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domingo, 8 de setembro de 2024

Cursos de produção de tilápia alavancam a produção em Santa Catarina

Embora as condições locais não sejam as mais favoráveis, Santa Catarina está nas primeiras posições da piscicultura nacional. O relevo acidentado, o clima subtropical e a pequena extensão territorial não são obstáculos para os 30 mil piscicultores que produzem mais de 50 mil toneladas de peixes por ano. Desse total, 80% da produção é de tilápia – no cultivo dessa espécie, os catarinenses já ocupam a quarta posição no ranking brasileiro.

As tilápias correspondem a 80% da produção de peixes em Santa Catarina.

A tilapicultura vem crescendo de forma acelerada em Santa Catarina: em 2022, o Estado produziu 42 mil toneladas, contra 26,8 mil toneladas em 2014. Estima-se que a atividade movimente R$ 650 milhões por ano, apenas na produção primária.

As regiões Litoral Norte e Litoral Sul do Estado são as que puxam os números para cima. Nos últimos dez anos, a produção de tilápia na região de Tubarão, no Sul, saltou 286%, alcançando 13 mil toneladas por ano. A produtividade média dos viveiros escalou 288%, chegando às 28,8t/ha – o maior índice de Santa Catarina.

O impulso para esse crescimento está na profissionalização dos produtores. A Epagri aposta nessa estratégia há mais de 30 anos e, na última década, vem intensificando os cursos de produção de tilápia em seus centros de treinamento de Joinville (Cetreville) e Tubarão (Cetuba). Nos últimos dez anos, 781 produtores e técnicos foram capacitados em cursos básicos e avançados nesses municípios.

Lucro e sustentabilidade

As capacitações atraem piscicultores de todas as regiões catarinenses e até de outros estados e países. Durante períodos que variam de 2 a 5 dias, em aulas teóricas e práticas, os participantes mergulham no conhecimento e aprendem a criar tilápias de forma sustentável e lucrativa.

Cursos de piscicultura da Epagri profissionalizam os produtores e impulsionam o setor no estado.

O curso básico aborda temas como infraestrutura básica, anatomia da espécie, capacidade de suporte dos viveiros, povoamento e manejo dos alevinos, manejo em sistema bifásico de produção, manejo alimentar e de qualidade da água e custos de produção. Os participantes também visitam propriedades rurais referências na tilapicultura – as Unidades de Referência Técnica (URTs).

Para quem deseja mergulhar mais fundo, a Epagri ainda oferece o Curso Avançado de Produção de Tilápia em Tubarão. Nele, os piscicultores aprendem de forma aprofundada sobre planejamento, gestão, infraestrutura e manejo para altas produtividades, sanidade aquícola e uso de aditivos alimentares e de biorremediadores.

Produção de tilápia sem amadorismo

A possibilidade de obter renda elevada em pequenas áreas é um dos principais atrativos da tilapicultura. No Litoral Norte e no Litoral Sul de Santa Catarina, a margem bruta anual variou, em média, entre R$ 75 e R$ 120 mil por hectare em propriedades acompanhadas pela Epagri na safra 2023/24. Mas, para alcançar esses resultados, é preciso ter conhecimento.

Sem espaço para amadorismo, a piscicultura vem conquistando áreas nobres nas propriedades rurais.

“O modelo comercial de produção de tilápia praticado no Litoral de Santa Catarina não permite amadorismo. Estamos falando de uma atividade de alta densidade econômica que, como tal, possibilita alta rentabilidade, mas com riscos elevados.

O piscicultor deve estar treinado para compreender os parâmetros bióticos e abióticos a fim de tomar decisões assertivas. Caso contrário, o risco de mortalidade da produção é muito elevado”, explica o extensionista rural Darci Pitton Filho, corresponsável pela piscicultura no programa de Aquicultura e Pesca da Epagri.

