sexta-feira, 19 de maio de 2017

Manejo adequado reduz impactos do frio na piscicultura

Manejo na criação de peixes. Foto: Foto: Jefferson Christofoletti.

Evitar alimentação em excesso, manter densidade adequada no viveiro e monitorar a qualidade da água são ações que podem evitar perdas na piscicultura provocadas pelo frio. Esses possíveis prejuízos são uma preocupação dos piscicultores com criações em regiões que apresentam ampla variação de temperatura, especialmente durante a chegada do inverno. A temperatura do ambiente é um dos fatores decisivos no cultivo de peixes.

Os cuidados para minimizar as perdas com temperaturas baixas e grandes variações de temperatura devem ser iniciados ainda no verão. O alerta é feito pela pesquisadora da Embrapa Agropecuária Oeste (MS) Tarcila Souza de Castro Silva. Ela explica que a temperatura do corpo dos peixes varia de acordo com a temperatura do ambiente, neste caso, da água. “Assim, fisiologicamente, o crescimento dos peixes está diretamente relacionado à temperatura do ambiente,” esclarece.

As recomendações aos produtores e técnicos estão disponíveis na publicação “Influência do Clima, Fenômenos e Mudanças Climáticas no Manejo da Piscicultura”, elaborada por Tarcila com os colegas Luís Antônio Kioshi Aoki Inoue e Carlos Ricardo Fietz, pesquisadores da mesma Unidade da Embrapa. Nesse trabalho, os especialistas explicam a influência do clima no desempenho e na sanidade dos peixes e apresentam ações para diminuir perdas na piscicultura.

O aumento das doenças na piscicultura, com a chegada do inverno, ocorre com maior intensidade em viveiros nos quais os peixes recebem mais alimentos do que o necessário durante o verão, prejudicando a qualidade ambiental. “Os peixes sofrem pela progressiva queda de qualidade de água no verão. Com a chegada do frio e as amplas variações de temperatura, começam os surtos de doenças e mortes”, explica o pesquisador Luís Antônio Inoue. Assim, manter a densidade de peixes adequada é uma das estratégias de manejo que podem contribuir com a redução dos prejuízos. “Essa densidade deve levar em consideração o tamanho do tanque e o suprimento de água e oxigênio”, destaca.

Capacitar mão de obra

O manejo alimentar deve receber atenção para que se possa evitar as perdas. “As taxas de alimentação devem estar de acordo com as recomendações para a espécie criada e a temperatura da água. É fundamental que o tratador esteja capacitado para observar se os peixes estão consumindo o alimento fornecido, para evitar perdas e deterioração da qualidade da água por excesso de ração”, acrescenta o pesquisador.

Outra estratégia importante de manejo destacada por Tarcila se refere ao monitoramento da qualidade da água e a utilização das boas práticas de manejo, com respeito contínuo aos limites recomendados de transparência, oxigênio dissolvido, pH, alcalinidade, dureza, amônia e nitrito. “Esses dados ajudam a garantir a qualidade do ambiente de criação”, afirma.

Despesca antes do inverno

Além disso, as práticas de manejo devem ser planejadas com antecedência e a previsão do tempo é uma ferramenta importante de consulta. “Sugerimos que o arrasto de rede e o transporte, por exemplo, sejam realizados antes da chegada do frio; assim, os peixes não serão submetidos a mais fatores estressantes, além dos naturais resultantes do clima frio”, salienta a pesquisadora.

“A adição de suplementos, como vitaminas (C e E), aminoácidos, pró-bióticos e pré-bióticos, antes de os animais passarem por condições estressantes, ajuda a aumentar a imunidade dos peixes”, informa Tarsila, ressaltando que a prática tem sido testada com êxito em muitos países. Esses suplementos devem ser misturados à ração comercial e fornecidos alguns dias antes de eventos críticos, como a chegada de uma frente fria. Ela acrescenta que a indicação de cada produto e seu modo de usar deve ser criteriosa e avaliada por um técnico.

O piscicultor de Laguna Carapã (MS) Edemar de Souza, que trabalha há quatro anos com criação de peixes, conta que a mudança da temperatura da água influencia diretamente o comportamento dos peixes, especialmente em relação aos hábitos de alimentação. “Quando a temperatura fica abaixo de 20ºC, os peixes comem menos, por isso reduzo a quantidade de ração para evitar problemas futuros”, revela.

Edemar acrescenta que antes de o inverno chegar, sempre que possível, ele envia alguns lotes para o frigorífico. Outra prática adotada por ele é reunir no mesmo tanque os peixes com mais de 200 gramas. “Depois do inverno, quando começa a esquentar novamente, os peixes demoram um pouco mais para crescer, e o desenvolvimento deles é mais lento”, conta Edemar. Outro cuidado adotado pelo piscicultor é evitar manejar os peixes durante o inverno. “Nessa época, a água está muito gelada e os peixes ficam mais sensíveis ao manejo. Além disso, a água fria também dificulta o meu trabalho. Evito ao máximo mudar os peixes de tanque durante o inverno”, conta.

Sul do Mato Grosso do Sul

Na região da Grande Dourados, no sul do Mato Grosso do Sul, é possível observar grandes amplitudes térmicas médias, ou seja, existe uma grande variação entre as temperaturas médias mínimas e máximas. “Um exemplo comum é registrar uma amplitude térmica diária de 20 °C, com a temperatura do ar ao amanhecer em 12 °C e no meio da tarde ensolarada chegando a atingir 32 °C. Além da variação pela amplitude térmica, existe ainda, na região, uma variação acentuada entre as estações do ano”, exemplifica o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Carlos Ricardo Fietz.

