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sábado, 4 de fevereiro de 2023

Publicação da Epagri sobre o cultivo de ostras

 


O manual sobre o cultivo de ostras, servir como apoio a investidores, produtores, técnicos e estudantes que buscam informações para dimensionar, implantar e gerenciar uma fazenda de ostras. Este é o objetivo do “Manual do cultivo de ostras”, recém-publicado pela Epagri. Organizada pelo biólogo Felipe Matarazzo Suplicy, pesquisador da Epagri/Cedap, a obra tem a colaboração de 13 coautores de vários estados brasileiros.

Os 14 capítulos do livro reúnem uma série de informações relacionadas ao cultivo de ostras, desde a seleção de local, captação natural e produção de sementes em laboratório, sistema berçário para sementes de ostras, sistema de cultivo e técnicas de manejo empregadas, serviços ecossistêmicos associados ao cultivo de ostras, doenças e enfermidade que acometem os cultivos, análise econômica e financeira, cuidados na seleção e armazenagem de ostras, aspectos sanitários e receitas com essas iguarias.

“Embora o Brasil disponha de uma costa de 9,2 mil km e a ostreicultura já contribua para a economia de vários municípios catarinenses e de outros estados costeiros, ainda existe uma longa curva de aprendizagem e de aperfeiçoamento das etapas da cadeia produtiva para que o Brasil figure entre os principais produtores mundiais de ostras”, afirma Felipe. Com a obra os autores pretendem contribuir com uma publicação abrangente e atualizada sobre o assunto.

O livro possui 256 páginas, 163 ilustrações e está disponível para venda no setor de publicações da Epagri. A obra impressa custa R$60,00 (custos com envio já inclusos) e pode ser solicitada pelo e-mail: demc@epagri.sc.gov.br. Outra forma de adquirir o exemplar é pelo meio digital, em formato pdf no link AQUI.


Produção catarinense de ostras

Foto: Marco Santiago/Arquivo/ND.

O Brasil é o 17º produtor mundial de ostras. Os estados produtores são Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas, Sergipe, Pará e Maranhão. Segundo a Secretaria da Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural de SC, a produção catarinense de ostras em 2018 foi de 2.205 toneladas, com a atuação direta de 111 maricultores e um valor total estimado em R$19,1 milhões.

Atualmente Santa Catarina é o maior produtor nacional de moluscos, respondendo por cerca de 95% da produção brasileira de mexilhões e ostras. Essa produção movimenta a economia catarinense: vários restaurantes especializados se estabeleceram nas cidades litorâneas e novas rotas gastronômicas foram criadas, com a geração de centenas de empregos atrelados ao processamento, à distribuição e ao comércio de ostras.

Fonte: www.epagri.sc.gov.br

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Secretaria da Agricultura libera todas as áreas de maricultura em SC

 


A Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural anunciou a liberação de todas as áreas de cultivo de moluscos em Santa Catarina.

Ou seja, está permitida a retirada e comercialização de ostras e mexilhões e seus produtos, inclusive nos costões e beira de praia no litoral.

A liberação total acontece após três meses de consecutivas interdições devido à presença de toxina diarreica acima do limite permitido nos moluscos.

“A maricultura passou por grandes desafios este ano e é importante destacar a parceria com a Cidasc na rápida identificação do problema e interdição, garantindo um produto de qualidade para os consumidores. Além disso, reforçamos as coletas para liberar as áreas o mais rápido possível, viabilizando o retorno das atividades da maricultura”, destaca o secretário da pasta, Ricardo de Gouvêa.


MONITORAMENTO

Santa Catarina é o único estado do país que faz o monitoramento permanente das áreas de cultivo.

O Programa Estadual de Controle Higiênico Sanitário de Moluscos é um dos procedimentos de gestão e controle sanitário da cadeia produtiva, permitindo maior segurança para os produtores e consumidores.

A Cidasc atua em parceria com a Seção Laboratorial Avançada de Santa Catarina (SLAV/SC) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).


NÚMEROS

Santa Catarina é o maior produtor de moluscos do Brasil. São 565 maricultores distribuídos em 11 municípios e gerando cerca de 2 mil empregos diretos. Em 2017, a produção girou em torno de 13,7 mil toneladas de mexilhões, ostras e vieiras.

Fonte: www.economiasc.com.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Manejo sustentável de ostras

Em Curuçá, catadores querem evitar fim dos recursos 

Nas fotos, cenas da pesquisa de campo realizada por Rafael Diaz, na Vila de Lauro Sodré, em Curuçá, onde o manejo sustentável está ajudando a frear a exploração desordenada dos recursos pesqueiros.

