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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Estudo conclui que tilápias crescem mais alimentadas com 32% de proteína

Teor de proteína e temperatura ideais melhoram desempenho do peixe. Foto: Celia Scorvo/Apta.
Tilápias (Oreochromis niloticus) alimentadas com ração com teor de 32% de proteínas apresentam melhor desempenho zootécnico em tanques-rede. Essa foi uma das conclusões da pesquisa feita por cientistas da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e da Embrapa Meio Ambiente (SP), que observaram que esse percentual de proteína bruta favorece o desenvolvimento dos peixes, fazendo-os crescer mais e com maior velocidade. O estudo ainda confirmou que a espécie tem melhor performance em ambientes a 28ºC.

O trabalho avaliou o desempenho zootécnico de tilápias alimentadas com rações comercias, contendo diferentes níveis de proteína bruta, para avaliar o melhor teor para criações em tanques-rede em represas rurais. O experimento teve duração de 227 dias e foi realizado em 12 tanques-rede estocados com 125 peixes/m3, instalados no Polo Regional do Leste Paulista, em Monte Alegre do Sul (SP), com três tratamentos e quatro repetições. 
O estudo demonstrou diferença no peso médio dos peixes alimentados com ração contendo 28% de proteína bruta, comparado aos peixes alimentados com 32% e 36%, evidenciando que a melhor taxa de eficiência proteica foi obtida na ração com 32%, o que a tornou indicada como o melhor nível proteico para a fase de crescimento.
Um dos autores do trabalho, o pesquisador da Embrapa Júlio Queiroz, ressalta a importância dos resultados, já que são poucos os dados disponíveis sobre os teores ideais para a produção de tilápias em represas rurais em tanques-rede. Nesse sistema, os animais são criados em ambientes onde a temperatura da água está sujeita a grandes variações durante o ciclo produtivo dos peixes, como no caso da região onde foi realizada a pesquisa.
“Os peixes são animais pecilotérmicos, que não dispõem de um mecanismo interno que regule a temperatura do seu corpo. Por esse motivo, conhecer os melhores índices proteicos e a melhor temperatura da água é importante na piscicultura, pois são parâmetros que influenciam diretamente em processos fisiológicos para o bom desenvolvimento dos peixes,” explica Queiroz.
O pesquisador da Embrapa Marcos Losekann ressalta que essas variações de temperatura influenciam o metabolismo e, consequentemente, também afetam o consumo de ração, principalmente em locais como o município de Monte Alegre do Sul, onde essas mudanças de temperatura da água são mais acentuadas, conforme as estações do ano.
“Afetados pelas variações na temperatura da água fora da faixa de conforto, os peixes respondem mudando hábitos alimentares, comportamentais e de mobilidade para se adequar às variações, sejam elas de frio ou calor. Na piscicultura, o produtor deve estar atento e dispor de informações adequadas para o melhor planejamento do manejo alimentar para obter melhor desempenho e, consequentemente, melhor renda”, recomenda Losekann.

Consumo de ração cai nos meses frios

Foram observados valores mínimos de temperatura da água a até 14ºC fora da faixa de conforto térmico nos meses de junho e julho e, como efeito, observou-se que o consumo de ração foi drasticamente reduzido. Além disso, o crescimento dos peixes com a temperatura da água em torno de 28ºC foi bem melhor.
De acordo com Célia Scorvo, pesquisadora da Apta, os dados obtidos podem subsidiar o produtor na escolha de locais de produção onde não ocorram grandes variações na temperatura da água. Além disso, é recomendável o uso de ração com teores de 32% de proteína bruta e a instalação de criações em locais que sofrem menores variações de temperatura. Combinadas, essas duas práticas podem proporcionar melhor desempenho das tilápias, o que significa maior ganho de peso, maior biomassa e, consequentemente, mais lucro ao produtor.
“Verificamos que não ocorreu mortalidade nas temperaturas mais baixas, apenas diminuiu o consumo de ração. Outra informação importante é que em regiões com grandes variações de temperatura (mais frias), o ciclo de produção da tilápia é mais longo,” diz Scorvo.
Os pesquisadores constataram que os níveis de proteína bruta das rações utilizadas não tiveram influência sobre a conversão alimentar (quantidade de alimento que se converte em peso no animal). No entanto, a ração com 32% de proteína bruta apresentou melhor eficiência proteica, que é um método biológico que avalia o ganho de peso em função da quantidade de proteína consumida pelo animal.
Artigo completo: AQUI.
Fonte: www.embrapa.br.

terça-feira, 6 de março de 2018

Peixe panga cai no gosto popular e facilidade na produção o torna rentável

Produção desde alevinos dura apenas seis meses e cada quilo rende pelo menos 400 gramas de filés 

Peixe Panga. Foto: grupoaguasclaras.com.br

Um peixe popularmente conhecido como Panga, tem se mostrado uma boa opção para quem investe em piscicultura e também para o consumidor, já que rende até 50% de filés. 