Assim como as demais atividades agropecuárias, que têm sua produtividade diretamente ligada às condições climáticas, a piscicultura não é exceção. Um ponto fundamental é a escolha da espécie de peixe que será criada comercialmente em condições naturais. As principais espécies criadas em Mato Grosso do Sul são a tilápia (22,37%), o pintado ou surubim (21,04%), os redondos pacu e patinga (14,45%) e, ainda os híbridos tambacu e tambatinga (7,23%); além da produção de alevinos (peixes juvenis) contabilizada em 26,84%, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Grande parte dos peixes criados no estado são híbridos, principalmente, o pintado amazônico, a patinga e o tambacu. A hibridização é uma prática adotada por vários produtores da região. Porém, existem relatos de produtores na região da Grande Dourados sobre mortandade de híbridos como o pintado-amazônico e, principalmente, a patinga sob frio intenso, quando a temperatura da água atinge 12 °C ou menos”, esclarece o pesquisador Luís Antonio Kioshi Aoki Inoue. Segundo ele, mesmo a tilápia, considerada uma espécie resistente e rústica, também é susceptível às doenças, especialmente perto de extremos de oscilação de temperatura.

Fonte: www.embrapa.br.

Pesquisa para produção de tracajá será apresentada em evento do Banco da Amazônia

Tanques de cultivo do tracajá. Foto: Foto: Dulcivânia Freitas.

Um projeto da Embrapa, voltado para sistema de produção comercial do tracajá (Podocnemis unifilis) em cativeiro na Amazônia, será apresentado em seminário organizado pelo Banco da Amazônia no segundo semestre deste ano, em Belém (PA). O convite foi feito pelo gerente executivo do banco, Oduval Lobato Neto, durante visita às instalações da Embrapa Amapá, em Macapá (AP). “Este projeto é um case de sucesso na Amazônia. Trata-se do único neste segmento, apoiado pelo banco. Isso muito nos orgulha, reúne todas as condições para se transformar em resultados para o produtor, sair da área do conhecimento e virar um produto rentável para a geração de renda das populações e empreendedores interessados neste segmento”, destacou o gerente responsável pela gestão de programas de governo do Banco da Amazônia.

Intitulado “Produção de tracajá em cativeiro como alternativa sustentável para o desenvolvimento amazônico”, o projeto da Embrapa Amapá foi aprovado em edital de seleção pública publicado pelo banco para apoio financeiro, com o objetivo de apoiar atividades de pesquisa científica e tecnológica que contemplam transferência de tecnologias.

Na visita ao centro de pesquisas, o gerente do Banco da Amazônia foi recebido pelo chefe-geral Jorge Yared; chefe de pesquisa e desenvolvimento, Wardsson Lustrino Borges; chefe de transferência de tecnologias, Nagib Melém; e pela pesquisadora Jamile da Costa Araújo, líder do projeto da Embrapa. Ele conheceu a Unidade Demonstrativa de produção de tracajá, atualmente em fase de construção; e os laboratórios da área de Aquicultura e Pesca (incluindo galpões de cultivo de peixes, tracajás e camarões), de Proteção de Plantas e Biodiversidade e Alimentos, todos equipados para trabalhos de análises de materiais para a sustentabilidade de tecnologias que promovem o desenvolvimento da agropecuária e o melhor do uso da biodiversidade da Amazônia. “É gratificante conhecer o funcionamento de mais uma unidade da Embrapa. Esta empresa é um grande aliado do Banco da Amazônia, como agente fomentador de atividades produtivas da região. Muito bom conhecer os projetos que a Embrapa Amapá desenvolve na aquicultura, a parte dos quelônios, as atividades relacionadas com atividades buscando a erradicação da mosca-da-carambola, um ponto significativo para toda a Amazônia”, acrescentou Oduval Neto, membro do Comitê Assessor Externo (CAE) da Embrapa Amazônia Oriental, sediada em Belém. O gerente veio a Macapá cumprir agenda do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (CAS) em sua 279ª Reunião Ordinária, realizada no Palácio Setentrião, sede do Governo do Amapá.    

Serão realizados três cursos e um seminário em 2017  

O projeto da Embrapa financiado pelo Banco da Amazônia tem como sigla de identificação “AmapaJá”. A pesquisa desenvolve ações para atender ao objetivo de estabelecer e aprimorar índices zootécnicos, desenvolver tecnologias e capacitar multiplicadores para produção de tracajá (P. unifilis) em cativeiro. Para isso, envolve uma equipe técnica e de apoio, e acadêmicos bolsistas, empenhados em estudos da produção e aprimoramento de índices zootécnicos e avaliação de rendimento de carcaça de tracajá; estratégias de comunicação e capacitação; implantação de Unidade Demonstrativa, e estudo de mercado de produtos oriundos do tracajá. “As atividades do projeto Amapajá estão sendo executadas em ritmo acelerado. Atualmente, dois experimentos estão em andamento, uma dissertação já foi defendida, e estamos finalizando uma Unidade Demonstrativa (UD) de produção de tracajá na fase inicial, com previsão de instalação de mais duas UDs até o fim de 2018. Ainda este ano vamos realizar três cursos e um seminário, com participação confirmada de professores da UFOPA, UFAM e UFRA, especialistas em quelônios. O seminário também contará com a participação de outras instituições convidadas”, detalhou a pesquisadora Jamile Araújo.

De acordo com o texto do projeto, dentre os quelônios da Amazônia, o tracajá é uma das espécies mais capturadas para consumo na Amazônia brasileira, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, integrando a lista de animais vulneráveis à extinção. Além de ser a espécie mais apreendida pelo órgão fiscalizador de tráfico de animais silvestres, no Amapá (2005 a 2009), totalizando 35,55% das apreensões. Este fato demonstra o alto grau de uso desta espécie pela população no estado, a qual consome a carne e ovos destes animais de vida-livre, comprometendo de forma drástica a manutenção dos estoques naturais.