Por Vitor Barros Fotos Acervo do Pesquisador

Não são poucas as pesquisas que têm se debruçado sobre o litoral brasileiro e sobre a pressão atual em relação aos seus recursos naturais. Por essa área ter dimensões continentais e por possuir cerca de 700 mil pescadores em atividade, estes estudos buscam verificar quais são os fatores que levam à escassez desses recursos, na tentativa de visualizar soluções para frear sua diminuição. Na Região Amazônica, o crescimento dos centros urbanos e a alta procura pelos recursos pesqueiros provocaram a intensificação da pesca. Combinada à tecnológica, a atividade resultou no aumento da exploração dos recursos pesqueiros.

Como alternativa, a Fundação das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) adotou a maricultura como uma das estratégias para frear a pressão sobre os recursos marinhos de uso comum em todo o mundo. Apesar de esta prática ainda ser pouco difundida no litoral amazônico, composto por uma extensa floresta de manguezais, o local se mostra propício para tal cultivo.

A Vila de Lauro Sodré, que pertence ao município de Curuçá, no nordeste paraense, é um exemplo de que o manejo sustentável é uma prática viável. A experiência dos catadores de ostras do lugar é relatada pelo mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA) Rafael Diaz, na dissertação As populações pesqueiras e a maricultura: um olhar sobre os processos de diminuição dos recursos pesqueiros no litoral paraense – Resex Mãe Grande de Curuçá. O trabalho foi orientado pela professora Voyner Cañete e apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aquática e Pesca (ICB/UFPA).

Rafael Diaz, formado em Oceanografia, tem uma relação afetiva com o litoral paraense de longa data, desde a graduação. Esse interesse o levou a estudar a relação das pessoas com os recursos naturais. No mestrado, ele pôde pesquisar os moradores de Lauro Sodré, cuja principal atividade econômica se baseia no extrativismo e no cultivo de ostras. “O meu trabalho foi conversar com as pessoas que fazem parte de uma associação de catadores de ostras e entender como, de certa forma, elas estão colaborando para a manutenção do recurso ambiental (ostra) no litoral paraense”, completa o pesquisador.

Pesquisador analisou logística e comercialização 

O estudo faz uma reflexão da relação dos associados da Cooperativa Associação de Aquicultores da Vila de Lauro Sodré (Aquavila) com o extrativismo e outras formas de manejo dos recursos pesqueiros à luz dos conceitos da Ecologia Humana e da Ecologia Política. “Percebo a ecologia não apenas com os parâmetros biofísico-químicos do ambiente. A pesquisa deve considerar as pessoas que moram e estão inseridas no contexto estudado. Afinal, a política e a organização social, além dos aspectos ambientais, interferem também na manutenção dos ecossistemas”, avalia Rafael Diaz.

Para a concretização dessa pesquisa, Rafael fez observação direta, colhendo os dados no local. Foram quatro viagens, com estada de uma semana no local. Foram aplicados questionários e realizadas entrevistas com membros da cooperativa. O pesquisador teve a oportunidade de acompanhar o processo completo: do cultivo, passando pela coleta e extração, até a venda dos mariscos. Assim, pôde analisar a logística e as formas de comercialização do produto.

O autor observou duas famílias cujos membros constituem a maior parte dos associados – as famílias Pinheiro e Galvão. “O trabalho de campo possibilitou conhecer melhor essas famílias e seu cotidiano, objetivando entender suas estratégias de manejo dos recursos comuns, sua relação com os mercados e a forma de comercialização dos produtos”, destaca.

São duas as formas de obtenção de ostras, em Lauro Sodré: uma pelo extrativismo e outra pelo cultivo, ambas são formas de manejo. Porém, por vários motivos, incluindo o rápido retorno financeiro e a disponibilidade ainda abundante do recurso, na Vila, a maioria das pessoas opta pelo extrativismo.

Aquicultores temem a exploração desordenada 

Os associados revelam diferentes formas de manejo e o cultivo vem se tornando uma estratégia eficaz para frear a diminuição dos recursos naturais na localidade. De acordo com a dissertação, “os aquicultores entendem o extrativismo como de suma importância para os moradores da vila de Lauro Sodré e acreditam que, quando a atividade extrativista decair, em razão da exploração desordenada, quem vive dessa prática terá que buscar a solução na aquicultura”.

