Surto de algas mata mais de 25 milhões de peixes e aumenta preço do salmão no ES


Espírito Santos (ES) - Um surto de algas já matou milhares de peixes no Chile e tem afetado diretamente na alta do preço do salmão exportado para o Brasil. De acordo com o Serviço Nacional de Pesca e Aquicultura (Sernapesca), mais de 25 milhões de peixes, o que corresponde a cerca de 40 mil toneladas, foram mortos por causa do surto.

Ao todo, 45 fazendas de cultivo de peixes da região de Los Lagos foram atingidas pelo surto de algas. A informação foi confirmada pelo diretor nacional de Sernapesca, José Miguel Burgos.

O empresário Yohan Pessotti tem sentido a diferença no bolso com a alta dos preços. Proprietário de um restaurante japonês em Maruípe, Vitória, ele conta que descobriu sobre o surto no início de março e que o preço tem subido bastante desde então.

“A gente começou a ter notícia sobre o surto de algas no início de março, quando teve a primeira alta do preço do salmão. Mas ninguém tinha certeza. Uma empresa depois passou a informação do surto, começamos a pesquisar e depois saiu uma reportagem em Pernambuco. Final do ano passado, pagávamos cerca de R$ 26 o quilo. No começo de 2015 esse valor era de R$ 25, mas subiu por conta da alta do dólar. Mas nesse ano foi aumentado, passou de R$ 26 para R$ 29, depois para R$ 30 e agora R$ 47,90”, comenta.

Para não aumentar o preço do cardápio, o proprietário revela que vai investir em outros peixes, como atum e peixe branco.

“Por enquanto os restaurantes estão mexendo nas promoções e suspendendo temporariamente para diminuir os custos. Não pretendo aumentar os  preços e para isso, quero apostar em outros peixes, como atum e peixe branco”.

Para o professor de Oceanografia da UFES, Agnaldo Martins, a morte dos peixes por conta do surto de algas pode ser causada por dois motivos.

“Em alguns casos, o surto de algas que liberam naturalmente substâncias tóxicas pode matar os peixes. Elas liberam substâncias tóxicas naturalmente em um fenômeno conhecido como maré vermelha. Se isso atinge uma área de cultivo de salmão, pode gerar intoxicação e mortalidade dos animais.  Em muitas situações, a maré vermelha está ligada ao ser humano, pois se o homem polui muito o ambiente, a exemplo do esgoto que é lançado, esse tipo de alga pode se reproduzir bem mais. O esgoto pode propiciar nutrientes para esse tipo de alga, não todas, mas essas tóxicas acabam tendo uma super produção. 

Outra possível explicação para as mortes é a super reprodução de algas em cativeiros desses peixes. Se o peixe estiver em um cativeiro, que é uma área fechada, e ocorrer um surto muito grande, ele pode sim morrer por insuficiência de oxigênio”, explica.