Mostrando postagens com marcador Aquaponia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aquaponia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Nova tecnologia transforma água de piscicultura em adubo


Com o crescimento na produção, a piscicultura se tornou uma importante atividade para o agronegócio nacional, contando com manejos cada vez mais avançados. Uma dessas técnicas inovadoras é a aquaponia, que transforma a água da piscicultura em adubo líquido.

A aquaponia é um sistema de produção sustentável que combina a criação de peixes (piscicultura) com o cultivo de plantas sem solo (hidroponia) em um ambiente simbiótico. A água rica em nutrientes, resultante dos resíduos dos peixes, é utilizada para fertilizar plantas. As plantas, por sua vez, filtram e purificam a água, que é recirculada de volta para os tanques de peixes.

Benefícios da Aquaponia

Sustentabilidade: A aquaponia promove um ciclo fechado de nutrientes, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos e minimizando o desperdício de água.

Eficiência: Ao combinar a produção de peixes e plantas, a aquaponia maximiza o uso dos recursos disponíveis, resultando em maior produtividade por unidade de área.

Qualidade Ambiental: A recirculação de água e o uso de plantas para filtragem reduzem o impacto ambiental da piscicultura, ajudando a manter os ecossistemas aquáticos saudáveis.

Diversificação: A aquaponia permite a diversificação da produção agrícola, oferecendo aos produtores uma fonte adicional de renda através da venda de produtos vegetais e aquáticos.


Fonte: www.agrimidia.com.br

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Centro de aquicultura integra projeto internacional para investigar produção de alimentos em cidades

Pesquisas mostram vantagens ambientais da aquaponia urbana, que combina agricultura e criação de peixes e crustáceos, como alternativa ao modelo do agronegócio de monocultura no campo.

Foto: sistema de aquaponia. https://jornal.unesp.br/.

O crescimento da população e sua concentração majoritariamente nos centros urbanos impõem um imenso desafio à produção de alimentos, de forma a conseguir, ao mesmo tempo, atender ao aumento da demanda e fazê-lo por meio de práticas sustentáveis. No Brasil, por exemplo, 87% da população já vive em cidades e, segundo o documento Prospecto de Urbanização Mundial, publicado em 2018 pela ONU, esse número subirá para 92,4% até 2050.

Embora o país seja reconhecido mundialmente pela sua capacidade de produzir alimentos, boa parte dessa produção está baseada em sistemas lineares de monoculturas. Esses sistemas encontram-se distantes dos principais centros urbanos, o que implica uma série de impactos ambientais, além de gasto de energia (em geral, na forma de combustíveis fósseis) para levar o alimento até os consumidores.

Um projeto de pesquisa desenvolvido no Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp) procurou atacar esses dois desafios estudando um sistema de produção ainda pouco aplicado no Brasil, a aquaponia. Como explica a bióloga Maria Célia Portella, que é docente e pesquisadora do Caunesp, a aquaponia é definida como um sistema agroalimentar capaz de integrar agricultura e aquicultura. Nesse sistema, explica, a água e os nutrientes utilizados na produção de peixes ou camarões (ou ambos), por exemplo, são reaproveitados para a irrigação e a alimentação do componente vegetal da hidroponia, as plantas.

De forma simplificada, a fonte de alimentação do sistema continua sendo a ração, que é fornecida aos peixes. Depois de consumida, uma parte dessa ração é excretada na forma de fezes ou urina pelos peixes. Já a ração que não foi ingerida simplesmente se dissolve na água. Ambos os resíduos são ricos em nutrientes mas, quando despejados em rios e lagos, podem tornar a água nutritiva a ponto de estimular o aumento de microrganismos decompositores que reduzem o oxigênio disponível, causando a eutrofização. Este é considerado um processo poluidor, que pode ocasionar a morte de diversas espécies vegetais e animais.  “O que nós fazemos na aquaponia é passar essa água potencialmente poluidora por um filtro biológico, que torna esses nutrientes assimiláveis pelas plantas, que em seguida devolvem essa água mais limpa para os peixes novamente”, resume Portella, que foi presidente da World Aquaculture Society.

Sistemas integrados, como o descrito pela pesquisadora da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, câmpus de Jaboticabal, têm entre seus principais benefícios o potencial de otimizar o uso de insumos na produção, promover a economia de água, reduzir e reutilizar os resíduos gerados pelo sistema e, no caso específico da aquaponia, serem instalados perto ou mesmo no interior dos centros urbanos em que vivem os consumidores.

