida e o sistema ser desenvolvido pelos participantes nos diversos contextos que estão inseridos. “O curso não apresenta uma receita fechada, mas sim os detalhes do sistema, pois a mudança de uma variável, por exemplo, altera o restante do processo”, explica o professor Wilson Wasielesky.

O sistema de Bioflocos é pioneiro no país e foco de pesquisa desde 2005 na Universidade. Hoje, a FURG é referência no sistema, com uma estrutura de cultivo única no país. O sistema consiste, de forma geral, num processo de transformação dos compostos nitrogenados, antes tóxicos aos camarões, em proteína microbiana, que serve de alimento para o animal. “O que antes era veneno, agora vira alimento”, destaca o professor Dariano Krummenauer. 

Na produção convencional em viveiros, o ração que não é consumida pelos camarões, junto com os excretos, se degrada, deixa a água tóxica e com alta concentração de amônia. De acordo com o professor, é necessário, neste caso, realizar a troca da água, que é um processo de custo elevado e que causa impacto ao meio ambiente. Já no sistema de Bioflocos, Krummenauer explica que com a manipulação das relações carbono/nitrogênio, é possível transformar os compostos nitrogenados, que estavam em níveis impróprios para os camarões, em proteína, que será consumido como alimento pelo animal. Por consequência, é possível aumentar a produção por hectare. No sistema convencional a densidade é baixa, com uma média de uma tonelada de camarão por hectare. Já com Bioflocos, a densidade aumenta com o crescimento da estocagem para 60 toneladas por hectare. “Com o Bioflocos, o camarão tem uma condição boa de sobrevivência, já que ele tem alimento e conforto, mesmo vivendo em um espaço pequeno”, completa.  No que tange as questões de impacto ambiental, o processo é considerado sustentável, já que não necessita de troca de água e com isso, não apresenta emissão de efluentes ao meio ambiente.

No primeiro dia do curso, os participantes foram recebidos na Estação com a apresentação inicial do sistema e breve contextualização regional. Foi realizada também uma visita introdutória às estufas de produção. No decorrer do curso, foram proferidas aulas teóricas e práticas. Para o zooctenista e gerente de exportação de uma empresa de Campinas de ração animal, Diogo Villaça, o curso abre novos horizontes e possibilita novas formas de produção da espécie. “Esse é o meu primeiro contato com o sistema e busco levar conhecimento para ajudar a desenvolver o mercado na América Latina”, diz.


As informações apresentadas no curso, que é promovido semestralmente pela FURG, são resultados dos estudos desenvolvidos ao longo desse período pela Universidade. “Nosso conteúdo é exclusivo e foi construído com base nas pesquisas desenvolvidas aqui. Então, os resultados são sólidos e os participantes poderão iniciar a implementação do sistema em suas regiões”, explica Krummenauer.

Por: Carolina Silveira - imprensa@furg.br.

Fonte: www.furg.br.