O tracajá é uma espécie com boa condição para criação em cativeiro, com fácil adaptação às condições de manejo de criação e de boa aceitação pelos consumidores. A produção comercial em cativeiro pode ser uma alternativa para reduzir o tráfico, gerar renda para as comunidades e contribuir para a preservação da identidade cultural das mesmas, já que consumir esta espécie faz parte da cultura amazônica. Entretanto, este hábito cultural encontra-se ameaçado por conta das restrições legais de uso desse recurso natural, visando sua proteção, pois apesar da produção comercial desta espécie ser autorizada, não há dados que subsidiem o sistema de produção. Visando contribuir para o desenvolvimento do sistema de produção comercial de tracajá, o projeto da Embrapa objetiva elucidar o comportamento de crescimento, densidade de estocagem, manejo nutricional (exigência proteica e restrição alimentar) e medidas de bem-estar animal na produção desta espécie, além de estudar o potencial de comercialização dos produtos oriundos deste sistema de produção, e do potencial econômico e nutricional. 

Fonte: www.embrapa.br.

Empreendedor fatura 700 mil com vitamina feita com microalgas

O oceanógrafo Murilo Canova decidiu investir na sua área de formação; criou a Ocean Drop e espera faturar R$ 3 milhões em 2017

Fonte: http://revistapegn.globo.com.

Santa Catarina (SC) - o catarinense Murilo Canova decidiu cedo, ainda na faculdade, que queria empreender. O desafio, entretanto, era inovar na sua área de atuação. Canova é formado em oceanografia e, segundo o jovem, a maioria dos empreendedores da área trabalha em negócios mais tradicionais, como consultorias ambientais. Por conta disso, decidiu trilhar outro caminho: investiu na produção de vitaminas em cápsulas a partir de microalgas. Em um ano, entrou para um programa de aceleração e faturou R$ 700 mil.

Canova conta que a ideia surgiu em 2012, quando Lucas Marder, um dos colegas do jovem envolvido no projeto, estudava as microalgas. Elas são plantas microscópicas aquáticas, consideradas responsáveis pela produção de uma biomassa rica em diversos nutrientes a partir de luz, dióxido de carbono e nutrientes presentes na água. “Vimos um nicho bem específico e uma oportunidade de negócio na área”, diz o empreendedor.

Fonte: http://revistapegn.globo.com.
Como as microalgas são utilizadas para diversos setores, desde tratamento de resíduos até produção de cosméticos, os jovens demoraram a encontrar um foco. Optaram por apostar no mercado alimentício por conta da ascensão do conceito de “superfood”, alimentos conhecidos por conter mais nutrientes do que a média – como é o caso das microalgas. Até tirar o projeto do papel, os jovens passaram por três anos de pesquisa. Em 2015, inscreveram a Ocean Drop no programa de aceleração Darwin Starter e foram selecionados.

Em 2016, lançaram os primeiros produtos da Ocean Drop. São dois tipos de vitaminas em cápsulas. As microalgas são cultivadas fora do país e o produto é finalizado internamente. “A espécie começa na natureza e é finalizada em laboratório. Começa com um modelo de agricultura e termina como uma coisa bem científica”, diz Canova. Um vidro de 240 cápsulas, com duração de dois meses, pode sair entre R$ 99 e R$ 188, dependendo do produto.

A Ocean Drop vende, em média 2500 unidades por mês. Segundo o fundador, a empresa faturou R$ 700 mil no seu primeiro ano de operação. E a projeção para 2017 é fechar o ano com um faturamento de R$ 3 milhões. “Para algumas pessoas isso pode ser algo estranho, mas está crescendo. A alimentação do futuro acontece agora.”


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Licenciamento ambiental para piscicultura de até 5 ha

Imasul isenta de licença ambiental projetos de piscicultura de até 5 hectares



Campo Grande (MS) – Estão isentos do processo de licenciamento ambiental os projetos de piscicultura que somem até cinco hectares de lâminas d’água. A medida visa estimular a agricultura familiar, disse o diretor presidente do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), Ricardo Eboli. “Consideramos que os impactos ambientais gerados por atividades desse porte são de baixa magnitude, não sendo necessário o processo de licenciamento”, explicou.

Caso os tanques somem até dois hectares (ou 20 mil metros quadrados), o produtor não precisa nem comunicar o Imasul. Entre dois e cinco hectares de lâmina d’água, basta o produtor fazer o cadastro do empreendimento, procedimento muito mais simples do que o licenciamento ambiental.

O cadastro pode ser feito pelo site do Imasul, por meio do sistema Siriema (clique aqui). O produtor vai seguindo o passo a passo e fornecendo as informações solicitadas. Em caso de dificuldade, o produtor pode procurar a Central de Atendimento do Imasul, no Parque dos Poderes, em Campo Grande, ou nos escritórios regionais do interior do Estado (veja aqui).

Cabe lembrar que só é permitido criar em tanques as espécies nativas, como pacu, pintado, piraputanga, dourado, curimba. Algumas espécies exóticas (de outras bacias hidrográficas) também são permitidas, mas é preciso consultar o órgão ambiental para saber quais são elas.

Da mesma forma, o produtor precisa de um projeto e de cadastramento ou licenciamento específico caso precise desviar água de rio ou córrego para abastecer os tanques, ou se for abrir poço para retirar água do lençol freático, dependendo da profundidade e da vazão. Essas dúvidas podem ser esclarecidas na sede do Imasul ou nos escritórios regionais.



segunda-feira, 10 de abril de 2017

O peixinho que droga predadores com 'mordida de heroína'

Cientistas britânicos e australianos resolveram um mistério do mundo marinho: os efeitos da mordida indolor de um peixe ornamental venenoso.

Os fang blennies medem poucos centímetros e são coloridos.
Foto: Richard Smith/OceanRealmImages.com / BBCBrasil.com
Eles constataram que o fang blenny, natural de corais do Oceano Índico, se defende de predadores ministrando opioides - um composto similar à morfina e à heroína, que causa uma queda súbita na pressão sanguínea e, aparentemente, distrai o predador por tempo suficiente para que ele fuja.