A perspectiva dos benefícios da construção de sistemas aquapônicos em ambientes urbanos, e também dos desafios que isso envolve, estimulou a criação de uma rede internacional de pesquisadores da qual o Caunesp faz parte ao lado de instituições da Noruega, Alemanha, Suécia, Holanda e Estados Unido. O projeto CityFood: Sistemas multitróficos inteligentes e integrados para produção urbana de alimentos: uma abordagem para economia de água e energia visando a urbanização global envolve recursos do Fórum Belmont, entidade que reúne algumas das principais agências financiadoras de projetos de pesquisas relacionadas às mudanças ambientais do mundo, entre elas a Fapesp, que financiou o projeto desenvolvido pelo Caunesp.


Mapeando a aquoponia no Brasil

Uma das primeiras iniciativas dos pesquisadores brasileiros, ainda no início do projeto, em 2018, foi conhecer o atual cenário da produção em aquaponia no Brasil, uma vez que na época ainda não se tinha conhecimento de qualquer entidade comercial que representasse esses produtores. “Os dados foram coletados antes da pandemia de Covid-19 e estão sendo atualizados porque temos a percepção de que o cenário pode ter sofrido mudanças em virtude da pandemia”, afirma Portella, apontando que a pesquisa provavelmente não alcançou a totalidade de produtores, e mesmo grandes empresas de aquaponia ficaram excluídas do levantamento.

Ainda assim, Portella entende que as informações relacionadas à geografia das produções e às espécies de peixes e plantas mais cultivados estão de acordo com realidade dos produtores. Esses dados apontaram que mais de 65% dos produtores estavam localizados na região Sul ou Sudeste. Embora a maior parte deles (64%) esteja localizada em áreas urbanas, ou seja, dentro do escopo do projeto de pesquisa, cerca de um terço deles tem como objetivo a subsistência e outro terço a produção comercial. Ainda que os dados demonstrem uma extensa diversidade de espécies em produção, a alface e a cebolinha foram os vegetais mais cultivados, enquanto a tilápia-do-nilo e a carpa-comum foram as espécies de peixes mais mencionadas.

Os dados confirmaram que a aquaponia ainda é considerada uma novidade entre produtores brasileiros, sendo o primeiro sistema colocado em prática em 2006. Ainda assim, houve um crescimento no número de produtores, em especial nos dois anos anteriores à aplicação da pesquisa. De acordo com os pesquisadores, a diversidade de espécies cultivadas mostra o interesse em adaptar a produção à realidade local e dos consumidores, rejeitando a ideia de um “pacote tecnológico” que seja comum a todos os produtores.

A maior parte dos projetos de pesquisa desenvolvidos em Jaboticabal, entretanto, tiveram como foco o aprimoramento dos sistemas aquapônicos, considerando sua produção em um ambiente urbano. Para isso, foi construído no Caunesp um dos quatro “living labs” financiados pelo projeto CityFood. A estrutura, com 100m2 e instalada dentro de uma estufa metálica, abriga 16 unidades experimentais idênticas alimentadas por um sistema fotovoltaico para a aplicação de experimentos em um ambiente próximo da realidade de um sistema de produção no espaço urbano.

Em um desses experimentos, a equipe avaliou a introdução em sistemas aquapônicos de uma tecnologia já conhecida na aquicultura convencional, chamada bioflocos. Os bioflocos são importantes principalmente na produção de peixes em tanques porque reduzem drasticamente o desperdício de água. A tecnologia combina o nitrogênio gerado pelo resíduo da ração dos peixes com fontes de carbono, formando flocos que ficam suspensos na água. “Esses flocos acabam atraindo microrganismos, bactérias e microcrustáceos que servem de alimento aos peixes e ao mesmo tempo evitam que a água seja desperdiçada”, explica a professora.