Uso dos recursos hídricos

A sustentabilidade é um tema central dentro dos cursos profissionalizantes, que focam na legalização da atividade e no uso consciente dos recursos hídricos. “Antigamente, se pensava em praticar piscicultura nas áreas de várzeas das propriedades, impróprias para a agricultura tradicional, geralmente com barramento dos cursos hídricos. No entanto, através do conhecimento adquirido, e com as restrições legais sobre o uso dessas áreas, os viveiros produtivos estão ocupando áreas consideradas mais nobres nas propriedades, que antes eram utilizadas para lavouras”, detalha Darci.

Com a publicação da Lei Estadual nº17.622, de 17 de dezembro de 2018, o processo de licenciamento ambiental para a piscicultura passou a ser viável para os produtores do Estado, especialmente os de pequeno porte. Hoje, boa parte da produção comercial no Litoral Norte e no Litoral Sul do Estado possui licença ambiental, atendendo os parâmetros de controle de efluentes e mitigação dos riscos ambientais exigidos pelos órgãos competentes.

O conhecimento técnico traz segurança para os produtores investirem na piscicultura de forma intensiva.

Investimentos e políticas públicas

Depois do curso, o apoio da Epagri aos piscicultores segue porteira adentro. Quando retornam para seus municípios, os produtores são acompanhados pelos extensionistas e incentivados a colocar em prática o que aprenderam. O conhecimento também traz segurança para investir em tecnologia e aumentar a densidade de povoamento dos viveiros.

Graças a esse trabalho, a produção de peixes deixa de ser vista como uma atividade terciária e sem atrativo econômico para ganhar importância na renda da família. O cenário de baixa produtividade, pouco uso de tecnologia e grandes áreas de lâmina d’água sem uso vai dando espaço para a condução da atividade de forma mais intensiva.

Somente em 2023, na região de Tubarão, a Epagri realizou projetos para construção de 18 viveiros de tilápia em propriedades de piscicultores egressos dos cursos. No mesmo ano, ao menos 22 ex-participantes melhoraram seus sistemas produtivos com o apoio de políticas públicas de crédito para a piscicultura.

Tecnologia de ponta para a produção de tilápia

O curso da Epagri coloca os produtores em contato com as tecnologias mais avançadas para a produção de tilápias. E a fonte disso são as pesquisas que a empresa conduz no Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap). Um dos destaques desse trabalho é a seleção de tilápias mais resistentes a doenças e com melhor desempenho nas condições de cultivo de Santa Catarina.


Essas pesquisas têm contribuição decisiva para o crescimento da piscicultura brasileira. Desde 2017, a Epagri já forneceu 197 mil matrizes de tilápia para produtores de alevinos catarinenses e de outros estados brasileiros. Aqui no Estado, 85% dos produtores de alevinos de tilápia usam material genético da Epagri.

O último lançamento foi a Tilápia Epagri SC 04, que se destaca por alcançar maior peso final em cultivos intensivos em viveiros escavados nas condições climáticas de Santa Catarina. “O ganho em crescimento das tilápias ao longo de quatro gerações de linhagens desenvolvidas pela Epagri nesses anos é estimado em 33,9%”, explica o pesquisador Bruno Corrêa da Silva. Em 2023, o melhoramento genético de tilápia desenvolvido pela Empresa gerou um impacto econômico de R$20,6 milhões em ganho de produtividade nas propriedades rurais. Hoje, apenas 2,3 mil dos 30 mil piscicultores de Santa Catarina são profissionais. Com apoio da Epagri, tecnologia de ponta e acesso ao conhecimento, o estado tem o terreno preparado para alavancar ainda mais essa cadeia produtiva de forma lucrativa e sustentável.

Piscicultor de Sangão alcança bom resultado no primeiro ano de produção de tilápias

Em seu primeiro ano como piscicultor, Willyan Scremin espera retirar 85 toneladas de tilápias de seis viveiros construídos na propriedade em Sangão, no Sul Catarinense. O plano para o segundo ciclo, agora em 2024, é dobrar o volume de peixes. E em cerca de dez anos, ele, a mãe e a irmã pretendem ampliar a estrutura para 17 viveiros e produzir 500 toneladas de tilápias por ciclo.