A pesquisa, que reuniu especialistas da Liverpool School of Tropical Medicine, no Reino Unido, e da Universidade de Queensland, na Austrália, foi publicada na revista especializada Cuttent Biology e é um exemplo dos segredos escondidos em nossos oceanos.

Bryan Fry da Universidade de Queensland, explica que peixes com algum tipo de mordida venenosa normalmente produzem dores imediatas.

"Uma das maiores dores que sofri na minha vida foi quando fui picado por uma arraia. Foi algo infernal", contou ele.

Por isso, o fang benny aguçou a curiosidade dos cientistas: eles queriam entender por que sua mordida era indolor.

"Mordidas ou picadas dolorosas são um mecanismo de defesa útil - os predadores aprendem a evitá-las", explica Nicholas Casewell, cientista da Liverpool School of Tropical Medicine.

Presas anestésicas

Exemplar de Fang Blenny. Foto: Erik Schlögl © Erik Schlögl.

Casewell conta que os estudos sobre o fang blenny feitos nos anos 70 observaram o comportamento de peixes maiores.

"Eles colocavam os blennies na boca, mas rapidamente começavam a tremer e a abriam novamente. O fang blenny simplesmente nadava para fora."

Ao analisar a composição do veneno dos peixinhos, os cientistas descobriram o opiáceo, composto conhecido como potente analgésico e usado tanto como remédio quanto droga recreativa, como no caso da heroína.

Mas esse tipo de composto causa também queda na pressão sanguínea, levando a tonturas e estado de fraqueza.

"Isso parece causar nos predadores uma perda de coordenação, permitindo que o blenny fuja", completa Casewell.

Tesouros

Pesquisadores fizeram tomografias para encontrar as glândulas produtoras de veneno
Foto: LSTM / BBCBrasil.com.

A nova descoberta é uma amostra da importância de preservação dos recifes de coral, ameaçados pelo aumento na temperatura dos oceanos, diz Casewell.

"Corremos o risco de extinguir uma espécie que pode conter algo útil para os humanos. Podemos estar destruindo um recurso antes mesmo de encontrá-lo."

Bryan Fry faz coro com o colega, apontando para as aplicações práticas que o fang blenny pode ter para a ciência.

"Seu veneno pode ser a fonte da mais nova droga analgésica do mercado, mas podemos perder a chance de desenvolvê-la se extinguirmos o habitat desta e de outras criaturas vivendo em corais."

Fonte: www.bbc.com.

domingo, 9 de abril de 2017

CNA critica transferência da Secretaria de Aquicultura e Pesca


Brasília (DF) – O presidente da Comissão Nacional de Aquicultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Eduardo Ono, criticou a transferência da Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura (MAPA) para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
Durante audiência pública solicitada pela CNA, no dia 05-04, na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, Eduardo Ono afirmou que a mudança é resultado de questões políticas, sem fundamentação técnica ou prévio diálogo com os setores afetados.
“A nosso ver, o setor pesqueiro deveria permanecer no MAPA, que é a “casa” de todas as cadeias produtivas, tanto animal quanto vegetal. É lá onde estão os especialistas de cada área, trânsito nacional e internacional, fomento, inspeção e acesso a mercados”.
Ono também explicou aos senadores que a saída dos setores de aquicultura e pesca do MAPA levanta alguns pontos preocupantes para o setor, como o acesso ao Crédito Rural, Seguro Rural e Plano Agrícola e Pecuário (PAP), a regulamentação de trânsito animal e a emissão da Guia de Trânsito Animal.
A Comissão de Aquicultura da CNA já havia criticado a decisão quando divulgou um Comunicado Técnico, no dia 14 de março, mesmo dia em que foi divulgado o Decreto Legislativo nº 9.004 determinando a migração da Secretaria.

Assessoria de Comunicação CNA

Peixes contaminados por mercúrio: ameaça ao ambiente e à saúde


De onde vem a contaminação por mercúrio nos ambientes aquáticos?