No trabalho, o biofloco foi aplicado a culturas aquapônicas acopladas, isso é, em que peixes e plantas são cultivados no mesmo tanque, e desacopladas (ou acoplados sob demanda), quando peixes e plantas são cultivados em tanques separados mas a água e os nutrientes são compartilhados de acordo com a necessidade da produção. “Além disso, criamos mais uma variável em que diminuímos o teor de proteína na ração. Isso traz vantagens porque diminui o gasto do produtor com ração e reduz o excesso de proteina. Essa proteína se transforma em nitrogênio, que quando liberado em grandes quantidades no ambiente aquático pode ser poluente”, lembra Portella. “O laboratório tem essa característica de ser uma espécie de lego onde os pesquisadores podem desmontar e montar os componentes do sistema aquapônico de acordo com a experiência prevista no projeto”, destaca Portella.


Caminhos par diversificar a produção

Uma das questões levantadas pelos pesquisadores era se a redução de proteína na ração reduziria também a quantidade de nitrogênio disponível para as plantas, afetando seu desenvolvimento. Os experimentos mostraram que o uso dos bioflocos na aquaponia permitiu a redução de 8% do teor de proteína na ração oferecida aos peixes sem prejudicar o crescimento das plantas cultivadas separadamente.

No projeto, os pesquisadores também fizeram uma revisão da literatura e analisaram as características de cinco espécies nativas de peixes no contexto sul-americano (jundiá, lambari, pacu, tambaqui e o robalo-branco) para avaliar seu potencial na produção em aquaponia. “No mundo todo, existem três espécies que se destacam na aquaponia: a tilápia-do-nilo, salmonídeos como a truta e o salmão, e o bagre. No entanto, existe no Brasil uma demanda por diversificação da produção por conta de um mercado que busca peixes de qualidade e que nós estejamos acostumados a comer”, afirma.

O tema ganha relevância porque, na maior parte dos sistemas aquapônicos, a produção vegetal representa a maior fonte de renda dos produtores. Os peixes, embora tenham a importância de “fornecer” os nutrientes para as plantas, servem principalmente como um complemento a essa renda. Neste sentido, é interessante, por exemplo, que as espécies de peixes sejam capazes de tolerar características da água que vão atender principalmente à produção vegetal, como a tolerância a altas concentrações de macro e micronutrientes necessários para o crescimento das plantas, temperatura e o pH da água.

O artigo, publicado na revista Aquaculture International, descreve as características das cinco espécies e traça uma comparação dos parâmetros de produção e mercadológicos de duas das espécies comumente produzidas em sistemas aquapônicos, a tilápia e o bagre. O levantamento mostrou, por exemplo, que o lambari é um peixe que permite vários ciclos e tolera alta densidade nos tanques, enquanto o jundiá é uma espécie que tolera temperaturas mais baixas e tem potencial para ser produzido com vegetais com esse mesmo perfil. Já o tambaqui é um peixe de temperaturas mais altas, característica que não é tolerada por qualquer espécie vegetal.


Apresentação na ONU

A pesquisadora é uma entusiasta da produção de alimentos em sistemas integrados que têm o peixe como foco. Em outubro do ano passado, ela esteve na Assembleia Geral da ONU, onde apresentou casos brasileiros de sistemas integrados de agricultura e aquicultura, como foco na produção familiar. Para Portella, esse tipo de produção surge como uma alternativa ao sistema de monocultura dominante no país, em geral atividades voltadas para a exportação e que, no longo prazo, se mostram insustentáveis por gerarem uma série de passivos ambientais. A professora entende que para pequenos agricultores familiares que não exportam, mas vendem seus produtos no mercado, ceasas e vendas de esquina, a integração dos sistemas é muito mais viável. “O que nós percebemos é que a integração da aquicultura com outros modelos de produção podem ser sustentável e  lucrativa por conta da diversificação da produção. Além de atenderem a todos os 17 ODS, alguns direta e outros mais indiretamente”, diz.

Fonte: www.jornal.unesp.br

terça-feira, 24 de maio de 2022

Ebook "Aquaponia: Difusão e Transferência de Tecnologia" é lançado em live do IFPA/Santarém


Santarém (PA) - O Instituto Federal do Pará (IFPA) campus Santarém, através do Projeto de Extensão denominado “Aquaponia: Difusão e Transferência de Tecnologia”, financiado pela sua Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), lançou hoje, 24 de maio, o livro digital “Produção Aquapônica: uma experiência prática” em live transmitida pelo canal oficial do IFPA no YouTube. O e-book já está disponível para acesso e consulta, clique aqui e confira.