Por enquanto, a produção só é permitida em São Paulo, mas outros estados já se mostraram interessados em destravar esta opção. A criação do peixe Panga ainda é uma novidade para a piscicultura brasileira. Mas, o consumo desta espécie já está consolidado no país, com importações recorrentes, principalmente do Vietnã. Uma das principais características é que ele é um peixe de couro, ou seja, possuem o corpo desprovido de escamas como os bagres e cascudos.

"Este peixe já é comercializado no Brasil há mais de 10 anos. Em média, importamos mais de 70 mil toneladas por ano. A Europa, por sua vez, compra 180 mil toneladas. Então, este peixe já tem um mercado garantido, totalmente pronto. O que precisamos fazer, é ampliar nossa produtividade para diminuir a dependência dos importados e ter o nosso Panga no Brasil", diz Caetano Furno, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Pangasius (Panga BR).

Continue lendo essa notícia no site www.canalrural.com.br.


sábado, 10 de dezembro de 2016

Molusco asiático chega ao Nordeste, invade usinas e leva risco ao abastecimento de água potável

O molusco leva preocupação ao Nordeste (Fotos: CBEI/Divulgação).
Historicamente afetado pela estiagem, devido à seca, o Nordeste brasileiro ganhou mais um inimigo no problema do acesso à água: o mexilhão-dourado, molusco asiático de 5 cm que entope tubulações de abastecimento e irrigação e invadiu o maquinário das usinas hidrelétricas de Sobradinho (BA) e Luiz Gonzaga (PE).

Há um ano e meio o mexilhão-dourado se espalha pelo rio São Francisco, onde estão as usinas. Pesquisadores estimam que na área de Sobradinho a população do molusco está em 40% do máximo que pode chegar – 200 mil indivíduos por metro quadrado, quando ele para de se reproduzir por falta de alimento.

Com área de atuação até então restrita a bacias do Sul, Sudeste e Centro Oeste do Brasil, o mexilhão-dourado foi encontrado no São Francisco pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) ano passado.

Foi uma surpresa para os pesquisadores do CBEI (Centro de Bioengenharia de Espécies Invasoras de Hidrelétricas), sediado em Belo Horizonte e que vêm estudando a espécie desde que ela chegou ao Brasil, em 1998, oriundo da Argentina, onde o primeiro registro se deu em 1991, na bacia do rio Prata. O molusco chegou à América do Sul por meio de navios cargueiros.

Pesquisadores e funcionários da Chesf observam equipamento da Usina de Sobradinho invadido pelo mexilhão-dourado.
Já no rio São Francisco, os pesquisadores dizem que o molusco chegou, provavelmente, por meio do “peixamento”, ato de deslocar em tanques peixes de um rio para o outro, já que as bacias do Sudeste não se encontram com o São Francisco. “Essa é a hipótese mais provável”, disse o pesquisador Fabiano Silva, da CBEI.

As invasões provocaram mudanças no sistema de operação da Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), sobretudo em Sobradinho, onde o molusco invadiu os adutores da turbina das seis unidades geradoras de energia, forçando a usina a fazer paradas obrigatórias de dois dias a cada três meses para limpeza da área afetada.

Baixa vazão

Como a Chesf está praticamente sem gerar energia em Sobradinho, devido a baixa vazão do rio, de 830 metros cúbicos por segundo – o normal é 2.060 –, o prejuízo, por enquanto, está sendo pouco. Sobradinho opera atualmente com o reservatório em 11% da capacidade, um dos mais baixos da história.

Em Luiz Gonzaga o problema tem ocorrido em menor grau, diz o diretor de operações da Chesf João Henrique de Araújo Franklin, segundo o qual a manutenção antes do molusco era feita a cada 20 mil horas de operação das usinas — sem tempo determinado para ocorrer.

“Tivemos de alterar nosso sistema de manutenção e estamos ainda aprendendo a conviver com o molusco, já que erradicá-lo, como temos visto em outros locais é muito difícil”, comentou Araújo Franklin.