Essa segurança para investir na propriedade, aumentar a densidade de povoamento dos tanques e alcançar bons resultados vem do conhecimento. Desde 2020, Willian conta com apoio da Epagri para investir na piscicultura – uma área totalmente nova para ele, que sequer viveu no meio rural.

Na primeira safra de tilápia, Willyan Scremin alcançou produtividade de 40 toneladas por hectare.

Em 2021, Willyan fez o curso básico no Centro de Treinamento de Tubarão e conheceu as principais tecnologias para o cultivo profissional de tilápias. “Para entregar um produto de qualidade, precisamos ter conhecimento. E o conhecimento da Epagri é essencial. Se não tivesse essa consultoria, não tenho dúvida de que o projeto teria sido um fracasso”, diz o piscicultor.

Depois de capacitado, Willyan elaborou um projeto técnico com a equipe da Epagri e seguiu as orientações à risca. A propriedade ganhou uma estrutura de viveiros, somando 2,1 ha de lâmina d’água, sistema de armazenagem de ração em silos, tratadores automatizados, aeradores com acesso remoto e gerador. Em fevereiro de 2023, os tanques foram povoados com 100 mil alevinos de tilápia da linhagem Gift-Epagri. No mesmo ano, Willyan também fez o curso avançado de produção de tilápia.

No caminho certo

“Estamos finalizando a primeira safra com bons resultados”, comemora o piscicultor, que alcançou produtividade de 40 toneladas por hectare. Os indicadores, acompanhados com atenção, revelam que ele está no caminho certo: “No primeiro tanque, tivemos índice de 33,4% de filé, o que é acima da média. As 85 toneladas de peixes vão resultar em uma renda de R$250 a R$300 mil no ano para a nossa família”, calcula.

William lembra que questões como tipo de terreno, formato e disposição dos tanques e forma de captação de água, por exemplo, são diferentes em cada caso. “Para quem não tem conhecimento no assunto, a ideia de produzir peixe é bem diferente da realidade. A Epagri te leva para dentro da sala para oferecer conhecimento e isso traz segurança, porque nem sempre a realidade de um é a mesma do outro”, explica.

Com o projeto consolidado, a equipe da Epagri segue acompanhando a propriedade em questões técnicas, contábeis e econômicas da piscicultura. O objetivo é torná-la uma Unidade de Referência Técnica, que servirá de modelo para outros produtores da região.

Por Cinthia Andruchak Freitas – Jornalista da Epagri

Fonte: https://www.epagri.sc.gov.br/index.php/2024/08/27/cursos-de-producao-de-tilapia-em-santa-catarina/.

sábado, 13 de abril de 2024

Produção de tilápia cresce em SC aliada a estudos de DNA e peixe se torna queridinho da Quaresma

 No Estado, a cada 10 quilos de peixe de água doce produzidos, 8 são de tilápia.

Rubens Gaulke, produtor de peixes em Pomerode, no Médio Vale do Itajaí. Foto: Evandro de Assis.

A tradição de “secar as lagoas” é comum nessa época do ano em Santa Catarina. Com a ajuda de amigos e vizinhos, criadores de tilápia põem a água barrenta para fora e aproveitam para faturar em tempos em que a carne branca se torna a preferência absoluta dos cristãos. Apesar de 93% dos 31 mil criadores do peixe no Estado serem amadores, segundo a Epagri, um minucioso e profissional estudo de melhoramento genético está por trás do aumento da produção.

Dados de 2015 mostram que foram 30 mil toneladas produzidas em Santa Catarina naquele ano. Em 2022, ano do último levantamento, foram 42,1 mil toneladas, um aumento de 40%. Isso está atrelado a uma linhagem de tilápia chamada de SC04, mais bem-adaptada às características de clima e cultivo nas nossas regiões. Isso ajudou que o Estado, inclusive, se tornasse o quarto maior produtor do peixe em todo Brasil, conforme dados do Ministério da Agricultura. 