O mercúrio (Hg) é um metal naturalmente encontrado no ar, no solo e na água. Mas, atualmente, os valores de mercúrio no ambiente extrapolam os padrões de normalidade devido à atividades antropogênicas (causadas pelo homem).
Segundo o National Resources Defense Council (NRDC), as maiores fontes mundiais de contaminação ambiental por mercúrio são a queima de carvão mineral por termelétricas e as atividades de mineração.
Mercúrio
O mercúrio ocorre em estado líquido em temperatura ambiente, porém, quando a temperatura aumenta, ele é facilmente volatizado para a atmosfera na forma de vapor de mercúrio.
Um vez na atmosfera, o vapor de mercúrio pode ser depositado ou convertido em forma solúvel e incorporado ao ciclo da chuva. Quando solúvel, pode ser volatizado novamente e retornar à atmosfera, ou pode permanecer no meio aquático, onde será transformado em metilmercúrio [CH₃Hg]⁺ por micro-organismos presentes no sedimentos do ambiente aquático.
O metilmercúrio contamina toda a cadeia alimentar, desde o fitoplâncton até os peixes carnívoros. Por ter um longo tempo de permanência, o metilmercúrio se mantém incorporado ao tecido do organismo, após ingerido. Dessa forma, a concentração de mercúrio vai se tornando cada vez mais alta dentro da cadeia alimentar à medida em que os organismos se alimentam de outros que já apresentam o mercúrio acumulado em seus tecidos. Este processo é denominado bioacumulação.
Por tal motivo, os peixes carnívoros de topo de cadeia apresentam as concentrações mais elevadas de metilmercúrio. Ao incorporarmos esses peixes contaminados à nossa dieta, estamos nos incluindo neste processo e ingerindo altas concentrações de mercúrio.
Principais fontes antropogênicas de mercúrio no Brasil
O Ministério do Meio Ambiente aponta em relatório que existe uma carência de dados referentes às concentrações atmosféricas de mercúrio. Mas aponta a mineração do ouro e as queimadas de grandes áreas florestais como as principais emissões de mercúrio do país.
Segundo o relatório do Ministério de Minas e Energia, atualmente a produção do ouro tem se dado principalmente nos estados de Minas Gerais, Pará, Bahia e Mato Grosso, respectivamente.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, outras formas de exposição frequentes no país estão relacionadas às atividades de fabricação de cloro-soda, fabricação e reciclagem de lâmpadas fluorescentes, fabricação de termômetros, fabricação de pilhas e de material odontológico.
Intoxicação por mercúrio
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existe uma relação direta entre as altas concentrações de mercúrio no sangue humano e o consumo de peixe contaminado por metilmercúrio
De acordo com o Diagnóstico Preliminar sobre o Mercúrio do Brasil, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, 90% de todo o mercúrio presente em organismos de nível trófico alto (predadores do topo de cadeia alimentar) se encontra na forma de metilmercúrio.
O metilmercúrio [CH₃Hg]⁺ é considerado uma das formas mais nocivas do mercúrio ao organismo humano. É uma neurotoxina capaz de atravessar as barreiras placentária e hematoencefálica, afetando negativamente o cérebro em desenvolvimento. Por isso, mulheres em fase gestacional devem ter um cuidado ainda maior referente ao consumo de peixe possivelmente contaminado por mercúrio.
A exposição de mulheres grávidas ao metilmercúrio [CH₃Hg]⁺ pode provocar danos ao sistema nervoso dos bebês e causar deficiências de aprendizado e cognição na infância. Além disso, o Instituto Nacional de Câncer classifica o metilmercúrio como uma substância com possível efeito cancerígeno.
A intoxicação humana por mercúrio é um problema de saúde pública que afeta principalmente as populações ribeirinhas, que têm o peixe como base da dieta alimentar. Mesmo assim, o assunto deve receber a atenção de todos aqueles que consomem peixe regularmente.
Para a segurança do consumidor, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) possui uma portaria na qual estabelece que a concentração máxima de mercúrio não deve ultrapassar 1mg/kg em peixes predadores e 0,5mg/kg em peixes não predadores. Quando estes valores são ultrapassados, o lote de peixes é apreendido.
No entanto, essa iniciativa não tem impacto para reduzir os riscos aos quais as populações ribeirinhas estão expostas, nem para reduzir os danos ambientais causados pela contaminação. Para este caso, seria necessário atuar diretamente na redução das fontes de emissão de mercúrio.

domingo, 2 de abril de 2017

Cientistas sequenciam genoma de peixes brasileiros

O genoma é o conjunto de informações genéticas codificadas no DNA de um organismo, dentre as quais estão os genes que afetam características de interesse produtivo, como qualidade da carne e ganho de peso, por exemplo


A piscicultura brasileira está prestes a ganhar uma importante ferramenta para seu manejo e melhoramento genético. A pesquisa nacional está finalizando o sequenciamento do genoma de dois peixes nativos mais produzidos no País: o tambaqui (Colossoma macropomum) e a cachara da Amazônia (Pseudoplatystoma punctifer), conhecida também como surubim. O trabalho é realizado no âmbito da Rede Genômica Animal coordenada pela Embrapa e que reúne instituições de pesquisa de todo o Brasil. O genoma é o conjunto de informações genéticas codificadas no DNA de um organismo, dentre as quais estão os genes que afetam características de interesse produtivo, como qualidade da carne e ganho de peso, por exemplo.

Além da relevância para a cadeia produtiva, o sequenciamento do genoma do tambaqui e da cachara será bastante importante também para pesquisas cientificas em diversas áreas, uma vez que essas espécies são representativas de duas diferentes ordens: a dos Characiformes, que agrupa peixes de escama, entre eles o tambaqui, e a dos Siluriformes, que reúne os bagres, grupo de peixes de couro que inclui a cachara e o pintado. A abrangência dos resultados obtidos permitirá que os genomas sequenciados sirvam de referência para estudos de outras espécies semelhantes pertencentes às duas ordens.

“Precisamos dar saltos tecnológicos para aumentar a produtividade do tambaqui e da cachara em sistemas de produção em cativeiro e as ferramentas genômicas vão auxiliar no alcance desse objetivo”, acredita o biólogo Eduardo de Sousa Varela, da área de genética da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), que participa do trabalho de sequenciamento dos peixes.

Para os piscicultores, o conhecimento do genoma poderá trazer avanços importantes no manejo genético dos plantéis de matrizes das duas espécies. Devido à falta de boas ferramentas e processos adequados para controle genealógico de reprodutores, os produtores de alevinos podem frequentemente efetuar acasalamentos entre peixes aparentados, e consequentemente gerar animais com deformações e baixa performance produtiva, entre outros problemas genéticos. “As informações que estão sendo mineradas pela equipe serão inicialmente utilizadas para gerar ferramentas moleculares para aprimorar o manejo genético dos plantéis de reprodutores das propriedades que trabalham com essas espécies”, explica Alexandre Rodrigues Caetano, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e coordenador da Rede Genômica Animal.

Com uma futura análise genética subsidiada pelos genomas sequenciados, será possível detectar a relação parental entre os animais e recomendar ao produtor os melhores casais a serem formados, favorecendo o distanciamento genético entre as matrizes e as características dos animais que são almejadas. “Com as informações que estão sendo geradas, além de organizar cruzamentos, o melhoramento genético dos peixes poderá em um futuro breve utilizar de métodos avançados, como a seleção genômica, para gerar linhagens mais produtivas e adaptadas aos sistemas de produção em cativeiro”, informa Caetano.