A publicação é resultante da experiência adquirida ao longo do projeto de extensão denominado “Produção sustentável de tambaqui (Colossoma macropomum) e alface (Lactuca sativa) em sistema aquapônico” iniciado em 2017. Neste período, foram montadas unidades demonstrativas de aquaponia no campus, onde passaram a ser desenvolvidos cursos, aulas práticas, eventos e pesquisas na área, geridos por uma equipe multidisciplinar de colaboradores internos e externos à instituição, composta por engenheiros agrônomos, engenheiro agrícola, engenheiros de pesca, médico veterinário, oceanógrafo e zootecnista.

O e-book tem como proposta principal apresentar informações necessárias à implantação de sistemas aquapônicos de pequena escala, assim como o correto manejo dos animais e vegetais utilizados durante os ciclos de produção, objetivando máximo desempenho produtivo de forma sustentável, tornando-se uma alternativa aos sistemas tradicionais de cultivo. Salienta-se que o mesmo está escrito em uma linguagem simples, com lista de matérias, tabelas e ilustrações explicativas, e é direcionado aos produtores rurais, estudantes e técnicos da área.


Aquaponia

Ao ler a obra, é possível entender o que é a aquaponia, como o sistema pode ser desenvolvido em pequena escala e quais as vantagens em implantá-lo. “A aquaponia é um sistema de produção agroalimentar sustentável que concilia a produção de organismos aquáticos ao cultivo de uma ampla gama de espécies vegetais para a máxima produtividade”, explica o engenheiro de pesca Igor Bartolomeu Alves de Barros, um dos autores da obra que é professor no IFPA campus Santarém.

O zootecnista Carlos Mikael Mota, que também é professor do IFPA campus Santarém e um dos autores do e-book, detalha que o produtor, ao adotar este modelo de cultivo, obterá uma interação mutuamente benéfica entre a produção de peixes e o cultivo de plantas. “A água da piscicultura é extremamente rica em nutrientes potencialmente tóxicos aos animais e ao ambiente, porém capazes de suprir as demandas para o desenvolvimento dos vegetais cultivados, que por sua vez devolvem uma água de qualidade para os peixes”.

Mota esclarece que o sistema aquapônico, quando comparado aos sistemas tradicionais de produção, proporciona diversas vantagens: a diversificação na produção de alimentos; a possibilidade de uso de áreas impróprias à agricultura, podendo ser implantadas em ambientes urbanos e periurbanos; aproveitamento eficiente da água, com economia superior a 90%; altas produtividades no cultivo de hortaliças e na produção de peixes. “Há a garantia de não se utilizar agrotóxicos no controle de pragas e doenças na produção vegetal, o que traz uma maior segurança alimentar para o consumidor”.

No Modelo aquapônico, a amortização dos custos da atividade é obtida por meio da diversificação produtiva. “Porém, certamente, o fator mais relevante está na crescente busca do mercado consumidor por produtos de base sustentável, que por sua vez apresentam maior valor agregado quando comparados com produtos advindos de sistemas tradicionais de produção”, garante Mota.

BAIXE AQUI o e-book Produção Aquapônica: uma experiência prática.


Fonte: www.ifpa.edu.br.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Aquaponia Residencial - Curso EAD da EMBRAPA

 


Ficou interessado no curso?  Destaco que apesar do curso ser destinado à aquaponia residencial, o mesmo dá suporte para a realização de um sistema maior para a comercialização, os fundamentos repassados nesse curto curso são valiosos, pois não há disponibilidade de material com tanto detalhes quanto ao curso da EMBRAPA, você pode até encontrar na internet, porém, muito do que é ofertado é de forma particular, ou seja, terá que pagar para obter acesso a cursos e manuais. 

Assim, a EMBRAPA tem sido uma grande difusora desse sistema, com material para leitura e vídeos ensinando como montar de forma detalhada todo o sistema. A Aquaponia em si não é um sistema difícil de entender, mas é crucial que você compreenda o ciclo de cada organismo envolvido no sistema para obter sucesso, e esse curso lhe dará essa base.

DICA PARA INSCRIÇÃO

Faça primeiramente seu cadastro no Ambiente Virtual de Aprendizagem da Embrapa: https://ava.sede.embrapa.br/login/index.php.

Após efetuar seu cadastro, vá na página do curso para efetuar a inscrição nele: https://www.embrapa.br/e-campo/aquaponia-residencial.

Pronto, tudo certo para realizar o curso e obter seu certificado de participação após média mínima nas questões de conhecimento.