A maior eficiência de produção por conta dessa seleção dos melhores indivíduos da espécie possibilita o aumento da oferta e, como consequência, torna a tilápia mais atrativa para a Quaresma em Santa Catarina. Apesar de outros peixes de água salgada terem maior preferencia pelo mercado consumidor em tempos de Páscoa, como o bacalhau, é na carne leve e pouco gordurosa da tilápia que muitos catarinenses encontram a opção para obedecer às tradições cristãs. E tudo isso tem como pano de fundo a oferta de alevinos adequados às condições do Estado.

— Com isso, o projeto de melhoramento de tilápia consegue chegar até o produtor com um animal de ótima qualidade genética para que ele obtenha um bom ganho econômico, atendendo assim a necessidade da cadeia da piscicultura — destaca Bruno Corrêa da Silva, pesquisador da Epagri e coordenador do programa Tilápia SC04.

Nanochips e exame de DNA

Para alcançar esses números, o trabalho de melhoramento genético da tilápia envolve a marcação individual dos peixes pesquisados, por meio de nanochips instalados nos animais. Após a identificação, cada peixe tem um pedaço da nadadeira retirado. Esse material vai para o laboratório de biologia molecular para fazer a análise do DNA e, a partir daí, oferecer insumos para os cientistas.

Só para se ter ideia, um levantamento da Epagri aponta que o ganho em crescimento da tilápia é de 34%, fazendo com que ela se desenvolva mais rápido e, como consequência, seja vendida mais cedo. Entre 2019 e 2022, só para se ter ideia, o lucro operacional por hectare foi de R$ 54,9 mil para os produtores.

— A tilápia virou um peixe da moda porque o filé é carnudo, tem sabor neutro e a espinha fica concentrada bem no meio, fácil de remover. Os cozinheiros e as pessoas em casa têm descoberto cada vez mais a versatilidade da tilápia — analisa o chef alemão Heiko Grabolle, do restaurante Biergarten Pomerânia, um dos estabelecimentos no Estado que aposta no peixe para receitas nesta época do ano.

Quem agradece são os produtores que mesmo sem viver da tilápia, têm no saboroso peixe uma oportunidade de renda extra, caso do casal Lore Wachholz Gaulke e Rubens, que venderam 12 toneladas só na Quaresma do ano passado:

— As tilápias representam 95% das nossas vendas.

Fonte: www.nsctotal.com.br.

sábado, 30 de março de 2024

Programa de melhoramento genético da Epagri usa alta tecnologia para desenvolver tilápias adaptadas ao clima de SC

 

SC produziu 42 mil toneladas de tilápia em 2022 (Foto: Aires Mariga / Epagri).

A Epagri realiza há mais de dez anos o programa de melhoramento genético da tilápia, que resultou na linhagem SC04, adaptada às características de clima e cultivo do Estado. Esse foi um dos fatores que colaborou para que Santa Catarina se tornasse o quarto maior produtor de peixes cultivados do país, apesar de contar com clima e relevo limitantes à atividade. 

Segundo os dados mais recentes publicados no Observatório Agro Catarinense, em 2022 o Estado produziu 42.100 toneladas de tilápia, uma variação de 5,3% em relação ao ano anterior. Ainda segundo o Observatório, a produção de tilápias vem crescendo continuamente no Estado. Os dados iniciais, de 2015, mostram uma produção de 30.020 toneladas. 

O programa de melhoramento genético de tilápias tem objetivo de fornecer matrizes de tilápia melhoradas para os produtores de alevinos de Santa Catarina e do Brasil. Segundo Bruno Corrêa da Silva, pesquisador da Epagri e coordenador do programa, a tilápia Epagri SC04 foi selecionada para obter maior peso final em cultivos intensivos em viveiros escavados nas condições climáticas de Santa Catarina.  