Outro foco dos trabalhos em execução pela equipe é o desenvolvimento de ferramentas robustas para identificação de híbridos. Em condições de cativeiro, é comum o cruzamento de espécies diferentes gerando os chamados híbridos interespecíficos. Essa prática ocorre especialmente entre surubins: cacharas podem ser cruzadas com pintados, ou com jundiás-da-amazônia; e entre peixes redondos: cruzamentos entre tambaquis e caranhas ou tambaquis e pacus. Os resultados dessas uniões, pintacharas e tambacus, por exemplo, têm sido amplamente utilizados para engorda e abate no setor produtivo, e excepcionalmente podem ser usados como matrizes por alguns produtores, já que são férteis. A cada nova geração, fica mais difícil saber se o animal é puro ou híbrido e qual seria o grau dessa mistura e suas eventuais consequências, gerando uma grande dificuldade para o controle do perfil genético das matrizes.

Dados gerados com o sequenciamento do genoma referência foram minerados para identificar centenas de marcadores moleculares úteis para identificar peixes híbridos. Cálculos estatísticos mostram que os marcadores prospectados poderão detectar o grau de hibridação de cada animal, mesmo após várias gerações de cruzamentos absorventes com uma das espécies de interesse. Com as ferramentas geradas que se encontram em fase de validação, será simples identificar cruzamentos antigos que alteraram a pureza dos peixes.

Identificando fraudes

Entre as aplicações que esse conhecimento poderá ter está a de identificar fraudes no mercado varejista. “Caso um frigorífico troque um filé da espécie de peixe descrita na embalagem por outra, um teste genético a ser desenvolvido a partir desses marcadores identificará a fraude”, exemplifica o geneticista Anderson Luis Alves, que participou do trabalho de sequenciamento dos peixes brasileiros e que hoje atua na Embrapa Produtos e Mercado. O especialista acredita que os resultados dos sequenciamentos também subsidiarão a criação de ferramentas para o controle de escapes de animais para o ambiente natural.

Pesquisas para caracterizar o transcriptoma da cachara, a parte do genoma que o animal expressa em seu RNA, também já foram concluídas. “Trata-se de uma informação importante e complementar ao genoma, a qual também auxiliará na identificação de marcadores moleculares”, informa a pesquisadora Luciana Cristine Vasques Villela, da Embrapa Pesca e Aquicultura, a qual desenvolveu o trabalho durante seu doutoramento. A pesquisa resultou ainda no sequenciamento do genoma mitocondrial da cachara. O DNA encontrado na mitocôndria, organela responsável pelo metabolismo energético da célula, é formado somente por material genético herdado da mãe, o que o torna ideal para investigações de filogenia, ciência que estuda a história evolutiva das espécies. “O genoma mitocondrial permite observar a variabilidade genética entre populações, determinar a distância genética entre grupos e estimar o local de origem de uma espécie, por exemplo”, esclarece Villela ao frisar ser também essa outra fonte importante para identificação de marcadores.

Seleção genômica

O uso das ferramentas genômicas tem acelerado o melhoramento genético das espécies. Os métodos usados tradicionalmente para identificar animais de melhor desempenho para utilização como reprodutores depende da mensuração das características de interesse nos próprios animais, quando possível, assim como nos seus descendentes, o que geralmente é demorado e apresenta custos elevados. No processo chamado de seleção genômica dados de dezenas de milhares de marcadores genéticos podem ser utilizados para determinar o valor genético de um indivíduo, assim que possa ser coletada uma amostra de seu DNA. “Nós estamos desenvolvendo um trabalho amplo, essencial para gerar ferramentas com perspectivas de aplicação a curto, médio e longo prazo”, explica Alexandre Caetano.

Não por acaso, os peixes de grande importância econômica mundial já tiveram seus genomas sequenciados. É o caso do ornamental peixe-zebra (Danio rerio), do salmão (Salmo salar) e da tilápia (Oreochromis niloticus), a espécie mais produzida pela piscicultura nacional. Ferramentas e métodos para aplicação da seleção genômica no melhoramento do salmão já estão sendo amplamente utilizadas nos programas de melhoramento dos principais países produtores. Originária da África, a tilápia é a espécie mais cultivada do Brasil e movimenta uma cadeia produtiva de nível tecnológico bem desenvolvido apresentando um desempenho zootécnico ainda não igualado por espécies brasileiras. Para os pesquisadores, a elevação tecnológica da cadeia produtiva dos peixes nativos aos patamares conquistados na tilapicultura dependerá, necessariamente, do uso de ferramentas genômicas para solucionar questões básicas de manejo genético de reprodutores e posteriormente melhoramento genético.

“Dados genéticos são, atualmente, ativos valiosos no mercado agropecuário, pois geram resultados sensíveis ao produtor. Esse fato é bem conhecido na bovinocultura, por exemplo”, compara Alves. Como exemplo, ele conta que um kit identificador de marcadores moleculares específicos pode ser licenciado a laboratórios especializados e gerar royalties. “Além da importância do conhecimento gerado, os resultados que ele promove também serão positivos para toda a cadeia produtiva”, diz o especialista frisando que os dados genômicos agregarão qualidade e valor ao pescado nativo. “Os marcadores genéticos foram desenvolvidos para atender aos produtores de alevinos e resultarão em peixes de melhor desempenho produtivo e, consequentemente, maior rendimento no frigorífico e maior qualidade do pescado para o consumidor”, afirma o pesquisador.

Tamanho do mercado

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015 foram produzidas quase 136 mil toneladas de tambaquis, o que corresponde a mais de 28% do total do pescado produzido pelo setor aquícola naquele ano. A maior parte dessa produção ocorreu na região Norte, com expressivo destaque para Rondônia, responsável, no ano em questão, por quase 48% de todo o tambaqui do País. À frente do tambaqui, está apenas a tilápia que contabilizou mais de 219 mil toneladas produzidas em 2015 e cuja produção concentra-se nos estados de São Paulo e Paraná.

Embora a produção nacional de pescado tenha crescido 123% entre os anos de 2005 e 2015, o Brasil ainda importa mais do que produz. “Para que a balança comercial do pescado se inverta, é necessária a adoção de tecnologias que aumentem a produção nacional e as ferramentas genômicas são ativos importantes nesse processo”, analisa Alves.