OUTROS CURSOS DA EMBRAPA

Para outros cursos da EMBRAPA, acesso a vitrine de cursos "https://www.embrapa.br/e-campo". São diversos cursos em várias cadeias produtivas do agronegócio, excelente oportunidade para crescimento profissional e de forma gratuita e com certificação.


Espero que tenham gostado da dica, continue seguindo a página para mais outras dicas!

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Emater implanta Unidade de Referência Tecnológica na comunidade quilombola Abacatal

 

Projeto, em Ananindeua, envolve as técnicas de hidroponia e aquicultura e oferece uma série de benefícios por ser uma modalidade de cultivo integrado 

A comunidade quilombola do Abacatal, no Km 8 da estrada do Aurá, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém (RMB), recebeu nesta terça-feira (25) da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do  Pará (Emater), uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) de aquaponia, cujo sistema de cultivo envolve a integração entre as técnicas de hidroponia e aquicultura, e oferece uma série de benefícios por ser uma modalidade de cultivo integrado. 

A URT foi instalada na propriedade de Edimilson Teixeira, que ainda trabalha com diversas culturas frutíferas (açaí, abacaxi, abacate, ingá goiaba), plantas medicinais, hortaliças e também avicultura.

O sistema proposto é por cultivo integrado, onde uma segunda cultura (peixe) aproveita os subprodutos de uma primeira cultura (alface e cebolinha): o peixe excreta amônia, que depois passa por um filtro biológico para extrair resto de fezes e outros materiais sólidos. Depois, a água passa pelo filtro biológico, que retira o material sólido. 

“Deste modo, a amônia é utilizada para fornecer os nutrientes para as hortaliças. Um contribui com o outro, isso proporciona também segurança alimentar: tem alface, cebolinha, peixe. É um conceito agroecológico, sustentável”, explica a engenheira de pesca da Emater, Jaqueline Bráz. O projeto foi viabilizado com recursos da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).

De acordo com Vanuza Cardoso, integrante da comunidade e esposa de Edimilson Teixeira, o trabalho em parceria rende frutos e a implantação de mais um projeto é a prova de que a Emater tem sido uma parceria fundamental. “A gente está sempre disponível para trabalhar em conjunto. É uma somatória de conhecimentos, de aprendizados. Um contribui com o outro”, afirma. 

Com 318 hectares, a comunidade do Abacatal surgiu no século 18 e somente em 1999 teve suas terras regularizadas pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa). A Emater assiste as famílias da comunidade há mais de 30 anos. 

“A Emater tem uma história dentro da comunidade. É muito gratificante poder participar da implantação deste projeto tão importante e notar a satisfação de quem vai ser beneficiado diretamente. É uma somatória de esforços, com o único objetivo de fortalecer ainda mais esta parceria e reforçar que a Emater sempre estará presente no dia a dia dos que fazem parte do Abacatal”, comentou o supervisor regional das Ilhas, Ricardo Barata, que esteve acompanhado pelo chefe local de Ananindeua, Wanderley Ribas.


DIVERSIFICAÇÃO E PRODUTIVIDADE

Uma variedade de vegetais pode ser utilizada no sistema de aquaponia, porém as espécies mais indicadas são as folhosas, como alface, rúcula e almeirão, além das ervas como manjericão, hortelã e orégano. Cada quilograma de peixe estocado pode fornecer nutrientes para cerca de 25 hortaliças.

A Emater avaliou vários aspectos para escolher a propriedade que recebeu a URT. “Avaliamos acesso, disponibilidade do agricultor, diversificação de atividades, conhecimento. É uma área muito produtiva, por isso recebeu o projeto. A família também já é assistida há décadas, são responsáveis, conhecem sua realidade e sabemos que vão trabalhar corretamente”, disse a engenheira florestal da Emater, Tangriene Nemer, integrante da equipe que trabalhou na implantação do projeto. 

Fonte: www.agenciapara.com.br.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Estudo disponibiliza boas práticas em aquaponia

Produção de hortaliças com utilização da aquaponia. - Foto: Julio Queiroz.

A aquaponia – integração da aquicultura com a hidroponia – se consolida como uma importante atividade para o agronegócio. Como o sistema tem por base a reciclagem da água, ele minimiza a geração de efluentes ricos em nutrientes e evita, assim, a eutrofização dos corpos d’água.