Há menos de 50 km da usina, na área do reservatório de Sobradinho, há dezenas de tubulações que levam água para as cidades baianas de Juazeiro, Remanso e Casa Nova, da pernambucana Petrolina e a sistemas de irrigação para agricultura do Vale do São Francisco.

As prefeituras informaram que, por enquanto, não tiveram problemas com o abastecimento, diferente do que ocorreu no início dos anos 2000 em Porto Alegre (RS), onde o abastecimento de água foi afetado por causa do entupimento de tubulações nas quatro captações da margem esquerda do Lago Guaíba.

Segundo a Prefeitura de Porto Alegre, “a obstrução das tubulações causou redução da vazão de água e, consequentemente, desabastecimento, porém é difícil precisar um número [de pessoas atingidas pelo desabastecimento]”.

O animal já está em várias tubulações da área de Sobradinho.
O órgão informou que atualmente monitora os locais de captação com mergulhadores. “Quando encontramos mexilhão-dourado aderido aos nossos crivos e tubulações, realizamos a limpeza mecânica destes”, informou.

Outro afetado pelo mexilhão foi a Usina Hidrelétrica de Itaipu, onde o molusco chegou em 2001, causando o entupimento de encanamentos em equipamentos da hidrelétrica e também desequilíbrios ambientais.

Em Itaipu, o problema só foi amenizado por volta de 2010, após a implantação de um programa de monitoramento e pesquisas com vistas a impedir a invasão do molusco, que não chegou a impedir a geração de energia da usina.

Avanço

Estudos da CBEI mostram que durante um ano o molusco chega a se espalhar por um raio de até 240 km, o que torna as tubulações de captação de água do reservatório de Sobradinho vulneráveis a invasão do mexilhão-dourado.

Responsável por projetos públicos de irrigação no Vale do São Francisco, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) informou que a presença do mexilhão-dourado “é constante no lago artificial da barragem de Sobradinho”.

Reservatório de Sobradinho está com um adas vazões mais baixas da história.

Segundo a Codevasf, nos perímetros de irrigação, nos sistemas de adução, contudo, “não há ocorrências significativas do mexilhão-dourado”. O perímetro irrigado da Codevasf leva água para 10.210 agricultores familiares e 1.279 médios e grandes agricultores instalados nos lotes.

Outra preocupação é com a transposição do rio São Francisco, pois o molusco foi visto também “em quantidade considerável” no eixo norte do canal, nas proximidades da cidade pernambucana de Cabrobó, a cerca de 100 km do reservatório de Sobradinho.

Os pesquisadores do CBEI emitiram no final de 2015 alerta, informando que “a presença destes organismos nestas localidades é grave, pois afetará a captação de água pelas comunidades adjacentes”.

“É extremamente urgente que estas localidades comecem a ser monitoradas desde já. A identificação da presença destes organismos na fase de estabelecimento é de suma importância para que medidas de controle comecem a ser tomadas”, diz o documento.

Transposição

O Ministério da Integração Nacional solicitou no início de agosto a licença de operação do projeto de integração do rio São Francisco, com vistas à transposição, que pretende levar água a 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O governo prevê que os reservatórios de água estarão cheios no primeiro trimestre de 2017.

A conclusão das obras físicas nos dois eixos do empreendimento – Norte e Leste – está prevista para dezembro deste ano. Para isso, o governo federal ampliou o repasse financeiro mensal às empresas executoras do Projeto São Francisco, hoje com 88,4% de avanço das obras e mais de nove mil trabalhadores em campo.

Animal de 5 cm já provocou falta de abastecimento de água em Porto Alegre.
“Desde o início das obras do Projeto São Francisco, em 2008, o Ministério da Integração Nacional monitora a fauna e a flora da região impactada pelo projeto, por meio do Programa de Conservação de Fauna e Flora, que é executado em parceria com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)”, informou o ministério, em nota.

“Com o início da fase de testes do empreendimento, em 2014, o monitoramento nas estruturas que captam a água do rio São Francisco foi intensificado pelos pesquisadores da Univasf. São verificados, por exemplo, equipamentos hidromecânicos, grades de proteção, bombas, etc. As equipes identificaram a presença de mexilhões dourados no rio São Francisco e no canal de aproximação, que conduz a água do manancial até a primeira estação de bombeamento do eixo, mas os organismos não afetam ainda as estruturas do projeto e nem a qualidade da água”, garante.