Além das ações de pesquisa na área de genômica, a equipe de cientistas está envolvida na formação de um banco de germoplasma de espécies nativas com potencial aquícola, o qual servirá de base para estruturação de programas próprios de melhoramento genético no País. O principal foco desse banco será a conservação de recursos genéticos das espécies garantindo a manutenção das características genéticas e servindo de repositório futuro para a produção em grande escala.

O sequenciamento genético do tambaqui e da cachara representa um passo importante para a pesquisa brasileira, pois abre perspectivas de desenvolvimento de tecnologias aplicadas, que poderão, em um futuro próximo, colaborar para melhorias nas cadeiras produtivas das espécies. Ganharão as cadeias produtivas, que poderão contar com processos produtivos mais eficientes e tecnificados, com maior produtividade e lucratividade, e os consumidores, que encontrarão produtos de melhor qualidade, em abundância e com preços atrativos.


China, maior produtor da nossa pirapitinga?

Olá produtores, estudantes e profissionais da Aquicultura, trago essa curiosa reportagem realizada pela Aquaculture Brasil a respeito da pirapitinga, receio que ficarão surpreso ao saber que a China é o maior produtor de uma espécie originária da Amazônia.

China, maior produtor da nossa pirapitinga?



Como assim?

Pois então caro leitor, a pirapitinga (Piaractus brachypomus), popularmente conhecida como pacu negro ou caranha, espécie nativa da Bacia Amazônica e do Araguaia-Tocantins, é mais cultivada na China do que no Brasil! Bem mais…

Uma das curiosidades que vimos na Seafood Expo North America foi uma empresa chinesa que produz o red pomfret ou red pacu. Os chineses comercializam nossa pirapitinga como “pacu”.

Para compreender melhor tudo isto, nosso coeditor Artur Rombenso conversou com o representante comercial desta empresa, o qual passou algumas informações com exclusividade para a Aquaculture Brasil.



A pirapitinga é comercializada congelada, em tamanho pequeno (entre 600-800g) e exportada principalmente para Europa e África. A produção é considerável: somente esta empresa comercializa em torno de três containers por mês durante os meses de verão.

O mais incrível ainda você mesmo pode atestar. Faça uma busca no site www.alibaba.com colocando o termo “red pacu”. Aparecerão 141 empresas comercializando a nossa pirapitinga!!!

Tentamos levantar os dados oficiais de produção de pirapitinga na China, mas até o fechamento desta notícia não obtivemos nada concreto. Sabemos que se tratam de milhares de toneladas por ano. Muito mais do que a produção brasileira, que segundo o IBGE (2016), representa algo em torno de 3,5 mil toneladas.

Um artigo publicado na Revista Global Aquaculture Advocate (Liu, Li & Wang, 2007) a 10 anos atrás já elucidava esta questão. Segundo os autores: “Algumas espécies de peixes introduzidas têm um papel fundamental e estão contribuindo com um aumento significativo na aquicultura de água doce da China, particularmente tilápia, largemouth bass, catfish e red pacu”. Olha aí um peixe redondo brasileiro contribuindo com a produção asiática de pescado!



segunda-feira, 6 de março de 2017

Industria de Processamento de Pescados "Peixes da Amazônia" está certificada para exportar para os Estados Unidos

Peixes da Amazônia está oficialmente certificada para exportar pescado para os Estados Unidos. Certificação foi emitida na sexta, 24 (Foto: Ricardo Stuckert).

Acre (AC) - Mais uma grande conquista para a indústria acreana: o Complexo de Piscicultura Peixes da Amazônia está oficialmente certificado para exportar o pescado do Acre para os Estados Unidos da América (EUA).

O secretário de Indústria e Comércio do Acre, Sibá Machado, disse que as negociações com o mercado americano se iniciaram ainda no ano passado, tendo forte intervenção do governo. Com a ida do governador Tião Viana aos Estados Unidos em janeiro deste ano, foi possível avançar nas negociações e dar celeridade à emissão da certificação.

“O Serviço de Inspeção Federal (SIF) autoriza a exportação da Peixes, mas cada país tem regra própria, por isso estamos contactando outros países para ofertar o nosso produto. Foram feitos vários testes rigorosos até se chegar a essa certificação. Com esse resultado, a Peixes está apta a vender pescado para os EUA”, contou o gestor.

Presente nas principais redes de supermercado e restaurantes do Brasil, o pescado produzido e processado no Acre avança consolidando mercados nos grandes centros e também fora do país. Só para o Peru, por exemplo, a empresa já exporta cerca de 20 toneladas de pescado a cada dez dias.

“Conseguir a certificação em outros mercados, como os Estados Unidos, que é altamente exigente e tem um consumidor estratégico, é um passo e tanto para o Acre. Esse certificado só foi conquistado graças ao atendimento de um conjunto de exigências do ponto de vista sanitário e de qualidade dos nossos produtos. Em breve nossa carteira de clientes nos EUA estará consolidada”, afirmou Inácio Moreira, diretor da Agência de Negócios do Acre (Anac).

Política de expansão de mercado

A Peixes da Amazônia avança numa política de expansão no mercado nacional e internacional com firmeza e celeridade. Com produtos de alto valor agregado, conquistou grandes mercados do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. A expansão segue com prospecção para as vendas internacionais, como é o caso da China, que está etapa de negociação avançada.

Um cliente bastante estratégico da indústria nesse aspecto, é a LSG Sky Chefs, empresa multinacional e uma das maiores fornecedoras de refeições para diversas empresas aéreas que fazem rotas nacionais e internacionais.

“Esse é um espaço de degustação estratégico que pauta os restaurantes de outros países, quando os clientes degustam nosso pirarucu e o pintado e propagam a qualidade do nosso produto”, destacou Moreira.