Embora apresente várias vantagens com relação aos métodos tradicionais, ainda é preciso superar vários gargalos tecnológicos relacionados à sua implantação e funcionamento. Também é necessário aprimorar o entendimento dos processos físicos, químicos e microbiológicos para tratamento, manutenção e monitoramento da qualidade da água, da sanidade dos peixes e das plantas.

Nesse sentido, pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e da Symbiotec Ltda., indicam um conjunto de Boas Práticas de Manejo (BPM), que podem ser aplicadas à produção em múltiplas escalas, assim como em regiões com restrições de água, áreas rurais e periurbanas (Série Documentos, completa aqui.)

O objetivo é promover o aprimoramento do manejo e dos índices de produtividade e sustentabilidade de forma contínua, com base em indicadores de desempenho zootécnico, fitotécnico e econômico.

Entre esses índices, estão a necessidade de manutenção – fator determinante para o sucesso da produção – além da suplementação nutricional para os vegetais cultivados, composição da ração, temperatura e demais parâmetros de qualidade da água.

Conforme o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Julio Queiroz, o indicador econômico é muito importante. "Deve-se observar os valores de mercado praticados, assim como o valor agregado pelo sistema aquapônico. Isso é valido para cada produto de origem animal e vegetal nas suas diferentes fases, como a venda de alevinos ou juvenis de peixes, e, sobretudo de produtos vegetais diferenciados como o baby leaf -  hortaliças como alface, agrião e rúcula, entre outras espécies, com folhas ainda não expandidas completamente e colhidas precocemente e microgreens – micro vegetais comestíveis – hortaliças, ervas aromáticas e legumes, que são surpreendentes em termos de sabor e fazem bem à saúde, já que os pequenos vegetais apresentam de quatro a 40 vezes mais nutrientes do que na sua fase final".

Queiroz explica que uma das primeiras providências é avaliar a eficiência dos filtros, com um teste rápido para determinar a concentração de amônia, nitrito e nitrato na água. "A amônia é o principal resíduo do metabolismo dos peixes e da degradação das rações. O seu acúmulo resulta na redução da produção, no aumento do estresse dos peixes e, consequentemente, no aumento da ocorrência de doenças", diz o pesquisador.

Também é necessário analisar a cada 15 dias os compostos nitrogenados – amônia, nitrito e nitrato, e instalar, na medida do possível, sensores de temperatura, pH e oxigênio dissolvido para monitoramento de forma contínua. Se a concentração de nitrato estiver elevada por semanas consecutivas, uma parte da água deverá ser substituída por água limpa.

O conhecimento do potencial do efluente gerado pelos peixes, em relação à concentração de nutrientes exigidos pelas hortaliças, é essencial. A determinação ou o conhecimento da digestibilidade da ração pode facilitar a estimativa da densidade de peixes mais adequada, o que também permite determinar o valor nutricional de dietas, ingredientes dietéticos e quantificar o volume de fezes.

Outros pontos importantes são a estimativa da biomassa inicial de peixes em função da quantidade máxima de plantas que poderá ser cultivada, e a realização de biometria a cada 30 dias com cerca de 5% dos peixes.

Os critérios adotados, atualmente, pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) definem que o animal precisa estar sadio, seguro, saudável, confortável, livre para expressar comportamentos naturais e sem sentimentos negativos. Segundo o Mapa, é necessário estar atento às questões éticas dos consumidores, demonstrando a importância da inclusão do bem-estar dos animais.

Um dos aspectos primordiais para nortear o desenvolvimento das BPM deve assegurar um número satisfatório de plantas com padrão mínimo de tamanho, peso e coloração exigido pelo mercado, ou seja, a quantidade de plantas produzidas não deve ser o fator determinante para definir a eficiência de um determinado sistema de hidroponia, mas sim a quantidade de plantas com valor de mercado. Além disso, deve-se observar o tempo gasto para as plantas alcançarem o tamanho comercial e, ainda, a ausência de ocorrência de doenças.

Considerando que nos sistemas de aquaponia a utilização de solução nutritiva é limitada a suplementações pontuais, a adição de pesticidas ou fungicidas químicos não poderá ser feita, de modo que os métodos alternativos devem ser utilizados para controle de doenças.