Em dez anos de pesquisa, o ganho em crescimento dos animais ao longo de quatro gerações é estimado em 33,9% pelos pesquisadores. O crescimento médio da linhagem da Epagri nos meses mais quentes (novembro a maio) pode chegar a mais de 4g por dia. Nos períodos mais frios (maio a outubro) a média de crescimento pode chegar a 2g por dia. O rendimento de filé da tilápia Epagri tem sido entre 34 a 37,2%. A rentabilidade média dos cultivos acompanhados entre 2019 a 2022 foi de 32,4% (16,7% a 59,5%). Neste mesmo período, o lucro operacional foi em média de R$54.900 mil por hectare. 


Análise de DNA

Para alcançar resultados tão expressivos, a Epagri vem investindo em alta tecnologia no programa de melhoramento genético da tilápia. Segundo Bruno, esse trabalho envolve a marcação individual dos peixes pesquisados, por meio de nanochips instalados nos animais. Após a identificação, cada peixe tem um pedaço de sua nadadeira retirado, que vai para o laboratório de biologia molecular para fazer a análise do DNA desse animal.

Adriana Pereira, química da Epagri, explica que, além de extrair o DNA, são aplicadas metodologias de biologia molecular para identificar a diversidade genética existente entre os animais e as famílias de reprodutores. Também são identificados os peixes tolerantes ao frio e os mais resistentes a algumas doenças. Os resultados são processados no laboratório e encaminhados ao programa de melhoramento genético, para serem utilizados no direcionamento dos cruzamentos. 

A Epagri mantém também Unidades de Referência Técnica (URTs), que são propriedades de agricultores selecionadas para receberem e testarem as tecnologias desenvolvidas. Nas URTs, os pesquisadores, em conjunto com o produtor rural, repetem a rotina dos piscicultores profissionais, ou seja, cruzam as matrizes selecionadas para obter alevinos que são engordados até o tamanho ideal para comercialização. Assim, os pesquisadores da Epagri conseguem acompanhar o desempenho zootécnico desses animais selecionados e fazem também toda a análise econômica envolvida na atividade. 

“Com isso, o projeto de melhoramento de tilápia da Epagri consegue chegar até o produtor com um animal de ótima qualidade genética para que ele obtenha um bom ganho econômico, atendendo assim a necessidade da cadeia da piscicultura”, avalia Bruno.  

Saiba mais sobre o programa de melhoramento genético de tilápia no folder técnico disponível aqui.


Fonte: https://blog.epagri.sc.gov.br/

sábado, 4 de fevereiro de 2023

Publicação da Epagri sobre o cultivo de ostras

 


O manual sobre o cultivo de ostras, servir como apoio a investidores, produtores, técnicos e estudantes que buscam informações para dimensionar, implantar e gerenciar uma fazenda de ostras. Este é o objetivo do “Manual do cultivo de ostras”, recém-publicado pela Epagri. Organizada pelo biólogo Felipe Matarazzo Suplicy, pesquisador da Epagri/Cedap, a obra tem a colaboração de 13 coautores de vários estados brasileiros.

Os 14 capítulos do livro reúnem uma série de informações relacionadas ao cultivo de ostras, desde a seleção de local, captação natural e produção de sementes em laboratório, sistema berçário para sementes de ostras, sistema de cultivo e técnicas de manejo empregadas, serviços ecossistêmicos associados ao cultivo de ostras, doenças e enfermidade que acometem os cultivos, análise econômica e financeira, cuidados na seleção e armazenagem de ostras, aspectos sanitários e receitas com essas iguarias.

“Embora o Brasil disponha de uma costa de 9,2 mil km e a ostreicultura já contribua para a economia de vários municípios catarinenses e de outros estados costeiros, ainda existe uma longa curva de aprendizagem e de aperfeiçoamento das etapas da cadeia produtiva para que o Brasil figure entre os principais produtores mundiais de ostras”, afirma Felipe. Com a obra os autores pretendem contribuir com uma publicação abrangente e atualizada sobre o assunto.