Em pleno funcionamento, a Peixes da Amazônia tem estrutura e capacidade para alcançar a cifra de até 20 mil toneladas de peixe processados por ano, o que pode resultar num faturamento anual de até R$ 270 milhões. Atualmente, funciona utilizando cerca de 20% de sua capacidade com perspectivas de avanços e progressões nos próximos meses.


1º Seminário Peixe Saudável ocorrerá em Rondônia



Rondônia (RO) - O governo do Estado de Rondônia realizará nessa semana o primeiro Seminário Peixe Saudável. Trata-se de uma sequência de eventos em três municípios do estado, abrangendo as principais regiões produtoras de peixe do estado. Neles, produtores, técnicos e estudantes terão a oportunidade de atualização da técnica sobre as boas práticas no manejo sanitário preventivo na produção de peixes.

Assuntos, como o Gerenciamento Aquícola, Avaliação Sanitária em Tambaqui, Projeto Acanthocéfalos na Criação de Tambaqui, Peixes e Ações para Desenvolvimento da Piscicultura em Rondônia, entre outros, serão abordados durante palestras. Todos os Seminários Peixe Saudável iniciam às 8h. A entrada é gratuita e a inscrição é feita no local do evento.

O primeiro evento será em Ariquemes, na quarta-feira, das 8h às 18h, no auditório da Associação Comercial e Industrial (Acia). Na quinta-feira (9), no mesmo horário, acontecerá em Ji-Paraná, no Centro de Treinamento da Emater-RO (Centrer). Por fim, o evento acontecerá em Pimenta Bueno, no dia 10, na Câmara Municipal.

Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Evandro Padovani, a não observância às questões de sanidade da piscicultura no estado representa riscos para a atividade no campo, na indústria e no comércio. “O seminário promoverá a divulgação de informações e técnicas que juntas poderão atestar uma produção responsável do ponto de vista sanitário, assegurando maior retorno ao produtor e garantindo um produto saudável na mesa do consumidor”, explicou Padovani.

PRODUÇÃO

Rondônia é o maior produtor de peixes nativos da bacia amazônica, segundo o relatório de “Produção da Pecuária Municipal de 2015”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatista (IBGE). Em 2015 foram produzidas mais de 84 mil toneladas. Hoje são exportados tambaqui, pirarucu e pintado para mais de 17 estados, entre eles Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, São Paulo, Tocantins, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

O sólido desenvolvimento dos polos produtivos e industriais de Rondônia depende da adoção pelos produtores de protocolos sanitários que assegurem a qualidade do peixe, o escoamento da produção e o incremento dos lucros, conforme destacou o superintendente de Desenvolvimento, Leandro Basílio.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

CATI disponibiliza sistema DCAA e aquicultores já podem contar com facilidades na regularização da atividade


São Paulo (SP) - O dia 17 de fevereiro era muito esperado por aqueles que se dedicam à aquicultura, como piscicultores, ranicultores e criadores dos mais variados animais aquáticos como mariscos, ostras, algas, entre outros. É que nesta data a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), passou a disponibilizar no site da instituição o formulário para a Declaração de Conformidade da Atividade Aquícola (DCAA). Agora, aqueles que tem uma dessas atividades previstas já podem fazer a declaração. A medida integra as ações do Programa de Modernização e Desburocratização da Agricultura - Agrofácil SP, lançado no último dia 20, e que pretende facilitar os procedimentos para a execução das atividades agropecuárias pelos produtores rurais.

“A DCAA é autodeclaratória, portanto o interessado, seja proprietário ou arrendatário, deve abrir o link, preencher a Declaração, inserindo todos os dados solicitados e ir à Casa da Agricultura do seu município ou à Regional CATI à qual o município esteja vinculado”, explica o zootecnista Francisco Rodrigo Martins, assessor técnico e responsável na CATI por atender a essa demanda.

O coordenador da CATI, João Brunelli Júnior, explica que esse “foi um ganho” para os aquicultores e o Estado de São Paulo é pioneiro em facilitar o licenciamento da atividade para aqueles que produzem em menor escala. Brunelli explica que a Declaração não dispensa o produtor de todas as outras obrigações, o que abrange tirar todas as licenças necessárias, outorga da água, licença para exercer a atividade em água da União, entre outras. “O produtor deve estar atento a tudo isso para não incorrer em erros que podem prejudicar a sua licença e até acarretar multas”, afirma Brunelli.

“O licenciamento foi dividido em três níveis conforme a escala de produção. O primeiro é a DCAA, este ato declaratório agora disponibilizado pela CATI. A seguir, ultrapassando as escalas determinadas para cada atividade em específico, e que podem ser encontradas no próprio link, vem o Licenciamento Simplificado e, para escalas maiores de produção em quaisquer das atividades, o Licenciamento Pleno; estes dois últimos devem ser feitos junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)”, explica Francisco Martins.

Segundo o técnico da CATI, esta era uma antiga reivindicação dos aquicultores porque a Declaração de Conformidade já existia para várias atividades agropecuárias, como produção de milho, soja, entre outras, de forma adequada, mas para a aquicultura faltavam adequações ou ainda havia todo um trâmite burocrático que fazia com que o licenciamento da atividade se tornasse muito demorado. “Agora, tendo a DCAA preenchida, o produtor, proprietário ou arrendatário deve comparecer à Casa da Agricultura ou a qualquer Escritório Regional (CATI Regional) levando carteira de identidade, o Cadastro de Pessoa Física (CPF), a escritura da propriedade ou o contrato de arrendamento, conforme for o caso.

O coordenador da CATI e Francisco Martins acreditam que essa medida facilitadora poderá impulsionar a atividade e agilizar os trâmites para que os pequenos possam trabalhar de forma segura e cumprindo a legislação. O Decreto que possibilitou essas alterações foi assinado pelo governador Geraldo Alckmin em novembro de 2016 e as Resoluções e a Portaria que o Decreto exigiu em novembro e dezembro de 2016. Mais informações podem ser obtidas em qualquer unidade da CATI em todo o Estado.