É preciso transferir esses conhecimentos por meio da metodologia fazendo e acompanhando a evolução do sistema, continua o pesquisador, "dessa forma os produtores estarão aptos a construir e reproduzí-los. Isso pode ser feito por meio de cursos, dias de campo e workshops, abordando os aspectos teóricos e práticos sobre montagem, instalação, manejo e manutenção, e procedimentos para otimizar os índices de produtividade e rentabilidade; aspectos conceituais sobre manejo produtivo e manutenção da qualidade da água; e BPM sobre prevenção de doenças de peixes e das plantas, requisitos mínimos para escolha do local, definição de escala de produção, conceitos fundamentais sobre os sistemas de recirculação, construção e uso dos filtros de decantação e biológicos, controle e manejo alimentar, além de criar oportunidades para trocas de experiências com aqueles que já atuam nesse segmento", explica Queiroz.

Boas práticas de manejo para sistemas de aquaponia é de autoria de Julio Queiroz, Alfredo Luiz, Márcia Ishikawa e Rosa Frighetto (Embrapa Meio Ambiente) e Thiago Freato da Symbiotec Ltda.

Fonte: www.embrapa.br.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Aquaponia sustentável ganha espaço na Flórida


Estado Unidos (EUA) - A Região de Tampa Bay, na costa do Golfo na Flórida é considerada o recanto dos melhores peixes do mundo. Não é nenhuma surpresa que cerca de 90% dos peixes tropicais vendidos nos EUA são originários desta zona. Mas o que muitos não sabem é que alguns dos peixes mais frescos da Flórida são realmente produzidos em terra.

"A onda atual é aquaponia porque muita gente quer produzir seu próprio alimento'', comentou  Portia Sapp, chefe do departamento de Agricultura e Serviços ao Consumidor - Divisão de Aquicultura da Florida. "As pessoas querem ter o cultivo de hortaliças e ervas em seus quintais, e também ver o alimento crescendo junto com os peixes", disse Sapp.

Então, como é que funciona? A configuração se parece mais com um projeto de ciências de uma fazenda de peixes, mas os resultados valem a pena. Na maioria dos casos, são utilizados tanques e os  vegetais flutuam na água. O abastecimento de água flui para frente e para trás entre as bandejas onde estão acomodadas as hortaliças.
                                                                                                                       
Chave para o sucesso da sustentabilidade

Águas ricas em nutrientes fluem para fora dos tanques de peixes e para onde as plantas estão crescendo. As plantas realmente prosperaram sobre os nutrientes em resíduos de peixe. Então, a água, que é limpa durante esse processo, é devolvido para os tanques. Este processo de recirculação reduz seriamente o uso da água. Ressaltando que esse sistema não utiliza fertilizantes.

"É uma maneira mais ecológica de criação de peixes e de alimentos", disse PhD. Richard Tyson - Diretor de extensão do Instituto de Alimentos e Ciências Agrárias da Flórida. O programa educacional tem como objetivo tomar o conhecimento da universidade e espalhá-lo em comunidades da Florida.

De acordo com Tyson, todo tipo de alface, tomate, ervas e pepinos podem ser cultivadas lado a lado com um tanque de peixes. "O problema é que, como resíduos de peixe estão envolvidos, tem sido difícil obter uma nota de aprovação para vegetais aquaponico dos auditores de segurança alimentar", diz Tyson.

Mas antes de apressar-se afastando a ideia de comer vegetais cultivados com a ajuda de resíduos de peixe, Tyson e outros especialistas reafirmam que é perfeitamente seguro. De fato, nos quase 15 anos desde que Tyson trabalha com aquaponia, nunca viu uma associação entre este método de criação de peixes e doenças transmitidas por alimentos.



Solução para proteger o meio ambiente

"Aquaponia é uma ótima solução, tanto para evitar a sobrepesca em  nossos oceanos, como para produzir alimentos saudáveis", diz Gina Cavaliero, Diretora da Green Acre aquaponia em Brooksville.

De acordo com Cavaliero, a aquaponia também alivia as preocupações sobre comer frutos do mar do Golfo do México atingidos por diversos derramamentos de petróleo.

Green Acre aquaponia atualmente cultiva tilápia e peixes koi usando um sistema aquaponico. Em breve estaremos adicionando bagre à sua operação, que é um peixe de alimento emergente na região de Tampa Bay. "Nós temos uma demanda de pelo menos 80 a 100 quilos de bagre por semana ", diz Cavaliero.