O livro possui 256 páginas, 163 ilustrações e está disponível para venda no setor de publicações da Epagri. A obra impressa custa R$60,00 (custos com envio já inclusos) e pode ser solicitada pelo e-mail: demc@epagri.sc.gov.br. Outra forma de adquirir o exemplar é pelo meio digital, em formato pdf no link AQUI.


Produção catarinense de ostras

Foto: Marco Santiago/Arquivo/ND.

O Brasil é o 17º produtor mundial de ostras. Os estados produtores são Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas, Sergipe, Pará e Maranhão. Segundo a Secretaria da Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural de SC, a produção catarinense de ostras em 2018 foi de 2.205 toneladas, com a atuação direta de 111 maricultores e um valor total estimado em R$19,1 milhões.

Atualmente Santa Catarina é o maior produtor nacional de moluscos, respondendo por cerca de 95% da produção brasileira de mexilhões e ostras. Essa produção movimenta a economia catarinense: vários restaurantes especializados se estabeleceram nas cidades litorâneas e novas rotas gastronômicas foram criadas, com a geração de centenas de empregos atrelados ao processamento, à distribuição e ao comércio de ostras.

Fonte: www.epagri.sc.gov.br

terça-feira, 10 de maio de 2022

Estudo da Epagri/Ciram avalia o potencial de SC para a produção de peixes de água doce

A truta é um dos peixes contemplados no estudo (Foto: Aires Mariga).

A Epagri/Ciram disponibilizou o resultado do estudo de potencial do território de Santa Catarina para a piscicultura continental das espécies tilápia nilótica, carpa, truta, jundiá e lambari. “Conhecer esse potencial nas diferentes regiões do Estado favorece o planejamento da piscicultura tanto na escolha da espécie melhor adaptada a uma determinada região, quanto na escolha do melhor local de cultivo para cada uma”, diz o coordenador do projeto, pesquisador Luiz Vianna.

Ele explica que através da avaliação de potencial é possível identificar, por exemplo, as regiões com temperatura ótima de crescimento para cada espécie, as áreas protegidas por lei, os terrenos com declividade e posição topográfica ideais para cada tipo de reservatório de cultivo, as condições de cobertura do solo no entorno dos projetos aquícolas e o acesso aos recursos hídricos.

A visualização dos elementos do estudo pode ser feita por meio de mapas que trazem os fatores e critérios para cada espécie e/ou grupos de espécies. Neles é possível acessar o potencial aquícola por município, por corpo d´água com área superior a dois hectares e por localização geográfica. Além disso, também estão disponíveis no sistema os mapas de aptidão das terras, solos, geologia, geomorfologia, clima e vegetação.

O sistema de mapas também permite consultar a altitude, a declividade do terreno, as temperaturas médias anuais, a temperatura média das máximas do mês mais quente, a temperatura média das mínimas do mês mais frio e o número médio de geadas anuais.

Piscicultura em Santa Catarina

Segundo a Associação Brasileira de Piscicultura, Santa Catarina é o quarto produtor nacional de peixes continentais com uma produção superior a 50 mil toneladas em 2019. Naquele ano, a produção brasileira ficou acima de 758 mil toneladas.

Dentre as espécies cultivadas no estado, o Anuário da Piscicultura de 2020 destaca a tilápia nilótica, com 77%, e as carpas e trutas, que juntos representam 17%. As espécies nativas representam 6%, mas podem vir a aumentar a partir pesquisas para avaliar o potencial produtivo de algumas, como o jundiá e o lambari, que estão em andamento.

Vianna destaca que a piscicultura catarinense tem algumas características que a distinguem de outros estados. “Em sua maioria ela se desenvolve em pequenas propriedades rurais, com média de 2 hectares de lâmina de água por propriedade e mão de obra familiar”, diz ele.


Fonte: www.epagri.sc.gov.br