Diante das diferenças na logística de venda e no manejo das ostras, o pesquisador diz que existe uma racionalidade ambiental entre os associados, cuja atividade possui um conjunto de regras, que apresenta aspectos sustentáveis.

Mas esses dados são capazes de mensurar realmente a sustentabilidade desse manejo? Rafael Diaz responde que, considerando o tempo em que se trabalha a maricultura em Lauro Sodré (apenas seis anos), é importante ter cautela ao usar a palavra sustentabilidade. “Observa-se o esforço dos associados para difundir o cultivo e a dedicação na busca por novos pontos. Isso nos faz acreditar em um próspero futuro para esta associação, cujo objetivo é diminuir o extrativismo”, afirma.

Quando a associação foi fundada em 2006, a Aquavila contava com 42 associados, que foram desistindo ao encontrarem obstáculos. Atualmente, a Aquavila apresenta apenas 13 associados (sete homens e seis mulheres), com faixa etária entre 20 e 60 anos. “A falta de incentivos por parte do Estado e a atividade extrativista, ainda muito presente na vila de Lauro Sodré, são vistas como principais fatores para o afastamento dos associados”, acrescenta Rafael Diaz.

A ostra adulta é o principal produto de venda da Aquavila. Os compradores mais assíduos são de Terra Alta, Castanhal, Outeiro e Mosqueiro. Apenas um associado vende para localidades mais distantes, como Marabá e Imperatriz (MA). Há também a venda de ostras na própria vila de Lauro Sodré.

Ed.146 - Dezembro e Janeiro de 2018/2019

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As populações pesqueiras e a maricultura: um olhar sobre os processos de diminuição dos recursos pesqueiros no litoral paraense – Resex Mãe Grande de Curuçá

Autor: Rafael Diaz

Orientadora: Voyner Cañete

Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aquática e Pesca (PPGEAP/ICB).


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Projeto desenvolve levantamento de custos para produção de ostras em Santa Catarina

O município de Florianópolis sediou o primeiro painel sobre ostras do País


Santa Catarina (SC) - O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), promoveu nesta semana o projeto Campo Futuro desenvolvido, em âmbito nacional, pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O município de Florianópolis sediou o primeiro painel sobre ostras do País. A aquicultura entrou no projeto em 2014 e, até o momento, foram promovidos 27 painéis em todo o Brasil nos quais foram trabalhadas tilápia, peixes redondos, pirarucu e camarão.

O Campo Futuro disponibiliza informações estratégicas para facilitar a tomada de decisões do produtor rural, mediante o acesso a um completo banco de dados do setor agropecuário, com a evolução sistemática dos custos de produção e da rentabilidade das principais atividades agrícolas e pecuárias e da publicação Ativos do Campo.

O projeto é desenvolvido por técnicos da CNA e da EMBRAPA. Os produtores rurais aprendem, de forma prática, a elaborar o orçamento e o custo de produção da sua atividade, além de utilizar instrumentos para o gerenciamento de riscos de preços, como derivativos agropecuários ou de produção e o seguro rural.

O superintendente do SENAR/SC Gilmar Antonio Zanluchi esclareceu que a metodologia do painel consiste na definição da propriedade típica da ostra. A qual se refere à realidade mais comum da região e de um determinado produto, considerado no estudo. Um grupo formado por técnicos e produtores conhecedores da realidade local se reúne para construir um sistema de produção mediante um debate aberto. “Juntos, eles montam uma planilha de custos de insumos e receita da faixa mais representativa da produção de cada município”, finalizou Zanluchi.

Durante o painel foi desenvolvido o levantamento de custos de produção de ostras com base no preenchimento de uma planilha em conjunto com produtores, professores e técnicos da área. A metodologia utilizada foi a de custo operacional efetivo, operacional total e custo total. “Com essas informações a CNA consegue levantar os principais aspectos que pesam na rentabilidade do produtor e realizar ações junto ao legislativo e executivo em Brasília, tentando sanar os problemas identificados”, esclareceu a assessora técnica da Comissão Nacional de Pesca da CNA, Lilian Figueiredo.

Também participam do projeto a FAESC, os Sindicatos Rurais, o SENAR, a EPAGRI e a EMBRAPA. “Os dados coletados também são direcionados para ações da Embrapa, nas questões de pesquisa e transferência de tecnologia do setor”, acrescentou Lilian.

De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, esses indicadores têm como base os levantamentos de dados - chamados de painéis - realizados nos municípios representativos na produção agropecuária. “Depois, é feito o acompanhamento mensal dos preços dos insumos e dos custos de produção nessas localidades”, explicou Pedrozo.